Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Guernica: o dia mais negro do século XX foi há 70 anos



Gernika, 26 de Abril de 1937:  "às quatro e meia da tarde (...) a silhueta solitária de um avião de combate alemão surge sobre os céus".
A citação é do artigo do DN de hoje, aludindo à negra efeméride. Novamente o DN, explicando a especial importância deste dia: "o principal legado do tipo de bombardeamento maciço que o ataque a Guernica prefigura será, mais tarde, a sua generalização durante a II Guerra Mundial, com devastadora eficiência, sobre alvos europeus e alemães, de que a acção anglo-americana sobre Dresden, em Fevereiro de 1945, é o exemplo máximo."

Para mim, e simbolicamente, foi o mais negro dia do séc. XX, símbolo de tudo o que o motivou, de tudo o que causou, na Guerra Civil Espanhola como na II Guerra Mundial, símbolo de todos os indizíveis horrores que se seguiram. O mural de Picasso é, por isso, desde sempre, o meu quadro preferido.

Para quem queira ler um pouco mais, aqui estão os links para os artigos da wikipedia sobre o bombardeamento em inglês e espanhol, ambos com links para outras leituras.

Aconselho sobretudo o artigo de George Steer para o The Times, o primeiro jornalista a relatar o bombardemento. Excertos mais marcantes:


"BILBAO, April 27 1937


"Guernica, the most ancient town of the Basques and the centre of their cultural tradition, was completely destroyed yesterday afternoon by insurgent air raiders. The bombardment of this open town far behind the lines occupied precisely three hours and a quarter, during which a powerful fleet of aeroplanes consisting of three German types, Junkers and Heinkel bombers and Heinkel fighters, did not cease unloading on the town bombs weighing from 1,000lb. downwards and, it is calculated, more than 3,000 two-pounder aluminium incendiary projectiles. The fighters, meanwhile, plunged low from above the centre of the town to machine- gun those of the civilian population who had taken refuge in. the fields.

The whole of Guernica was soon in flames except the historic Casa de Jontas with its rich archives of the Basque race, where the ancient Basque Parliament used to sit. The famous oak of Guernica, the dried old stump of 600 years and the young new shoots of this century, was also untouched. (...)
At 2 am today when I visited the town the whole of it was a horrible sight, flaming from end to end. The reflection of the flames could be seen in the clouds of smoke above the mountains from 10 miles away. Throughout the night houses were falling until the streets became long heaps of red impenetrable debris."
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

A lição de democracia da França

"Em Portugal cerca de metade dos eleitores não se dá ao trabalho votar para eleger o seu presidente da República. Nas eleições de ontem, em França, participaram 87 por cento dos eleitores. Nos EUA, mesmo em eleições controversas e muito disputadas, a situação é idêntica à portuguesa e à de muitos países industrializados: um em cada dois eleitores não vota. Em França é apenas um em cada sete que não o faz.
Suspeito que pouca gente, em Portugal ou no resto do mundo, dê relevância a este facto. E não se trata de um acaso: já quando foi o referendo sobre a Constituição Europeia, ninguém reparou que uma quantidade apreciável dos franceses não só votara como principalmente tinha lido o maçudo tratado de 300 páginas que era submetido à sua apreciação.
No entanto, quem ler tudo o que se escreve sobre a França - e no nosso país é muito - diria que é a democracia francesa que está em crise, ao passo que no resto do mundo vai de vento em popa. A França de hoje não tem amigos e tornou-se num saco de pancada fácil, previsível, dos comentadores mais preguiçosos. A França deixou de ser uma realidade a conhecer ou a investigar; tornou-se apenas num acumulado de lugares-comuns. Para quem conheça bem a França, - não a de há vinte ou trinta anos mas a actual -, a maioria do que se escreve não passa de lixo impresso. (...)"
(Rui Tavares, no Público de segunda-feira)
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Reflexões sobre as eleições em França (revisto e aumentado)

