Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

Cartoon da semana



por Hasan Bleibel, retirado do site Political Cartoons
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um discurso de Abraracourcix às 09:40
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Post da semana

O destaque da semana vai para a chamada de atenção do Max para a escalada de violência na Somália, como eu também já o fiz. O referido post chama por sua vez a atenção para um meu post anterior e para outros textos a ler para melhor compreender o que na realidade está em causa...
Não me canso de repetir que o chavão "eles são pretos que se entendam", que assola de forma consciente a opinião pública ocidental à mera pronunciação das palavras "Somália" ou "Etiópia", e mesmo inconscientemente a nós que nos preocupamos mais que isso, é um chavão que não deve ser aplicado a um conflito bem mais importante do que aparenta.
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um discurso de Abraracourcix às 09:22
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Libertem os Pais Natal! (e os horrorosos anões de jardim)

Uma nota bem-humorada:
(última página do Público de hoje)

"Comando liberta Pais Natal em cidade italiana"

Figuras penduradas em varandas desaparecem durante a noite e são levadas para um jardim público

Os comandos actuam de madrugada, são rápidos, silenciosos e eficazes: sobem às varandas e levam os Pais Natal insufláveis ali pendurados. No espaço de duas semanas desapareceram umas dezenas de figuras, num fenómeno por enquanto confinado a uma cidade do Norte de Itália: Bérgamo.
Há três dias, o mistério ficou parcialmente esclarecido: os Pais Natal não foram alvo de um roubo sem sentido e sim "libertados". O esclarecimento vinha num comunicado assinado pelo "Movimento de Libertação dos Pais Natal das Varandas".
A reivindicação explicava o porquê: "Nós, membros do movimento, queremos que acabe a moda de prender Pais Natal às varandas, porque ele é um espírito livre que visita a casa das pessoas boas. Ninguém pode prendê-lo à varanda, obrigando-o a visitar a sua casa. O Pai Natal vem a nossas casas só na noite de Natal. A casa dele é na Lapónia e não vive nas varandas ou nas janelas."
A nota tal como foi divulgada pelo diário Corriere della Sera incluía, no entanto, uma pista para os que tinham comprado as figurinhas insufláveis de vários tamanhos: "Se queres rever o teu Pai Natal, vai ao bosque, aquele perto da via férrea, onde poderás encontrá-lo." Era verdade, lá estavam eles.
Muito comentado em Bérgamo, o caso motivou em geral sorrisos, mas o Corriere revelou que alguns proprietários com menos sentido de humor apresentaram queixa na polícia.
A libertação dos Pais Natal tem evidentes semelhanças com o movimento que existe há alguns anos em França - e que ganhou ramificações em Itália - para libertar os anões de jardim.
Jornais locais arriscaram que a operação nas varandas da cidade poderia ter sido conduzida pelos mesmos activistas que se dedicam a raptar e libertar os anões de barro dos jardins. A suposição levou o Movimento Autonómo para a Libertação dos Anões de Jardim (em italiano, MALAG) a emitir um outro comunicado, rejeitando qualquer envolvimento e negando essa "calúnia".
Para não deixar dúvidas, o MALAG explicou, em três pontos, por que motivo a acção nas varandas de Bérgamo nunca poderia ter sido sua: "primeiro, porque o movimento quer libertar os anões e isso seria uma distracção da batalha principal"; segundo, porque o Pai Natal "não é uma criatura da floresta"; terceiro: "Porque queremos ver quem é que tem a coragem de se empoleirar numa varanda do segundo andar em pleno centro..."
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um discurso de Abraracourcix às 09:18
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

