Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006

Alpheratz

A solidão… À medida que, nas suas costas, sentiam os companheiros afastar-se, Romeo, Tamara, Vince e André sentiam-se, apesar de estarem juntos, cada vez mais sós, como se a presença dos outros não contasse, como se estivessem totalmente sós face ao vento, face ao desconhecido… como se os fantasmas que debalde se tentavam impedir de imaginar os tivessem isolado, cada um na sua redoma, sem comunicação possível com os companheiros ali mesmo ao lado, à distância de um estender de mão…
Instintivamente, os quatro abraçaram-se, lado a lado olhando para os edifícios que tinham a seu cargo examinar. Caminharam assim, lado a lado e sempre abraçados, em direcção à fachada mais próxima. Apesar de todos os prédios serem aparentemente idênticos, construídos no mesmo material, na mesma cor ocre, aquele que tinham à sua frente destacava-se de alguma forma, sem que nenhum deles percebesse porquê. Seria talvez um efeito causado pela enorme porta de madeira, que fazia com que o edifício, apesar da fachada  que partilhava com todos os outros, parecesse mais antigo que os que o rodeavam. Para além de ser a maior, aquela era a única porta que ainda se encontrava no sítio: a toda a largura da rua, de ambos os lados, apenas restavam os contornos, os orifícios rasgados na pedra do que haviam sido as entradas dos prédios, como se tivessem sido inteiramente feitas de vidro que se tinha partido – ou que tinha por alguém sido partido…
Os quatro aproximaram-se da porta, suficientemente larga para que por ela passassem assim, lado a lado.
Está fechada. Vince, segurando a grande maçaneta metálica, rodava-a em vão, abanando a porta como se fosse essa a chave para a abrir.
Não vale a pena insistires. Tamara, apartando-se do abraço de grupo, caminhara até uma janela, do lado esquerdo da porta – ou antes, até ao espaço do que fora uma janela, pois tal como em todo o resto da rua nada restava senão um quadrado escavado na pedra, suficientemente grande para através dele poderem saltar para dentro do edifício.
Foi um simples exercício o que os companheiros então encetaram, um a um com um pequeno salto passando para o interior, pisando a areia que, exactamente da mesma cor que a rubra pedra, se amontoava já do lado de dentro da janela, dando a ilusão de que não era areia, mas sim o produto do próprio acto de escavar a janela – como se quem a tivesse feito não tivesse ainda tido tempo de retirar os detritos… Era uma mera ilusão de óptica, sabiam-no, causada pela monotonia cromática da colónia, onde tudo era da mesma cor ocre, a cada momento lembrando-os – quase diriam propositadamente – que ali nada mais existia senão deserto, mesmo a própria cidade, as construções ali erguidas pelo homem, nada mais sendo senão um pequeno divertimento, insignificantes jogos de crianças na vastidão desértica daquele ermo planeta, uma presença apenas tolerada – ou talvez, pensavam-no agora, o sibilante silêncio do vento que tudo enchia significasse que a presença dos homens deixara de ser tolerada…
Os quatro companheiros quedaram-se imóveis junto à janela, pisando os montículos de areia que invadiam persistentemente o seu calçado, tornando o andar mais difícil, até essa incomodidade fazendo-os ver que não eram ali bem-vindos… Olhavam para a rua, para as nuvens de areia a cada momento levadas pelo vento em todas as direcções. Olhavam a nave já semi-coberta pelas dunas por ele trazidas, os prédios do outro lado da rua e sobre eles o horizonte também ele monocromaticamente vermelho, apenas de um tom um pouco mais carregado que a cidade, olhavam tudo isto tolhidos pelo único pensamento de que tudo naquele planeta era areia, e que os colonos tinham também eles sido transformados em areia…
Lentamente, Tamara forçou-se a desviar o olhar do inóspito cenário que os parecia atrair com o seu sibilante canto de sereia. Seguindo o exemplo, todos os outros começaram também a custo a virar costas à janela, examinando o local em que tinham penetrado. À medida que os seus olhos se forma habituando à escassa luz que ali entrava, começaram a distinguir os contornos do espaço. Era uma sala rectangular, muito larga mas cuja profundidade se percorria em poucos passos. A meio do espaço e cortando quase toda a largura, um balcão parecia ter servido como posto de atendimento para quem ali chegasse, com um enorme pilar de pedra por trás que impedia a vista para o resto da sala.
