Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Despenalização do aborto - faltam 12 dias para o referendo

A coincidir com a abertura oficial da campanha, começo hoje a minha pessoal "avalanche" de posts sobre o tema e, claro sobre o Sim, a que prometo dedicar incessante atenção até dia 11. Para começar, um momento hilariante, e que bem pode servir para demonstrar as enormes falácias proferidas pelo lado do Não e, sobretudo, por essa "vaca sagrada" que é Marcelo Rebelo de Sousa, aka "o Professor". Pois bem, a sua ridícula posição, ilustrada por um ridículo video, foi no passado domingo completamente devastada por esse ícone que já é "el Gato" Ricardo Araújo Pereira (magnífica personificação do "Professor", completa com todos os tiques) que junto com os seus compagnons do Gato Fedorento conseguiu eficazmente desmontar todos os seus argumentos.

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Despenalização do aborto - citação assassina 2: a desorganização do Sim

Ainda do mesmo artigo, reproduzo a parte final, como sintomático do autêntico caos que pessoalmente já senti predominar na organização (?) da campanha do Sim, por oposição ao profissionalismo da campanha do Não que transparece do referido artigo, o qual presumo ter por trás a bem oleada e mediaticamente ultra-eficaz máquina de um certo partido - por oposição, acrescento, à relativa ausência de máquinas partidárias do lado do Sim (e onde elas existem, fazem uma campanha à parte, quase autista).
Que esta passagem sirva como grito de alerta:

"(...) A situação parece indiciar o modo como boa parte das figuras que se têm mobilizado pelo "sim" encaram o referendo. A campanha é, para eles, uma obrigação cívica importante e todos manifestam uma convicção inabalável da razão do voto "sim". Mas não deixa de ser um part time de fim-de-semana, filantropia ao final do dia: algo que se faz depois das aulas, depois da reunião da empresa, quando fecha o escritório de advogados ou termina o encontro da comissão política do partido.
Cada um esforça-se para dar tempo à causa. Mas são raros os que dormem com a causa, acordam a pensar na causa, sabem o que é que a causa está a preparar para a semana, para o dia seguinte."
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Despenalização do aborto - citação assassina 1: anatomia do beijo

Do Público de hoje, não resisto a reproduzir uma passagem de um artigo sobre diferentes acções de campanha, comparando a organização, logística, características sociais, etc. dos militantes do Sim e do Não - ou, na passagem em questão, sobre o beijo. É que textos jormalisticamente inspirados como este, para além de não aparecerem todos os dias, dizem muito mais do que todas as outras coberturas jornalísticas juntas...

"Diz-me como beijas, dir-te-ei quem és"

"Tecnologia à parte, outros indicadores dão a medida da diferença de estilo, de classe social, relativamente à comunidade do "sim", mais heterogénea e desmazelada. O beijo, por exemplo. Entre os grupos do "sim" prevalecem largamente os dois beijos na cara, sendo excepções um ou outro socialista beirão deslumbrado com o trato do jet set de Cascais e, de forma irregular, Paula Teixeira da Cruz.
No "não", pelo contrário, só é admissível o beijo unifacial. Sem excepções. Sempre.
Posto isto, se o cumprimento do "sim" representa a tradição mais vulgarizada em Portugal, nesta matéria, que significado tem o beijo unifacial? É ele um beijo elitista? Serão as pessoas do "não" elitistas?
Ora, não é a primeira vez que o beijo unifacial é usado para definir um dos lados da barricada, numa campanha eleitoral. Ele já foi referido nas campanhas do CDS-PP e do PSD, em anteriores referendos (regionalização e IVG), bem como em cerimónias várias envolvendo Santana Lopes. Na sequência desses textos, já houve quem se insurgisse contra estas generalizações, chamando-lhes sociologia de algibeira, preconceito ferroviário (contra a linha do Estoril) ou religioso.
É certo que faltam estudos que permitam extrapolações mais rigorosas sobre a origem social e a conta bancária de quem assim beija. E que beijar assim não condena ninguém. Mas uma coisa parece indesmentível. Esse não é o cumprimento tradicional dos sindicalistas, nem dos utentes dos barcos da Soflusa, nem das empregadas domésticas, nem das lojistas do centro comercial de Odivelas, nem dos agricultores de Sobral de Monte Agraço."
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Sondagens de intenção de voto no referendo