Os últimos 30 dias da vida de Saddam Hussein

Há uns dias, perguntavam-me, incredulamente, se eu achava que Saddam Hussein seria mesmo executado. Eu respondi, sem sombra de dúvidas, que sim.
Agora aí está a confirmação da pena de morte pela morte de cerca de 160 curdos da aldeia de Dujail, em 1982 - e quando ainda se desenrolam os primeiros capítulos do julgamento da odiosa campanha Anfal - que terá de ser levada a cabo nos próximos 30 dias. Reitero a minha convicção de que serão os últimos dias da vida de Saddam Hussein, pois não acredito que quem tem poder para decidir uma eventual comutação da pena - o governo iraquiano - ou para a impor - os Estados Unidos - queira semelhante cenário.
A morte de Saddam, de resto, será totalmente inútil e se algum efeito tiver será o de exacerbar ainda mais os conflitos sectários, inflamando a já inflamada verve sunita. Uma comutação teria exactamente o mesmo efeito, mas exacerbando nesse caso a também já inflamada verve xiita e curda.
Portanto, quer morra quer viva Saddam é já totalmente inútil para o futuro do país que governou. Nesse sentido, para quê uma vã violação dos Direitos Humanos? Não será concerteza para fazer justiça, mas para um só e por isso desprezível propósito: vingança.
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um discurso de Abraracourcix às 12:07
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A Al Qaedização da Somália: a guerra regional chegou

Tal como prenunciei há um pouco mais que um mês, o caminho para a guerra na Somália tornou-se inexorável. A Etiópia invadiu militarmente o país rival e vizinho - onde já vinha mantendo uma presença militar e para-militar de forma pretensamente secreta - como forma de auxílio ao "governo" oficial do país, com sede não na capital mas na cidade de província de Baidoa - não por acaso perto da fronteira com a Etiópia...
No post que escrevi anteriormente já expliquei o interesse da Etiópia, que tem um dos mais poderosos exércitos da região, em evitar o surgimento de um bastião islâmico e extremista no país que com ela rivaliza geopoliticamente no "corno de África". Agora, e como já se adivinhava, decidiu avançar para a invasão "a pedido", precipitando-se para a capital para tentar derrubar o poder da União dos Tribunais Islâmicos, que controlam ainda a capital e pelo menos um terço do país (ver a interessante infografia do Le Monde).
Veremos se a poderosa máquina militar etíope consegue derrubar os islamistas e os seus aliados, declarados e não declarados... as reticências aqui visam expressar o meu grande cepticismo quanto ao sucesso de tal empresa. Seja como for, continuarei atento a um conflito mais importante do que parece.
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um discurso de Abraracourcix às 11:48
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

Cartoon da semana

Post da semana não há, dado nada do que li - sem demérito dos ilustres escribas cujos blogs consulto habitualmente - me ter suscitado mais do que os normais aplausos... A blogosfera, eu incluído, anda de resto algo parada... Fica no entanto esta imagem, à laia de cartoon, que retirei do artigo da The Economist que me inspirou o post abaixo:

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um discurso de Abraracourcix às 11:23
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Adeus ao "pai do Turquemenistão"

Morreu Saparmurat Niyazov, auto-intitulado Turkmenbashi, o pai dos turquemenos, ontem, de ataque cardíaco. Na categoria "ditadores", era sem dúvida um dos mais brutais, sádicos, mas também inventor de originais e bizarras formas de repressão.
Os seus feitos incluem: uma capital, Ashgabat, "surreal", repleta de edifícios neo-estalinistas de mármore branco, de retratos gigantes e de estátuas douradas do próprio Turkmenbashi, incluindo uma, de braços abertos, que roda 360 graus para estar sempre de frente para o sol; livros escritos por Nyiazov que são leitura obrigatória nas escolas e um pouco por todo o lado, onde a sua biografia é transformada em lenda; opositores políticos ou simples cidadãos que disseram uma palavra a mais ou a menos (escutadas por informadores, ou por escutas telefónicas ou nas próprias casas) torturados, presos, ou deportados para áridos desertos de sal; e, naturalmente, as habituais contas bancárias offshore com a maior parte dos milhões de dólares originados pelo gás e recursos naturais do país...
Castro doente, Saddam condenado à morte, Pinochet e Nyiazov mortos... Nas palavras da The Economist, "it´s a tough season for tyrants".
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um discurso de Abraracourcix às 11:06
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Memórias de Pinochet

