Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

China, a superpotência do séc. XXI

"A China anunciou ontem o envio de mil soldados para a força de manutenção de paz das Nações Unidas no Sul do Líbano. O contingente é o maior proposto por Pequim desde a sua primeira participação numa missão da organização, em 1989, na Namíbia, e mostra que a China quer ter um papel no Médio Oriente e apresentar-se como uma potência que contribui para a paz mundial. (...)
A China tem vindo a aumentar ofertas para participação em missões de paz. Em 2003 enviou 550 soldados para a Libéria e outros 175 para a República Democrática do Congo, lembra a BBC on-line. Também contribuiu para outras missões, do Haiti à Bósnia, passando por Timor. (...)
O correspondente da estação de televisão britânica em Pequim, Dan Griffiths , nota que a China quer melhorar as suas relações com os países ricos em petróleo, de que necessita para alimentar a sua economia em crescimento acentuado. O Líbano não tem petróleo, mas uma participação chinesa forte no país dá o sinal de que Pequim quer ter um papel na região.
Para além disso, continua Griffiths , a oferta assinala o desejo da China em começar a desempenhar um papel na arena diplomática. É ainda um modo de contrabalançar as suspeições suscitadas pelo seu desenvolvimento económico. "A China quer passar uma mensagem para o resto do mundo de que não é uma ameaça para outros países", diz o jornalista da BBC.
Na conferência de imprensa conjunta, Romano Prodi comentou o anúncio de Wen Jiabao : "Mostra que a China está a assumir cada vez mais responsabilidade internacional". Assim, "a Itália inclina-se para o levantamento do embargo de vendas de armas", mantido pela UE há 17 anos."

Cito esta notícia do Público de ontem para salientar alguns pontos que me parecem importantes. Em primeiro lugar, e como também percebeu o A. Teixeira @ Herdeiro de Aécio, trata-se de uma viragem fundamental na política diplomática chinesa. A China quer com esta participação atingir alguns pontos que vê como vitais para a sua afirmação como superpotência. Em primeiro lugar, como é dito na notícia, ganhar destaque na arena diplomática como problem-solver . Em segundo lugar, reforçar os canais de abastecimento do petróleo (já de si fortes, como se vê na sua posição em relação ao Darfur e ao Sudão e, sobretudo, em relação ao Irão), de que precisa cada vez mais sequiosamente. Em terceiro lugar, e de forma não despicienda , a China quer aquilo que pelo menos Prodi já lhe vai dar - armas.
Preparem-se pois incautos, the Chinese are coming !... Só resta saber se será melhor, pior ou complementar à superpotência americana...
:
Abraracourcix o chefe falou sobre: ,
um discurso de Abraracourcix às 11:54
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
4 comentários:
De A.Teixeira a 20 de Setembro de 2006 às 23:43
A atitude actual da diplomacia chinesa nos cenários internacionais faz lembrar-nos a daquela colega tímida que só descobrimos que era muito boa quanto teve 18 no teste.

Continuando a metáfora, este episódio do envio dos 1000 homens para o Líbano é como um daqueles episódios em ela responde acertadamente numa aula a uma pergunta difícil e põe o resto da turma a olhar para ela, corando indecentemente…

Mas, na mesma onda, não nos esqueçamos daquilo que os dirigentes chineses considerarão a aprovação final na cadeira com uma nota excelente: a anexação pacífica da Formosa…
De Abraracourcix a 21 de Setembro de 2006 às 09:46
Uma metáfora muito bem criada, amigo A. Teixeira! É mesmo isso... Só não tenho a certeza se, tendo em atenção um ponto que eu acho muito importante nos objectivos de curto prazo da aluna boa - o fim do embargo à venda de armamento - se ela não conseguir o Excelente não se contentará com um Muito Bom: a anexação de Taiwan (prefiro chamar-lhe assim), mas por meios não pacíficos...
De A.Teixeira a 21 de Setembro de 2006 às 15:41
Na minha opinião, tanto para a China como para o Mick Jagger e os Stones "Time is on my side ...", por isso só em condições muito excepcionais encarará a invasão militar da Formosa.

Julgo que há um punhado de razões (tanto políticas como militares) para que essa invasão actualmente e a prazo previsível seja improvável mas, por muito saboroso que esteja este debate, permita-me o egoísmo de guardar para um post no meu blogue essas razões...
De Abraracourcix a 21 de Setembro de 2006 às 17:16
Também penso que tal invasão seja altamente improvável, por motivos mais ou menos conhecidos de quem percebe um mínimo de geopolítica, mas fico a aguardar as tuas razões e o teu post ciosamente guardado ;)
Pelos mesmos motivos, não penso que "time is on my side" para os chineses, pelo menos não num horizonte de tempo que consiga antever. Mas a "paciência de chinês" é célebre por algum motivo, e talvez eles consigam esperar mais do que nós conseguimos antever... Mas duvido.

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