Sempre fui, desde tenra idade, um apaixonado por estatísticas, gráficos, sondagens.  O meu lado matemático sempre me levou a procurar, em todas as eleições, o maior volume de informação possível a este respeito, para tentar descortinar certezas, incertezas, tendências - às vezes até auxiliar decisivamente na decisão de voto.
Foi por isso que, tomando como base o interessantíssimo trabalho realizado por Pedro Magalhães no blog Margens de Erro, o qual desde que o descobri há alguns anos sempre consulto avidamente antes de quaisquer eleições - e que vai agora, mui merecidamente, para esse "espaço de (muito reduzida) glória" que é a barra direita do Altermundo - tomando como base, dizia, os dados de todas as sondagens referidas pelo Margens de Erro (apenas com alguns, porventura inexactos, cálculos por mim efectuados com base na própria sondagem, sempre que os dados disponibilizados pela empresa em causa o permitia), tomei a liberdade de fazer a minha própria análise da evolução da tendência de voto e abstenção para o referendo de 11 de Fevereiro.
É, volto a frisar, uma análise muito mais superficial do que a de Pedro Magalhães e sem quaisquer pretensões de rigor, mas que aqui deixo para a vossa consideração.



Reconheço que as linhas de tendência se vêem bastante mal, mas foi o possível com os meus limitados conhecimentos informáticos... É visível no entanto a tendência para a descida do voto no Sim (linha a azul, que representa a média das 3 últimas sondagens de todas as empresas - Católica, Marktest, Aximage, Intercampus, Eurosondagem - disponíveis a cada momento), seguida de uma aparente estabilização em redor dos 60% (a análise de Pedro Magalhães, muito mais aprofundada, sugere uma tendência de queda do Sim sem estabilização à vista). A tendência do Não, a vermelho, é mimética desta, chegando aos 40%.
Há também umas linhas a tracejado que infelizmente mal se vêem na imagem, pretendendo projectar as abstenções máxima e mínima reflectidas nas sondagens. Dos poucos dados avançados normalmente a este respeito nas sondagens, decorre que o valor mínimo projectado para a abstenção (em regra, se os que dizem que "de certeza" que não vão votar mantiverem a intenção e se todas as pessoas que ainda não decidiram se votam ou não acabarem por o fazer) é estável em redor dos 25%, enquanto a abstenção máxima (se todos os "abstencionistas indecisos" caírem para o lado da preguiça) apresenta uma tendência de crescimento que roça já a barreira dos 50%.
Portanto, várias razões para alarme...
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um discurso de Abraracourcix às 14:10
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Cartoon da semana

Excelente definição do que é, hoje em dia, o multiculturalismo... de Cagle Cartoons

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um discurso de Abraracourcix às 12:14
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Post da semana

Este não é o tipo de assunto sobre o qual gosto de falar. Não gosto de me pronunciar sobre algo em que não tenho todos os factos, e todos os que tenho, para um lado ou para o outro, são parciais.
No entanto, a Hopes & Dreams apresenta, a propósito do já celebérrimo "caso da criança de Torres Novas", um interessante ponto de vista, que merece reflexão e que subscrevo completamente: até que ponto é legítimo da nossa parte acusar uma ou a outra parte? Até que ponto é legítimo tomarmos partido por uma ou a outra parte?
Porque não existe preto nem branco neste caso, como não existe em tudo o que mexe com as personalidades e os actos dos homens - há apenas uma infinita escala de cinzentos.
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

Captura de golfinhos no Japão: golfinho também é peixe?