Isto faz-me lembrar a entrada de um museu… Passando a mão sobre a madeira do balcão, André lembrava-se dos muitos museus que em Paris tinham uma entrada semelhante. Esta porta enorme, as duas janelas pequenas dos lados, este espaço largo mas cortado por esta mesa, com esta parede para impedir que se veja o resto do edifício… Quase que aposto que por trás desta parede há uma porta que dá acesso a galerias de exposição.
Tens razão. Vince acariciava ternamente o ombro do companheiro, enquanto olhava para trás, para a enorme porta que, fechada, tornava aquele espaço excessivamente escuro, soturno.
Para além deste balcão não há nada aqui. Vamos ver o que há por trás deste coluna de pedra? Romeo olhava para Tamara e, pegando-lhe na mão, convidava-a a passarem adiante. Aposto que o André tem razão… talvez descubramos esculturas, obras de arte… qualquer coisa que nos mostre que esta cidade ainda está viva!
Sim… Tamara contornava já o balcão, largando a mão de Romeo, ansiosa por sair daquela sala lúgubre, sabendo que os outros três lhe secundavam cada passo. Mas algo me diz que só vamos ver mais uma sala vazia…
O espaço por trás da coluna era tão vasto como a entrada. A toda a largura, uma enorme alçada – que tinha certamente sido concebida em vidro mas que sem surpresa não o tinha já – deixava entrar toda a luz do entardecer marciano. Do outro lado viam uma espécie de claustro, um pátio quadrado rodeado de arcadas e colunas por todos os lados. Passando sobre o vasto parapeito, os quatro entraram num espaço que, pela sua cor dominantemente branca, parecia estar totalmente à parte de todo o resto do edifício e da cidade, como se, encantado, tivesse a sua vida própria…
Isto é lindo… Tamara, ultrapassando as colunas do lado mais próximo, caminhava para o centro do pátio, verbalizando o primeiro verdadeiro prazer estético que sentia naquele planeta.
Quem idealizou este espaço teve uma ideia brilhante… Romeo, tão maravilhado como a companheira, juntava-se-lhe no centro do pátio, abraçando-a ternamente pela cintura. Só pode ter sido um esteta, alguém amante e conhecedor da arte clássica… Alguém que quis fazer um espaço em memória da Antiga Grécia…
Também acho… André, agarrando a mão de Vince, dirigia-se também para o centro do pátio. Mantenho a minha ideia de que isto devia ser um museu… e acrescento que era um museu de arte clássica!
Mas a que propósito iam construir um museu de arte clássica em Nova Babilónia? Vince, dando o último passo para se juntar aos companheiros, abanava a cabeça, como se algo não fizesse sentido. Eu nem sabia que era possível trazer obras de arte da Terra…
Como disse, Vince, quem concebeu este espaço era um esteta! Romeo tentava convencer o amigo da razoabilidade do argumento. Até podia ser um museu privado, a casa de alguém abastado… e que por isso tenha conseguido subornar os fiscais do entreposto colonial na Terra e trazido a sua colecção para aqui…
Faz algum sentido. Vince, sem o admitir abertamente, fora convencido. Mas o que é certo é que essa colecção, se existiu, foi levada para outro lugar. Isto parece-me tão deserto como tudo o resto que vimos até aqui.