Desta vez sem qualquer surpresa do calibre do "21 avril" de 2002, o povo francês votou e escolheu Nicolas "robocop" Sarkozy (Sarko para os franceses) e Ségolène "pudim" Royal (Ségo) para a segunda volta, a disputar a 6 de Maio.
O meu primeiro destaque é para a participação eleitoral: votaram perto de 85% dos eleitores. 16% de abstenção, as eleições mais participadas desde 1968 (fim da era De Gaulle). Isto, numas eleições em que muito estava em jogo (fim do consulado Chirac - um anão intelectual quando comparado com De Gaulle, e não só com ele... - memórias da segunda volta de Le Pen há 5 anos, crise de identidade...), não deixa de me surpreender quando comparado com a realidade portuguesa.
Nas últimas legislativas, por exemplo, onde muito também estava em jogo (fuga de dois primeiro-ministros, naufrágio de um terceiro, um país completamente À deriva) e onde os analistas concordaram ter havido um bom nível de participação, a abstenção foi de 35% (recuo de 3 míseros pontos face às legislativas anteriores).
Dei-me ao trabalho de pesquisar o site da Comissão Nacional de Eleições e descobri que em Portugal só houve uma abstenção menor que esses 16% nas eleições para a Constituinte, em 1975. De resto, há 20 anos que a abstenção em todas as eleições nacionais é maior, substancialmente maior a partir de certo ponto e sempre crescente até ao princípio da presente década.
Lembro-me por isso de um debate relativamente recente com alguns gauleses irredutíveis que de vez em quando passam por esta aldeia, e eu pelas aldeias deles, acerca da relevância do voto e da abstenção militante. O exemplo que dei na altura foi precisamente a realidade francesa, e estes resultados só reforçam a minha ideia da importância de votar e que isso é tanto mais importante quanto mais está em jogo. Os franceses, de resto, concordaram ontem comigo...

Quanto aos resultados propriamente ditos, e como já li algures, a surpresa foi mesmo o facto de não ter havido qualquer surpresa: passaram à segunda volta os favoritos das imensamente descredibilizadas empresas de sondagens.
Sarko (31,2%) e Ségo (25,9%), de resto, obtiveram votações algo superiores ao antecipado, a atestar que houve alguma bipolarização. E digo alguma porque o voto de protesto - o maior medo nestas eleições, o qual em 2002 provocou o terramoto político que foi a passagem de Le Pen à segunda volta - se manteve, mas foi eficazmente canalizado pelo centrista Bayrou, que ao apostar num algo demagógico discurso anti-sistema - sobretudo anti-dicotomia direita/esquerda - obteve uma excelente votação de 18%.
Para além disso, muita da votação anterior de Le Pen foi "canibalizada" pelo discurso "robocop" de Sarkozy. À esquerda, fenómeno simétrico deste aconteceu com a votação da extrema-esquerda e o discurso "floreado" de Ségolène.
A minha leitura é então esta: quem há 5 anos utilizou o voto como arma de protesto e fez não só com que Le Pen fosse o segundo mais votado, mas também com que o voto nos extremos políticos (a FN de Le Pen e os diversos candidatos da extrema-esquerda) atingisse perto de 30%, desta vez preferiu maioritariamente Bayrou; quem votou de novo nestas eleições e contribuiu para a enorme taxa de participação causou a bipolarização entre os dois principais candidatos.
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um discurso de Abraracourcix às 12:47
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

The gun in America - porque existem os massacres em escolas americanas

"I loves my gun... loves my gun"
Medo - a melhor explicação que já vi para o carácter violento tão embrenhado no "American way" e nos próprios americanos. Violência essa que causa, entre muitas outras coisas, massacres como o desta semana na Virginia Tech University, apenas o último acto incompreensível de uma longa série - e infindável, enquanto os americanos não compreenderem que tais actos são causados pela gritante falta de controlo da posse e compra de armas - e pelo medo. Cortesia de Michael Moore:


 

 

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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Religião, a semente da intolerância

"(...) É mais fácil, no entanto, optar pela versão "cornos e cauda". Ver o diabo naqueles que não compreendemos nem queremos compreender e dar-lhes combate. A história está cheia desses exemplos, a começar na velha caricatura do forasteiro que mata o indígena só porque este avançou para abraçá-lo. Outra história, ainda com o humor de [Amos] Oz: inquirido sobre qual a fé verdadeira (judaica, católica, protestante, muçulmana), Deus responde: "Para te dizer a verdade, meu filho, não sou religioso, nunca fui, nem sequer estou interessado na religião". Os humanos, pelo contrário, até matam por ela."