Recebi hoje no meu e-mail este video - sigam o link e depois voltem para ler o resto do post... Advirto previamente as mentes mais impressionáveis de que contém imagens potencialmente chocantes.
O meu objectivo, ao divulgá-lo aqui, não é simplesmente o "choque fácil", como provavelmente era a ideia de quem me enviou o video, mas antes, e despertado por uma resposta que me enviaram em reacção ao video, suscitar alguma reflexão sobre os limites, e os critérios, que nós enquanto seres humanos colocamos na defesa dos animais (aqueles que o fazem...)
Como me disseram então, apesar de muito mais inteligente que os demais, golfinho também é peixe... (sim, eu sei que é um mamífero, mas acho que deu para perceber o que quis dizer) O que acharão os indianos de nós, bárbaros comedores de vacas? O homem é um animal de uma brutalidade tão extrema quanto a sua sensibilidade e consciência, é pena é que estes estejam mal distribuídos.
Há vezes em que me pergunto se não será hipócrita termos mais pena do massacre de animais esteticiazados (fofinhos/belos) como as focas, os golfinhos, as baleias, os ursos polares, as raposas, as martas e os coelhos. Já viram vídeos da matança do porco? E de vitelos e coelhos a serem mortos? Qual é a diferença? Porque nos causam essas imagens menos repulsa? Por que motivo nos indignamos menos, ou nada, com elas?
Esta foi a resposta que recebi. Quanto a mim, sim, já pensei na subjectividade e aleatoriedade da nossa indignação: os golfinhos, as focas, são tão fofinhos coitadinhos, mas o tamboril, o bacalhau (sim, o nosso "fiel amigo"...), o atum, estão em extinção - o atum daqui a um ano ou dois (sim, leram bem) pode já ter desaparecido...
E tantos outros animais, bonitos ou feios, alguns engraçados, outros asquerosos que também vão desaparecendo, mortos voluntária ou involuntariamente... e nós não nos preocupamos... É engraçada a mente humana, não é? Talvez ela seja apenas hipócrita... mas ao mesmo tempo dou comigo a pensar que mais vale lutar para salvar alguns do que nenhuns, e que talvez seja tão aleatório escolher os que são fofinhos do que outro critério qualquer.
Também me choca a matança indiscriminada de bacalhaus, por exemplo, ou de sardinhas (já é proibido pescar sardinhas que não sejam adultas, de tão mal que está o "stock" desta espécie) por exemplo...  e já agora que dizer dos estúpidos insectos, dos milhares e milhares de espécies destes bichos pestilentos que se extinguem mesmo antes de as conhecermos?
Quanto à matança do porco, para dar o exemplo "doméstico": é bárbaro, claro, mas considero que o porco ao menos foi criado de propósito para ser comido. Se não fosse isso, o porco como espécie nem sequer existia (nem a vaca, a ovelha, a galinha...).
Concluindo então, toda a pesca e caça em grande quantidade, toda a matança de animais para consumo humano, devem ser entendidas como 'massacres'? Depende do animal ou do ponto de vista? Pensem nisto...

PS - a propósito, foi iniciada recentemente uma campanha para salvar os 10 animais mais estranhos do planeta (no sentido em que são mais diferentes de todos os outros, logo representam mais bio-diversidade; eis um bom critério), com o objectivo de chegar ao "top 100"; é o projecto Edge (sigla de "Evolutionary, Distinct and Globally Endangered"), que aproveito para divulgar
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Plano de negócios da EDP: os trabalhadores como nota de rodapé da História

O Público de hoje traz uma notícia de página inteira sobre o "plano de negócios" até 2010 de uma das maiores empresas portuguesas, a EDP. Os principais tópicos focados são:

  • aumento dos dividendos e não aumento da despesa
  • prioridade para investimentos em energias renováveis e geração, distribuição e, internacionalmente, no Brasil
  • redução da despesa em relação aos fundos gerados
  • parceria com a Sonatrach (empresa argelina de gás natural)
  • aumento da produção de energia
  • investimento na capacidade de geração energética
  • aumento de 50% na facturação de energias renováveis
  • aumento de 10% no gás
  • triplicação da capacidade instalada no Brasil
  • na distribuição de electricidade em Portugal e Espanha, bem como no Brasil, redução dos custos com pessoal e fornecimentos externos

Notam alguma coisa estranha? Sim, refiro-me ao último tópico... Numa notícia de página inteira, a redução de pessoal não merece mais que uma mera referência, submergida por inúmeros anúncios de investimento e crescimento...
A confirmar o mesmo tipo de tratamento que o facto - que eu considero grave pelo facto em si e pelos números envolvidos, já que é uma grande empresa - mereceu da generalidade dos media, uma caixa lateral à mesma notícia refere, numa minúscula linha, que a EDP vai contratar 1200 novos trabalhadores... mas pelo meio vai efectuar uma redução líquida de 1100 trabalhadores!...
Se refiro esta notícia é porque ela é sintomática da atenção relativa que hoje em dia se dá, em Portugal - mas não só - aos vários agentes económicos: para o factor capital, e para os capitalistas, uma página inteira; para o factor trabalho, e para os trabalhadores, uma nota de rodapé. Sic transit gloria mundi.
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Eleições presidenciais nos Estados Unidos e em França: os meus cavalos de corrida