Despertada a minha curiosidade por uma crónica do Público de ontem, fui ao You Tube à procura deste video, para o colocar no Altermundo, como testemunho - apenas um pequeno testemunho - do absurdo da ditadura de Pinochet.
O video foi retirado de um documentário sobre a ditadura chilena, e neste excerto se fala de um jogo de futebol em 1973 entre o Chile e a União Soviética que ia decidir qual das duas iria ao Mundial do ano seguinte.
O jogo estava marcado para Outubro de 1973, um mês e meio apenas após o golpe de Estado que colocou Pinochet no poder, e numa altura em que o Estádio Nacional, onde o jogo se ia desenrolar, estava já pejado de presos políticos e vítimas do regime torcionário chileno.
A União Soviética, em gesto de protesto, recusou-se a deslocar-se ao Chile para o o jogo, o que levou oficiais da FIFA a irem propositadamente ao Estádio Nacional, miraculosamente "esvaziado", atestar se havia condições para o jogo se realizar - e declararem, no fim, que "no Chile vive-se um ambiente normal".
O jogo teve então lugar, sim, com gente nas bancadas a aplaudir fervorosamente a única equipa em campo, o Chile, pois a URSS acabou mesmo por não comparecer em protesto. E é então triste, e absurdo, ver como simbolicamente os jogadores do Chile foram trocando a bola em direcção da baliza adversária, e no fim marcar um golo que se queria simbólico - sob o olhar atento dos imperscrutáveis óculos escuros de Pinochet, que assistia na bancada...
Aqui fica então em memória desses tempos agora idos, mas que por vezes nos fazem estranhamente lembrar algo do tempo presente...


 

 

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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

É tão linda a democracia de Sócrates

O Governo de Sócrates não parece nada preocupado em desmentir as acusações, blogosféricas e outras, de falta de espírito democrático. Pelo contrário, faz tudo para as confirmar.
Nesse sentido vão dois actos em outros tantos dias, primeiro publicitando amplamente o envio de cinco (!) pareceres favoráveis à nova lei das finanças locais para o Tribunal Constitucional (TC), o que logo me fez levantar o sobrolho de incredulidade, por não crer que Sócrates pudesse querer tão descaradamente pressionar o TC. Já sem falar no elemento puramente quantitativo (cinco pareceres é manifestamente desproporcionado, brutal mesmo), a verdade é que este acto é mesmo uma forma descarada de tentar condicionar a decisão do TC - que eu julgava que iria ser favorável ao Governo, mas pelos vistos este tem elementos que apontam em sentido contrário - e reveladora, como alguns companheiros...amigos...palhaços... irredutíveis gauleses não se cansam de apregoar (comigo sempre a pensar que estavam a exagerar), de que Sócrates é pura e simplesmente indiferente à democracia que o colocou onde está, e governa como se ela não existisse ou não devesse existir.
Outro acto revelador, este mais risível, ridículo até, é a tentativa de impedir a audição de Jorge Vasconcelos, ex-presidente da Entidade Reguladora do Sector Energético, no Parlamento, conforme solicitado por alguns partidos no sentido de entenderem os motivos que forçaram a sua demissão. A forma como o PS inopinadamente nomeou novo presidente, para assim impedir a audição do "presidente da ERSE" Jorge Vasconcelos (uma vez que até à nomeação de novo presidente ele, mesmo como demissionário, ainda era o titular do cargo), é reveladora de um medo que, neste caso, não compreendo - mais uma vez, devem ter elementos que eu ignoro...
Pior que isso, embora perfeitamente legal - tal como, suponho, o será o envio de pareceres ao TC - mostra o despudor com que o partido e o Governo tranquilamente atravessam as formais (no caso do TC) ou tácitas fronteiras da separação de poderes. Só mostram como Sócrates, ambicioso governante absolutista, preferia que elas não existissem. Já que não pode aboli-las (quer dizer, poder até pode...), como tenho a certeza que gostaria, ignora-as.
É tão linda a democracia.
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um discurso de Abraracourcix às 09:18
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

O espectro da guerra civil na Palestina: uma guerra por procuração

De súbito, algo que durante muito tempo não julguei possível parece perigosamente perto. Até há pouco, sempre me convenci que o espírito de unidade existente entre os palestinianos (um sentido de comunidade que é tão próprio dos árabes), uma umma que sempre vi como especialmente forte, seria o suficiente para que as sempre efervescentes relações entre as díspares facções palestinianas deslizassem para a guerra civil.
Agora, receio que esse conflito, sempre tão perto e ao mesmo tempo tão longe - sempre afastado pela umma palestiniana - esteja a ponto de rebentar. Ontem, ao ler o Público, percebi finalmente porquê... a resposta estava de resto já lá há algum tempo.