(excerto do artigo de opinião de Nuno Pacheco, no Público de ontem, a propósito da oferta, com a edição de hoje do jornal, de um livro de Amos Oz com três textos de opinião sobre o conflito israelo-palestiniano)
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um discurso de Abraracourcix às 10:45
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O Verdadeiro Melhor Português de Sempre é...

Encerrei hoje a votação para o Melhor Gaulês de Sempre. A participação foi excelente, e é tempo de anunciar os vencedores... Uma vez que houve empate entre várias personalidades, espero que os irredutíveis leitores não se oponham a que exerça o meu voto de qualidade, enquanto chefe desta irredutível aldeia, para escolher o vencedor de entre os empatados.

Assim sendo, o Verdadeiro Melhor Português de Sempre, e o Melhor Gaulês, é...

D. Afonso Henriques!!
(com uma menção muito honrosa para Agostinho da Silva, que ficou empatado com o nosso rei fundador, e outra menção um pouco menos honrosa para Eusébio, que também ficou empatado)
Quanto aos prémios para cada área (Política, Sociedade, Cultura, Ciência, Desporto):

O Melhor Gaulês na área da Política é... D. João II

O Melhor Gaulês na área da Sociedade é... Pêro da Covilhã

O Melhor Gaulês na área da Cultura é... Fernando Pessoa

O Melhor Gaulês na área da Ciência é... Egas Moniz

O Melhor Gaulês na área do Desporto é... Eusébio
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

O trágico destino do Mar de Aral

Nos últimos 40 anos, o Mar de Aral, antes o quarto maior lago do mundo - a este do Mar Cáspio, ali como quem vai para o Cazaquistão ou o Uzbequistão - reduziu-se de forma drástica. As imagens disponíveis são chocantes:



O Mar de Aral costumava ser irrigado por dois rios, o maior dos quais foi canalizado na sua quase totalidade para os projectos soviéticos de aumento da produção de algodão nas repúblicas da URSS daquela região. Sem o fluxo de água daí proveniente, o equilíbrio entre a entrada de água no lago e as perdas por evaporação - enormes numa região árida - rompeu-se, e as margens foram recuando, recuando... até o desastre ecológico se tornar irreversível - redução para um terço da biodiversidade, aumento da mortalidade infantil nas antigas margens do Aral para 100 em 1000, ambos causados pela intensa salinidade dos solos e poeiras transportadas pelo ar, que impede o desenvolvimento da vida animal e vegetal e causa sérios problemas de saúde, para dar os exemplos mais flagrantes.
Irreversível, dizia, ou quase: uma barragem de 13 km, terminada recentemente, pretende estancar a água que flui da "lagoa" Norte do Aral - a zona que ainda tem alguma hipótese de recuperação - para o Sul, dado como irrecuperável (a zona tornar-se-á, a que ainda não o é, num imenso deserto de sal). Já são visíveis, de resto, alguns sinais de recuperação neste Mar de Aral do Norte.
A tragédia que acabei resumidamente de contar fica, de resto, como um dos mais catastróficos efeitos da acção do Homem sobre o ambiente, e dos perigos decorrentes de essa acção ser levada a cabo contra o ambiente, e não tomando em conta os referidos efeitos. Nestes tempos de conturbadas alterações climáticas, serve de sinal de aviso.
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Sábado, 14 de Abril de 2007

A semana em cartoons: o Iraque, sempre o Iraque...