Com maior - caso dos Estados Unidos, onde a corrida presidencial é uma verdadeira maratona - ou menor antecipação - caso de França, vão-se preparando junto aos blocos de partida as figuras presidenciáveis. Esta é uma altura em que começo a ler com alguma atenção os perfis dessas figuras e a formar a minha opinião sobre quem gostaria que ganhasse - os meus "cavalos de corrida", em suma.
Esta leitura é particularmente importante em França, onde um (ou uma!) novo presidente está à curta distância de três meses. Este é também, das duas corridas em causa, a que me faz arrancar mais cabelos. Na corrida ao Eliseu, já há dois e apenas dois candidatos mais que assumidos.
Os dois são a meu ver péssimas figuras, movidos unicamente pela sua ambição de vir a ocupar a actual cadeira do igualmente péssimo Chirac, e se tivesse de escolher um dos dois teria sérios incentivos a juntar-me ao grupo do armadilhador Pedro Silva e a não votar... a fazê-lo, seria provavelmente um voto em branco; mas se tivesse mesmo de escolher um dos dois, com o coração pesado e enegrecido pela decisão, ela seria a favor de Mme. Ségolène "pudim" Royal... por um motivo simples: entre um péssimo candidato de esquerda e um péssimo candidato de direita, preferiria sempre o primeiro.
Neste caso, entre uma péssima candidata-maquiavel de pacotilha que só afirma ser de esquerda porque precisa do voto desta, e um péssimo candidato, Nicolas "Terminator" Sarkozy, que diz que é de direita mas que se comporta - e é de facto - como sendo de ultra-direito, colado ao odioso Le Pen, entre estes dois, seria o exílio... senão, o centro-direita é apesar de tudo um mal menor em relação à quase extrema-direita...
Mudando de caso e de continente, o caso americano é inteiramente diferente, sobretudo pela distância de quase dois anos que nos separa das eleições presidenciais, já com data marcada (ocorrem sempre na primeira terça-feira de Novembro, o que tem a curiosa coincidência de por vezes as fazer coincidir com o meu aniversário, coincidência que já me rendeu, em 2000, o mais odioso dos presentes...) para 4 de Novembro de 2008. Neste caso reservo-me o direito de mudar de "cavalo de corrida", até pela evolução que as posições dos vários candidatos, movidos pela sua ambição, vão sofrendo...
Para já, e como parafraseando um qualquer western, para mim o único republicano bom é o republicano morto (o mesmo se aplicando aos candidatos presidenciais), a minha aposta no campo democrata vai para Barack Obama, pelo "sangue novo" que representaria na políttica da Casa Branca - é senador há apenas dois anos, mas já empolga multidões sempre que discursa - pelas posições razoavelmente genuínas de democrata e pela pedrada no charco de ver um representante de uma minoria étnica governar um dois países desenvolvidos mais desiguais...
Claro que Hillary Clinton também beneficia desse efeito "pedrada no charco", mas contra ela move-me o que me parece excessivo calculismo político, o que para mim é prenúncio de ambição (demasiado) desmesurada...
Ficam então as minhas escolhas: Barack Obama para Mr. President e o exílio... perdão, Mme. "Pudim Royal" (que todos os deuses nos acudam!...) para Mme. Président.
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Cartoon da semana

Aborte-se o Pai Natal então!



(Infoalternativa Cartoon)
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Manifesto pró-voto - a propósito do post da semana

Ontem o inconformista Pedro Silva publicou um post onde, a propósito de opiniões sobre o actual estado da nossa democracia deixadas num anterior post sobre o mesmo assunto, explica as razões da sua descrença na mesma e porque não vota há mais de 10 anos. Um dos comentários tenta explicar ao Pedro a importância de votar, com o qual eu estou totalmente de acordo - tão de acordo que me motivou para escrever este post: o meu pessoal manifesto a favor do voto.
Apesar de nunca ter sabido o que é não poder votar (livremente entenda-se), pois nem "filho de Abril" chego quase a ser (nasci em 1979), desde mesmo antes de ter 18 anos que penso, veementemente, que votar é não só um direito, mas acima de tudo um dever. É uma posição extremamente forte mas inteiramente pessoal que não visa ofender ninguém, mas para mim quem não vota não tem o direito de criticar a política do país - o governo, a oposição, tudo, incluindo a própria democracia.
Se é perfeitamente legítimo o extremo desencanto em relação ao actual estado de coisas neste nosso rectângulo, tão extremo que repudia qualquer partido, tal repúdio pode e deve ser expresso nas eleições. É para isso que serve o voto em branco, obviamente - ou em alternativa o voto nulo, para quem tem - como foi dito em comentário ao referido post - medo que alguém faça uma cruz por eles...
A abstenção não é para mim nestes moldes aceitável. Se o facto de esta atingir 50 ou 60%, como já vem acontecendo recentemente, não faz soar na nossa classe política as campainhas de alarme que devia, mesmo concordando com muito do que o Pedro diz considero que se a parte desses 50 a 60% que não vota pelos mesmos motivos que o ele se desse ao trabalho de se deslocar até à urna e votasse branco ou nulo, tenho a certeza que transmitiriam uma mensagem muito mais forte, que não poderia pois ser ignorada.
Por isso, amigos, camaradas, palhaços, inconformistas... Votem!!
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Programa Indiegente da Antena 3 - um pouco mais de "mágica poção" no Altermundo