"Analistas afirmam que os combates podem ser vistos como uma guerra por procuração entre os Estados Unidos, que estão a tentar formar a guarda presidencial de Abbas, e o Irão, que apoia o Hamas. (...)
Altos responsáveis israelitas adiantam que a decisão tomada na semana passada de impedir o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, de fazer entrar 35 milhões de dólares em Gaza se deveu em parte às preocupações de que esse dinheiro fosse destinado à força executiva [força armada do Hamas], o que o Hamas nega.
Washington quer canalizar fundos para a guarda presidencial de Abbas. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, afirmou na semana passada que a Administração irá fornecer dezenas de milhar de dólares às forças de Abbas, esperando apenas uma aprovação do Congresso. Com a ajuda de Washington, a guarda presidencial de Abbas atingiu os quase 4 mil membros. (...)
O Hamas expandiu rapidamente a sua força para os 6 mil membros e promete acrescentar-lhe combatentes no futuro. Isto, não incluindo os milhares que lutam sobre o seu braço armado. (...) Desde que subiu ao poder, o Hamas fez entrar pelo menos 80 milhões de dólares em Gaza através da travessia em Rafah, dizem diplomatas e observadores. Mobilizada primeiro pelo governo Hamas nas ruas de Gaza em Maio, a força executiva é constituída maioritariamente por membros das Brigadas e inclui membros de facções aliadas de activistas. Mas o Hamas não revela onde é que as forças executivas vão buscar dinheiro, armas e equipamento." [mas isso é elementar... ao Irão, claro, onde mais?]

Surpreende-me de qualquer forma a ousadia iraniana: exímio jogador de xadrez - ao que julgo originário daquela região - acredita nos seus dotes xadrezísticos a tal ponto que, face ao impasse no tabuleiro libanês e ao paulatino desenvolvimento do tabuleiro iraquiano, não hesita em levar a cabo um exercício de "simultâneas". Para os não versados em linguagem xadrezística, estas ocorrem quando um jogador, normalmente de capacidade muito superior aos oponentes, joga ao mesmo tempo vários jogos de xadrez com adversários diferentes.
Teerão parece acreditar que as suas capacidades são de facto muito superiores - o que talvez seja verdade, ou pelo menos nisso o fizeram acreditar os disparatados lances que o mais perigoso adversário, os Estados Unidos, fez anteriormente.
Atento observador da geopolítica da região - e impotente para ser mais do que observador atento - o rei Abdullah II da Jordânia já tinha alertado para a iminência destas "simultâneas", tendencialmente conducentes a três guerras civis, e ao enorme perigo que todas elas representam. Elas parecem hoje mais perto que nunca...
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Cartoon da semana



de Infoalternativa Cartoon
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Post da semana

Esta semana pretendo dedicar atenção a uma revelação - autêntica "cacha" jornalística! - feita pelo renas e veados, em relação às causas obscuras do que se vem passando na Polónia. Eu sei que já é um post antigo, mas só agora o descobri e, enfim, não deixa de merecer destaque...
Já era sobejamente conhecido o carácter, mais que ultra-conservador e ultra-católico, reaccionário da gemelar liderança política do país: declarações plenas de homofobia (e anúncio de leis a acompanhar o tom), ameaça de re-introdução da pena de morte (ignorando que tal não é possível - ou não deveria ser possível - no seio da União Europeia) para crimes ditos "morais" (o que a somar à declarada homofobia está-se mesmo a ver no que iria redundar...), enfim, um governo do mais extremista que há e ostentadamente atentatório de alguns elementares direitos humanos, sobretudo em relação a "minorias socias".
Mas o que mais vai saltando à vista é mesmo a arreigada homofobia dos gémeos Kaczcýnski, de que agora o renas e veados vem revelar a origem - é que, ao que tudo indica e até já se fala abertamente disso na Polónia, o primeiro-ministro Jaroslaw Kaczýnski é homossexual... Como diz o boss, a homofobia é tão gay...
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um discurso de Abraracourcix às 15:22
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

O aborto existe (chamamento ao campo do Não e às suas avestruzes)