John Darkow, Columbia Daily Tribune




Bob Englehart, The Hartford Courant
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Le Nozze di Figaro: uma nova gaulesa aldeia

Surge um novo cantinho deste já cantinho irredutível da blogosfera lusa: sob o sugestivo nome de Bianca Castafiore (espero que os posts não sejam estridentes ao ponto de partirem os monitores dos PCs dos leitores!), em Le Nozze di Figaro começou-se com ópera mas passa-se já a outros assuntos, interessante leitura que espero que continue. Aqui fica então a gratuita publicidade,em jeito de encorajamento, e a entrada directa na barra direita do Altermundo.
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Regresso lutuoso

Depois de um lutuoso interregno causado por imprevistos - mas infelizmente demasiado previstos - acontecimentos, o Altermundo volta ao mundo dos vivos... 
(e desde já as minhas desculpas pelo atraso na resposta aos comentários)
Ainda a inteirar-me das implicações das notícias desta semana, não vou falar da licenciatura do sr. Sócrates (não seria tudo mais simples se os notáveis portugueses fossem tratados apenas por "sr.", como tão impecavelmente fazem os britânicos?), cujos fraternos laços com a nefasta Universidade Independente permanecem por desvendar por mais esclarecimentos que (não) se façam. Também não falarei das eleições timorenses, a aguardar mais definitivos resultados, nem das novas diatribes iranianas, apenas o culminar da política externa de Teerão ou da  al-qaedização do terrorismo na Argélia.
Por ora, quero apenas frisar que a eleição do Verdadeiro Melhor Português de Sempre, que deveria já ter terminado, se prolongará para mais alguns dias. Isto dará, espero, tempo para que os votantes corrijam os resultados actuais e que põem Eusébio em primeiro lugar, e deste modo para que eu possa respeitar inteiramente a atmosfera democrática desta gaulesa aldeia...
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um discurso de Abraracourcix às 00:36
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

Gato Fedorento combatem PNR com as mesmas armas

Pelo menos enquanto não transpuserem a ténue linha que os separa do apelo à violência (e o PNR tem sido extremamente cauteloso em nunca o fazer, caminhando sempre sobre o fio da navalha dessa mesma ténue linha), é precisamente com as mesmas armas que devemos combater este tipo de ideiais. A ideias de intolerância, contrapõem-se ideias de tolerância, desmontando a demagogia e as contradições das primeiras.. A cartazes apologéticos destas, contrapõem-se cartazes desconstruindo-as.
Foi precisamente o que decidiram fazer os Gato Fedorento, ao colocarem um cartaz (pago do seu próprio bolso) mesmo ao lado do cartaz "parvo" do PNR. Aqui fica ele, e peço desculpa pela imagem, mas a única que consegui encontrar foi do Público, onde de resto tem honras de primeira página.




Cada vez mais apetece cair de joelhos e tecer-lhes prolongadas loas, tamanha é a pedrada no charco que representam no tendencialmente amorfo Portugal...
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Comércio justo - por um consumo responsável, por um mundo melhor

Ontem tive o meu primeiro contacto directo com uma loja de comércio justo, algo que há muito procurava - infelizmente só agora descobri a localização das lojas (já há duas) no Porto.
Imbuído desde logo do espírito de justiça social e económica do conceito, coloquei já na barra direita dois links para associações que promovem o comércio justo em Lisboa e Porto, a Cores do Globo e a Reviravolta.
Para quem não esteja familiarizado, o comércio justo é definido como «uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado.

O Comércio Justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. A sua missão é a de promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização».