O link para a emissão online na Antena 3 já estava disponível como "mágica poção" na barra à direita. Agora, aproveitando que o site mudou de sítio, descobri emissões gravadas do Indigente, o meu programa preferido daquela estação - de segunda a sexta, das 23h às 0h; agora, também disponívels algumas emissões gravadas.
Puro deleite...
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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007

Julgamento da Maia: "circo de horrores" do aborto faz cinco anos

Em jeito de efeméride, aqui fica a transcrição de dois testemunhos da altura, feita no destaque dado pelo Público de hoje.
Para nos lembrarmos por que é urgente votar a 11 de Fevereiro, e votar SIM!!


"E.F., agora com 34 anos, estava grávida de quatro semanas
Há-de "amenizar" a dor "um dia", mas "jamais" esquecerá o julgamento da Maia. "Foi um julgamento conhecido em todo o mundo" e ela estava lá, a responder pelo crime de aborto. "É das piores coisas que podem acontecer... Foi a maior humilhação... Ainda hoje me custa falar... Tentei mesmo... aquela estupidez que se faz quando não se consegue ver mais nada..."
O seu nome constava na agenda da parteira. A polícia chamou-a para a interrogar. E ela descoseu-se. Ao receber a notificação para comparecer no tribunal, "nem queria acreditar". "Fiquei burra para a minha vida!"
O advogado oficioso, com quem nunca chegou a trocar duas frases, não apareceu no julgamento. Um causídico, ali presente, ofereceu-se para tomar conta do seu caso (e do de outras que, como ela, não tinham quem as representasse). Aconselhou-a a guardar silêncio. "Esse silêncio matou-me um bocado. Queria falar. Só pensava: "Já não basta o que aconteceu?""
Não diz aborto nem interrupção voluntaria da gravidez (IVG). Protege-se com termos pretensamente neutros, como "aquilo" ou "isso". Ia fazer 30 anos, tinha três filhos, um emprego "incerto". O companheiro aguentava "dois trabalhos e perdeu um". "Não tinha escolha".
Quando, "meio anestesiada", saiu da casa da enfermeira, "só queria esquecer". Mas roía-se o sentimento de culpa e a culpa agudizou-se com o julgamento. "Sentia-me tão pequena e não cabia em lado nenhum. Os juízes, ali sentados, a acusarem todas por igual. Puseram-nos todas juntas, como se fôssemos animais, para dizer: "Fizeram um pecado". Não nos conheciam de lado algum e julgaram-nos por uma coisa tão séria, tão íntima. Porque fazem isto às mulheres?"
Depressa se concentrou, à porta do improvisado tribunal, um grupo do Direito de Optar - Plataforma pela Despenalização do Aborto, empunhando cartazes com os dizeres "Aborto: O crime está na lei". Houve um inicial erro de interpretação, talvez pela fraca literacia de umas tantas. "Algumas achavam que elas queriam dizer que nós tínhamos cometido um crime", lembra. "Duas até lhes fizeram frente, armaram zaragata". Depois, "entenderam". "Acho bem que tenham estado ali. Tinham voz, diziam o que nós não podíamos dizer, o que era de direito".
Passaram cinco anos, o julgamento ainda a assombra. "Há um clique que, de vez em quando, dispara. Há aquela mágoa. Quando me lembro daquelas pessoas a olharem para nós, a apontarem o dedo. Às vezes, apetecia-me dizer: "Tenho crianças em casa!" Outras vezes: "Fi-lo! E agora? Vão-me prender?" Mas, se abrisse a boca, ia mesmo presa e o que ia ser dos meus filhos?".
Não repudia a enfermeira - "Ela ajudava as pessoas que a procuravam. Enriqueceu? O nosso Estado obriga a isso. Isso não acontecia se o Estado legalizasse [a IVG]". E "se o Estado apoiasse" a maternidade, E.F. não teria abortado. O seu sentido maternal é denso - "Acho que tive mais três filhos para compensar. Se não os tivesse, acho que não conseguia suportar isto." Só ao engravidar do sexto, agora com 15 meses, laqueou as trompas.