O aborto é uma realidade.
Eu pensava que todos o sabiam, mas parece que, mesmo com a publicação do primeiro estudo de base populacional do aborto, alguns defensores do Não continuam a preferir enterrar a cabeça na areia. Na sua deturpada forma de ver as coisas, como o estudo foi pedido por uma entidade conotada com o Sim, não é credível, e portanto os seus resultados não existem.
Elucidação a essas - conscientes ou não - avestruzes: o aborto existe.
Eu admito perfeitamente que haja enviesamentos decorrentes da parcialidade de quem pediu o estudo. Mais, estou convencido de que eles existem (embora provavelmente se anulem com os enviesamentos contrários decorrentes do factor vergonha, mesmo com garantia de anonimato).
No entanto, noto que foram realizadas 2000 entrevistas, segundo a ficha técnica em condições que permitiram, minimamente, a quem já tinha abortado sinalizá-lo sem se sentir exposta. Noto também que, para a dimensão da população portuguesa, 2000 entrevistas é estatisticamente muito relevante, como prova o reduzido intervalo de erro.
Sendo assim, eu posso admitir que não haja 350.000 mulheres que já tenham feito um aborto. Posso admitir que haja muitas menos. Mas se forem 200.000, ou 100.000, mesmo assim a dimensão do fenómeno é enorme e o problema continua a ser extremamente sério.
Agora, proclamar que, como o número poderá estar inflacionado é o mesmo que ele ser zero, como já fez a associação de nome caricato que pretende defender as famílias "numerosas", isso é intelectualmente desonesto.
Para esses, nenhum número, nenhum estudo nunca servirá, pois no seu mundo debaixo da areia eles não fazem sequer sentido. Deveríamos pensar em chamar-lhes "negacionistas"...
Para as mentes honestas - para a meia dúzia delas que lerá este post -  aqui ficam os dados relevantes:

14,5% das mulheres entrevistadas já fez um ou mais abortos

73% dos casos foram realizados até às 10 semanas
[mais um argumento do Não que leva uma machadada, o de que a maior parte dos abortos são efectuados depois do limite das 10 semanas e por isso continuaria a ser crime]

46% das mulheres que abortaram não usavam qualquer método contraceptivo
[muito preocupante, denunciando a debilidade do planeamento familiar em Portugal, área em que com ou sem legalização muito tem imperetrivelmente de ser feito]

39% fez o aborto numa casa particular, e 85% foram realizados em Portugal
[a provar também a realidade do "aborto de vão de escada" e que as "Clínicas Los Arcos" espanholas não são um mito...]
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um discurso de Abraracourcix às 15:26
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Utopia de cinemas alternativos no Porto

Esta notícia, do Público de ontem, parece quase demasiado boa para ser verdade:

"Primeiro complexo totalmente digital vai nascer no Porto"

"O antigo complexo de cinemas do CentralShopping, no Porto, vai ser remodelado pela Soares da Costa e, ao abrigo de um programa de mecenato com a Cinema Novo, organizadora do Fantasporto, será transformado em espaço cultural. O director da cooperativa, Mário Dorminsky, considera que a proximidade do complexo às escolas de Soares dos Reis e de Belas-Artes irá contribuir para o sucesso do projecto, que pretende ser um espaço "de formação cultural" que tem de chegar ao grande público". O Mediaplex terá seis salas equipadas com projecção digital, a maior das quais também com um projector de 35 mm, para permitir o acesso a filmes ainda não distribuídos em suporte digital. As restantes cinco salas vão ser dedicadas ao cinema português, asiático, europeu e norte-americano independente. O complexo vai, ainda, acolher exposições temporárias. Segundo Dorminsky, o antigo centro comercial, encerrado desde há dois anos, "vai deixar de ser o que era", graças a algumas lojas-âncora e a um novo conceito a introduzir pela Soares da Costa. As obras nas salas deverão estar concluídas a 12 de Fevereiro, a tempo de poderem ser utilizadas no Fantasporto 2007, que começa dia 19."