Alguns dos seus princípios fundamentais são (retirado da wikipedia):

  • A preocupação e o respeito pelas pessoas e pelo ambiente, colocando as pessoas acima do lucro;
  • A criação de meios e oportunidades para os produtores melhorarem as suas condições de vida e de trabalho, incluindo o pagamento de um preço justo (um preço que cubra os custos de um rendimento aceitável, da protecção ambiental e da segurança económica);
  • Abertura e transparência quanto à estrutura das organizações e todos os aspectos da sua actividade, e informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os seus produtos e métodos de comercialização;
  • Envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam;
  • A protecção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, das crianças e dos povos indígenas;
  • A consciencialização para a situação das mulheres e dos homens enquanto produtores e comerciantes, e a promoção da igualdade de oportunidades;
  • A promoção da sustentabilidade através do estabelecimento de relações comerciais estáveis de longo prazo;
  • A educação e a participação em campanhas de sensibilização;
  • A produção tão completa quanto possível dos produtos comercializados no país de origem.
Como pessoa atenta aos mecanismos económicos (pela minha formação) e como chefe de aldeia altermundialista (cujo lema é precisamente o mesmo do comércio justo, "por um mundo melhor"), não podia deixar de divulgar este interessantíssimo - mais do que simples ideia - princípio norteador de um consumo responsável, ideias simples que todos podemos e devemos seguir, lojas também elas simples mas merecedoras pelo menos de uma visita.
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Extra extra: no Iraque prendem-se pessoas unicamente para o seu bem-estar! 'Tá bem abelha...

A minha actividade na Amnistia Internacional - que se reduz basicamente a escrever apelos urgentes para a libertação de prisioneiros, pedidos de informações sobre detidos sem acusação, etc. - levou-me, recentemente, a escrever ao embaixador do Iraque em Lisboa, do qual recebi ontem uma interessante carta, da qual vou reproduzir excertos.
Para contextualizar, o apelo dizia respeito a dezenas de mulheres e crianças que foram detidas perto de Najaf, sem a formulação de qualquer acusação, na sequência da luta contra um grupo sunita que preparava atentados contra os peregrinos da Ashura, a grande celebração xiita, em Najaf.

"Let me reassure you as well as Amnesty International, to which you are affiliated, that the new Iraq, following the referendum on and endorsement of the new permanent Constitution, has placed particular emphasis and priority to the respect of human rights."
Pois, mas intenções apenas não chegam...

"However, terrorists and killers, are randomly killing innocent civilian population and wreaking havoc upon the infrastructure and economy of Iraq.
The government security forces are continuously encountering these terrorists in order to stem their subversive and criminal activities."
Esta passagem tresanda ao jargão que Bush constantemente utiliza face aos media... Onde será que o sr. Embaixador se inspirou?

"The so-called members of Jund al-Sama [o grupo em questão] were no exception, as they were about to perpetrate a massacre against civilian pilgrims performing their prayers in the sacred shrines of the holy city of Najaf. As a cover they used women and children as human shields and kept them as prisoners to execute their vile operation."
Isto é provavelmente verdade... mas a linguagem utilizada leva a crer que as forças de segurança, tal como o próprio embaixador, não serão exactamente neutros nesta questão, como todas no Iraque, sectária...

"The government forces managed to abort their attempt (...) and consequently liberated the women and children. (...) They were merely kept safely and comfortably and received every aid possible..."
'Tá bem abelha... Aqui é que não engana mesmo ninguém... O comunicado da Amnistia Internacional referia que as mulheres e crianças em causa estavam detidas em regime incomunicado (ou seja, sem que se soubesse o local da detenção, sem formulação de acusação, sem acesso a aconselhamento legal nem ajuda médica). Mesmo que as autoridades tenham acreditado que eram apenas escudos humanos, este tipo de procedimentos é totalmente contrário ao que é mais básico nos Direitos Humanos, e não é crível que se limitassem a zelar pela sua segurança, nem que não as tenham interrogado com métodos mais ou menos persuasivos...

"We are confident that any other information you may have received contrary to the afore-mentioned are either non-reliable or inaccurately reported by parties who lack neutrality and transparency to established facts..."
A Amnistia Internacional é reputada pela credibilidade das informações que obtém, a verificação das quais faz sempre parte das suas prioridades. Como tal, entre a Amnistia e um embaixador que representa um governo-fantoche e parcial, como tentei desmontar acima, não é difícil escolher em quem acreditar...
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Neste blog é permitido fumar





Be an Ocean Defender

Os melhores javalis


O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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