"D.R., agora com 23 anos, estava grávida de dez semanas
Encarou o julgamento como "uma invasão da privacidade". Não acredita que antes das dez semanas haja vida humana - "Se há mazela, é em nós. Tinha vergonha de estar ali a ser acusada de um crime que para mim não existe". E aquilo acabou por ser menos pesado do que supunha no início, "graças" a quem se mobilizou para a porta do tribunal para as "apoiar", para lhes dar "força".
Ultrapassado o mal-entendido do princípio, "sentimos um apoio enorme de todo o mundo", lembra. Ainda guarda "um livro com assinaturas de pessoas de todo o mundo". Noam Chomsky e Pierre Bourdieu estão entre os 1104 subscritores dessa declaração de solidariedade. E outro com "versos, poemas, frases, testemunhos".
O interrogatório policial não a "assustou muito". "Ainda não sabia o que vinha a seguir". Tinham fotos suas a entrar em casa da enfermeira, o seu nome figurava na agenda da grande protagonista do megaprocesso, e havia uma carta de agradecimento assinada por si. "Eles falavam e eu dizia: "sim", "não". Só no fim me disseram que eu tinha sido constituída arguida".
Em frente ao seu nome não constava qualquer referência a dinheiro. A enfermeira comoveu-se. Como acontecia com outras mulheres que, tal como ela, ali entraram pela mão de um assistente social e que ali pagavam menos do tabelado ou nada (ver texto ao lado). Morava numa roulotte com a mãe e quatro irmãos (um com paralisia cerebral e outro com insuficiência renal). A mãe estava desempregada, ela também. A família sobrevivia a custo com o Rendimento Mínimo Garantido. "Não tinha dinheiro para abortar, quanto mais para criar um filho sozinha...". A sua estrutura emocional também não a encorajava - "Estava triste. E desde miúda que tenho depressões".
Como engravidara? "Quando uma pessoa de 16 anos se apaixona, pensa que é amor para toda a vida". O namorado tinha 15 anos e perdera o pai havia pouco, queria "muito ter um filho". E ela, embalada pela sua "ilusão", decidira fazer-lhe a vontade. Ao sabê-la grávida, o rapaz anunciou-lhe que não iria "acompanhar o crescimento do filho", porque, afinal, "não estava preparado". "Cresci sem pai e sei quanto isso custa, decidi interromper a gravidez". Se fosse hoje, "faria o mesmo". Magoou-a mais o fim da relação amorosa do que o abortamento. Refez a vida com outro rapaz com quem tem já dois filhos. "Correu bem.... Já não basta a minha vida ser um down!?"
No julgamento, a rapariga tinha vontade de falar - "Não para me defender, para defender a parteira, para dizer: "Isto é ridículo! Tudo bem que há coisas para evitar [uma gravidez indesejada], mas pode acontecer a qualquer uma!" Não o fez, seguindo a orientação da advogada oficiosa que a representou. "Sabia que falar me prejudicava e a prejudicava...". "
A.C.P.
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um discurso de Abraracourcix às 14:08
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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

Imagem verde do Governo!? Qual imagem?

Destaque do Público de hoje:

"Excepções ambientais mancham imagem "verde" do Governo"

"Em matéria de ambiente, o Governo de José Sócrates começou com mão firme. Duas semanas depois da posse, em Março de 2005, os ministros do Ambiente, da Agricultura e da Economia revogaram um despacho do Executivo anterior, que reconhecia a imprescindível utilidade pública do empreendimento turístico Portucale, em Benavente, que precisava daquela declaração para derrubar sobreiros.
Um ano depois, o Executivo estava a fazer praticamente o mesmo que o anterior: a publicar declarações de interesse público de projectos turísticos privados, de modo a remover obstáculos legais de ordem ambiental."

Imagem verde!? Mas qual imagem??
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Cartoon da semana

Em dose tripla desta vez, um alusivo ao esta semana incontornável plano de Bush e dois para relacionar com o meu post alusivo ao post da semana, todos retirados de Cagle cartoons.







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um discurso de Abraracourcix às 14:49
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Neste blog é permitido fumar





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O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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