Numa cidade culturalmente manietada como é a minha, é bom que surjam estes projectos,  se bem que esteja bastante céptico quanto ao seu sucesso, como também é bom que o Fantasporto, de que sou grande fã, se mantenha no Porto.
Desaparecido o Nun'Álvares, a programação de cinematografias alternativas está reduzida às escolhas sempre intermitentes da Medeia no Bom Sucesso, e à também intermitente programação do Passos Manuel. Pelo menos enquanto durar esta "utopia" no CentralShopping, serei frequentador assíduo!
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um discurso de Abraracourcix às 10:36
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Yunus e o Nobel da Paz: um Altermundo é possível

No domingo 10 de Dezembro, adequadamente no dia mundialmente dedicado aos Direitos Humanos, foi entregue em Oslo o Prémio Nobel da Paz deste ano a Muhammad Yunus (também aqui, e artigo da wikipedia aqui) e ao seu Grameen Bank (artigo da wikipedia aqui). Muito resumidamente, Yunus fundou um banco que tem como objectivo retirar as pessoas da pobreza e, para tal, faz pequenos empréstimos a pessoas muito pobres (quase sempre mulheres pois, como ele diz, "emprestando às mulheres obtemos os melhores resultados na melhoria das condições da família") no seu país natal, o Bangladesh, para que elas fundem o seu próprio negócio e assim se tornem bem sucedidas. A empresa tem conhecido um enorme êxito, reconhecido agora não só pela Fundação Nobel mas também pelo facto de terem entretanto surgido, por todo o mundo, negócios muito semelhantes ao do Grameen Bank.
Devido à atribuição deste prémio, muito se tem falado nos últimos tempos do micro-crédito como ferramenta de combate à pobreza, e parece-me extremamente interessante explorar esta possibilidade. Mais interessante me pareceu ainda depois de ler o discurso de aceitação do prémio de Yunus, que podem ler na íntegra aqui e do qual deixarei (largos) excertos. Chamo a atenção particularmente para as partes que destaquei, que mostram precisamente as limitações do sistema capitalista - e, acessoriamente, o motivo pelo qual me desencantei com o curso de Economia que tirei...
É longo, eu sei, mas leiam com atenção e verão uma nova perspectiva emergir...


"(...) I believe terrorism cannot be won over by military action. Terrorism must be condemned in the strongest language. We must stand solidly against it, and find all the means to end it. We must address the root causes of terrorism to end it for all time to come. I believe that putting resources into improving the lives of the poor people is a better strategy than spending it on guns.

Peace should be understood in a human way in a broad social, political and economic way. Peace is threatened by unjust economic, social and political order, absence of democracy, environmental degradation and absence of human rights.
Poverty is the absence of all human rights. The frustrations, hostility and anger generated by abject poverty cannot sustain peace in any society. For building stable peace we must find ways to provide opportunities for people to live decent lives.
The creation of opportunities for the majority of people − the poor − is at the heart of the work that we have dedicated ourselves to during the past 30 years.

I became involved in the poverty issue not as a policymaker or a researcher. I became involved because poverty was all around me, and I could not turn away from it. In 1974, I found it difficult to teach elegant theories of economics in the university classroom, in the backdrop of a terrible famine in Bangladesh . Suddenly, I felt the emptiness of those theories in the face of crushing hunger and poverty. I wanted to do something immediate to help people around me, even if it was just one human being, to get through another day with a little more ease. That brought me face to face with poor people's struggle to find the tiniest amounts of money to support their efforts to eke out a living. I was shocked to discover a woman in the village, borrowing less than a dollar from the money-lender, on the condition that he would have the exclusive right to buy all she produces at the price he decides. This, to me, was a way of recruiting slave labor.
I decided to make a list of the victims of this money-lending "business" in the village next door to our campus.
When my list was done, it had the names of 42 victims who borrowed a total amount of US $27. I offered US $27 from my own pocket to get these victims out of the clutches of those money-lenders. The excitement that was created among the people by this small action got me further involved in it. If I could make so many people so happy with such a tiny amount of money, why not do more of it?
That is what I have been trying to do ever since. The first thing I did was to try to persuade the bank located in the campus to lend money to the poor. But that did not work. The bank said that the poor were not creditworthy. After all my efforts, over several months, failed I offered to become a guarantor for the loans to the poor. I was stunned by the result. The poor paid back their loans, on time, every time! But still I kept confronting difficulties in expanding the program through the existing banks. That was when I decided to create a separate bank for the poor, and in 1983, I finally succeeded in doing that. I named it Grameen Bank or Village bank.
Today, Grameen Bank gives loans to nearly 7.0 million poor people, 97 per cent of whom are women, in 73,000 villages in Bangladesh. Grameen Bank gives collateral-free income generating, housing, student and micro-enterprise loans to the poor families and offers a host of attractive savings, pension funds and insurance products for its members. Since it introduced them in 1984, housing loans have been used to construct 640,000 houses. The legal ownership of these houses belongs to the women themselves. We focused on women because we found giving loans to women always brought more benefits to the family.
In a cumulative way the bank has given out loans totaling about US $6.0 billion. The repayment rate is 99%. Grameen Bank routinely makes profit.
(...) This idea, which began in Jobra, a small village in Bangladesh, has spread around the world and there are now Grameen type programs in almost every country.

(...) We keep looking at the children of our borrowers to see what has been the impact of our work on their lives. The women who are our borrowers always gave topmost priority to the children. One of the Sixteen Decisions developed and followed by them was to send children to school. Grameen Bank encouraged them, and before long all the children were going to school. Many of these children made it to the top of their class. We wanted to celebrate that, so we introduced scholarships for talented students.
(...) Many of the children went on to higher education to become doctors, engineers, college teachers and other professionals. We introduced student loans to make it easy for Grameen students to complete higher education. Now some of them have PhD's.

(...) Three years ago we started an exclusive programme focusing on the beggars. None of Grameen Bank's rules apply to them. Loans are interest-free; they can pay whatever amount they wish, whenever they wish. We gave them the idea to carry small merchandise such as snacks, toys or household items, when they went from house to house for begging. The idea worked. There are now 85,000 beggars in the program. About 5,000 of them have already stopped begging completely.
We encourage and support every conceivable intervention to help the poor fight out of poverty. We always advocate microcredit in addition to all other interventions, arguing that microcredit makes those interventions work better.

(...) we created a mobile phone company, Grameen Phone. We gave loans from Grameen Bank to the poor women to buy mobile phones to sell phone services in the villages.
(...) The phone business was a success and became a coveted enterprise for Grameen borrowers. Telephone-ladies quickly learned and innovated the ropes of the telephone business, and it has become the quickest way to get out of poverty and to earn social respectability. Today there are nearly 300,000 telephone ladies providing telephone service in all the villages of Bangladesh . Grameen Phone has more than 10 million subscribers, and is the largest mobile phone company in the country.

(...) Capitalism centers on the free market. It is claimed that the freer the market, the better is the result of capitalism in solving the questions of what, how, and for whom. It is also claimed that the individual search for personal gains brings collective optimal result.
I am in favor of strengthening the freedom of the market. At the same time, I am very unhappy about the conceptual restrictions imposed on the players in the market. This originates from the assumption that entrepreneurs are one-dimensional human beings, who are dedicated to one mission in their business lives to maximize profit. This interpretation of capitalism insulates the entrepreneurs from all political, emotional, social, spiritual, environmental dimensions of their lives. This was done perhaps as a reasonable simplification, but it stripped away the very essentials of human life.
Human beings are a wonderful creation embodied with limitless human qualities and capabilities. Our theoretical constructs should make room for the blossoming of those qualities, not assume them away.
Many of the world's problems exist because of this restriction on the players of free-market. The world has not resolved the problem of crushing poverty that half of its population suffers.
(...) We have remained so impressed by the success of the free-market that we never dared to express any doubt about our basic assumption. To make it worse, we worked extra hard to transform ourselves, as closely as possible, into the one-dimensional human beings as conceptualized in the theory [brilhante brilhante brilhante!] to allow smooth functioning of free market mechanism.
By defining "entrepreneur" in a broader way we can change the character of capitalism radically, and solve many of the unresolved social and economic problems within the scope of the free market. Let us suppose an entrepreneur, instead of having a single source of motivation (such as, maximizing profit), now has two sources of motivation, which are mutually exclusive, but equally compelling a) maximization of profit and b) doing good to people and the world.
Each type of motivation will lead to a separate kind of business. Let us call the first type of business a profit-maximizing business, and the second type of business as social business.
Social business will be a new kind of business introduced in the market place with the objective of making a difference in the world. Investors in the social business could get back their investment, but will not take any dividend from the company. Profit would be ploughed back into the company to expand its outreach and improve the quality of its product or service. A social business will be a non-loss, non-dividend company.
Once social business is recognized in law, many existing companies will come forward to create social businesses in addition to their foundation activities. Many activists from the non-profit sector will also find this an attractive option. Unlike the non-profit sector where one needs to collect donations to keep activities going, a social business will be self-sustaining and create surplus for expansion since it is a non-loss enterprise. Social business will go into a new type of capital market of its own, to raise capital.
(...) Many young people today feel frustrated because they cannot see any worthy challenge, which excites them, within the present capitalist world. Socialism gave them a dream to fight for. Young people dream about creating a perfect world of their own.
Almost all social and economic problems of the world will be addressed through social businesses. The challenge is to innovate business models and apply them to produce desired social results cost-effectively and efficiently. Healthcare for the poor, financial services for the poor, information technology for the poor, education and training for the poor, marketing for the poor, renewable energy − these are all exciting areas for social businesses.
Social business is important because it addresses very vital concerns of mankind. It can change the lives of the bottom 60 per cent of world population and help them to get out of poverty.

(...) To connect investors with social businesses, we need to create social stock market where only the shares of social businesses will be traded. An investor will come to this stock-exchange with a clear intention of finding a social business, which has a mission of his liking. Anyone who wants to make money will go to the existing stock-market.
To enable a social stock-exchange to perform properly, we will need to create rating agencies, standardization of terminology, definitions, impact measurement tools, reporting formats, and new financial publications, such as, The Social Wall Street Journal. Business schools will offer courses and business management degrees on social businesses to train young managers how to manage social business enterprises in the most efficient manner, and, most of all, to inspire them to become social business entrepreneurs themselves.

I support globalization and believe it can bring more benefits to the poor than its alternative. But it must be the right kind of globalization. To me, globalization is like a hundred-lane highway criss-crossing the world. If it is a free-for-all highway, its lanes will be taken over by the giant trucks from powerful economies. Bangladeshi rickshaw will be thrown off the highway. In order to have a win-win globalization we must have traffic rules, traffic police, and traffic authority for this global highway. Rule of "strongest takes it all" must be replaced by rules that ensure that the poorest have a place and piece of the action, without being elbowed out by the strong. Globalization must not become financial imperialism.
Powerful multi-national social businesses can be created to retain the benefit of globalization for the poor people and poor countries. Social businesses will either bring ownership to the poor people, or keep the profit within the poor countries, since taking dividends will not be their objective. (...)

We get what we want, or what we don't refuse. We accept the fact that we will always have poor people around us, and that poverty is part of human destiny. This is precisely why we continue to have poor people around us. If we firmly believe that poverty is unacceptable to us, and that it should not belong to a civilized society, we would have built appropriate institutions and policies to create a poverty-free world.
We wanted to go to the moon, so we went there. We achieve what we want to achieve. If we are not achieving something, it is because we have not put our minds to it. We create what we want.
What we want and how we get to it depends on our mindsets. It is extremely difficult to change mindsets once they are formed. We create the world in accordance with our mindset. We need to invent ways to change our perspective continually and reconfigure our mindset quickly as new knowledge emerges. We can reconfigure our world if we can reconfigure our mindset.

I believe that we can create a poverty-free world because poverty is not created by poor people.
(...) Poverty is created because we built our theoretical framework on assumptions which under-estimates human capacity, by designing concepts, which are too narrow (such as concept of business, credit- worthiness, entrepreneurship, employment) or developing institutions, which remain half-done (such as financial institutions, where poor are left out). Poverty is caused by the failure at the conceptual level, rather than any lack of capability on the part of people.
I firmly believe that we can create a poverty-free world if we collectively believe in it. In a poverty-free world, the only place you would be able to see poverty is in the poverty museums. When school children take a tour of the poverty museums, they would be horrified to see the misery and indignity that some human beings had to go through. They would blame their forefathers for tolerating this inhuman condition, which existed for so long, for so many people.
(...) To me poor people are like bonsai trees. When you plant the best seed of the tallest tree in a flower-pot, you get a replica of the tallest tree, only inches tall. There is nothing wrong with the seed you planted, only the soil-base that is too inadequate. Poor people are bonsai people. There is nothing wrong in their seeds. Simply, society never gave them the base to grow on. All it needs to get the poor people out of poverty for us to create an enabling environment for them. Once the poor can unleash their energy and creativity, poverty will disappear very quickly. (...)"


É estúpida e gritantemente optimista e visionário, mas digam lá que não é bom acreditar - como parte de mim secretamente ainda acredita - que um mundo assim é possível...
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O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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