Ao absterem-se de responder, André, Tamara e Romeo admitiam que Vince tinha razão. Mais uma vez, nada tinham encontrado a não ser desolação… Os quatro olhavam cabisbaixos o chão do pátio, as pequenas pedras brancas que, discretas, cumpriam no chão o papel que as colunas e os claustros, também brancos, tinham em seu redor: transmitir uma sensação de paz, de harmonioso silêncio. O olhar dos quatro, assim parados no pátio, ia-se levantando lentamente, percorrendo as fieiras de pequenas pedras desde o centro até junto às colunas, demorando-se depois nas colunas, todos virando lentamente as cabeças, com o olhar caminhando nas brandas galerias laterais, deixando a sua calma invadi-los… Quase se conseguiam ver como monges, placidamente caminhando em volta do claustro, silentes discípulos da harmonia… Continuaram a menear lentamente as cabeças, percorrendo as galerias da frente, depois da direita, depois atrás de si, rumo a uma pequena porta que parecia dar para as traseiras do edifício… o silêncio…
No momento em que os quatro olhavam em simultâneo a pequena porta na parte de trás das galerias, uma figura emergiu dela, a correr, sem produzir um som que fosse, como se também ela fizesse parte daquele estranho transe em que tinham mergulhado . Em choque por tão repentina aparição, nenhum dos quatro conseguiu esboçar qualquer gesto. Limitaram-se a ver a figura, também ela vestida de branco, contornar sempre a correr os claustros, em silêncio mas gesticulando freneticamente, como se fosse um louco acabado de se evadir, saltando a alçada por onde tinham entrado no claustro, desaparecendo na penumbra da sala de entrada. Ouviram-no ainda a esbarrar contra o balcão, e alguns segundos mais tarde contra a porta, mas a sua atenção já não estava presa a esta estranha figura: irrompendo da mesma porta por onde o louco tinha entrado, três outras figuras corriam também em volta do claustro, berrando palavras que não conseguiam perceber, mas pelos gestos compreendendo que aquelas três figuras perseguiam a primeira.
Temos de ir atrás deles! Depressa! Não podemos perder o louco de vista! Vince despertou subitamente da letargia induzida por aquela bizarra perseguição. Um premente cenário tinha-lhe invadido a mente: a primeira aparição, o louco, tinha saído do museu… e em frente ao museu, mesmo no meio da rua, estava a nave…
Romeo foi o primeiro a perceber a urgência e a começar a correr em direcção à entrada, nos calcanhares das três figuras que perseguiam o louco, lado a lado com Vince e logo seguido por Tamara e André, que mesmo sem terem ainda compreendido o que se estava a passar sentiam o pânico na voz dos companheiros. Uma das três figuras que perseguiam o louco virou-se para trás por momentos, sem deixar de correr, e puderam perceber nas suas feições a estranheza de ter quatro desconhecidos a correr atrás deles, aparentemente com o mesmo objectivo.
Quando os quatro companheiros contornaram o balcão da entrada, as três figuras perseguidoras saltavam a alçada da janela. Por ventura fruto da adrenalina que lhes tinha tão rapidamente invadido o sangue, corriam mais depressa que o trio que os precedia. Quando com assustados saltos pisaram a areia da rua, já quase os tinham alcançado. Os seus gritos juntaram-se então aos dos outros três ao verem o louco, sempre a gesticular, parado no meio da rua, olhar para a nave escassos metros ao seu lado e correr para ela com os braços abertos, como se tivesse reconhecido um companheiro que queria abraçar… Estava dois passos à frente deles quando chegou à nave, mas os seus braços esticados em pânico foram impotentes para o agarrar, para o impedir de violentamente chocar contra a porta da nave, que por causa do impacto se abriu. Vince, o mais rápido entre todos, alcançou então o louco, pondo-lhe a mão no ombro. Este reagiu violentamente, dando um passo em frente para o interior da nave e, agarrado à porta, fazendo-a girar e bater em cheio contra Vince, que desequilibrando-se caiu na areia, o braço ainda entalado na porta enquanto o louco a tentava fechar. Levantava-se já quando deixou de sentir pressão sobre o braço. Ao abrir a porta, conseguia já ouvir, vindo do interior da nave, o ruído de coisas a serem quebradas… As três figuras desconhecidas ultrapassaram-no então, entrando sem hesitar na nave. Vince limitou-se a ficar, sem se mexer, à entrada da nave, vendo a figura do louco, soltando bramidos de furioso prazer, pegar em vários objectos e atirá-los sucessivamente contra os visores, contra os comandos, contra as cadeiras, dando pulos de alegria com o som dos objectos ao quebrarem-se…
O louco não se apercebeu sequer da presença dos outros três que, correndo decididamente, o agarraram pelas costas, prendendo-lhe os movimentos. Urrou ao sentir-se assim cativo, não de desespero, mas antes como uma criança que se via de repente impedida de jogar ao seu jogo favorito… Mexia-se furiosamente, tentando soltar-se dos braços dos seus captores, mas estes não cederam. Arrastaram-no para fora da nave enquanto se debatiam com uma peça de vestuário que Vince e os companheiros não conheciam. Parecia uma espécie de camisola em que tentavam enfiar o louco, conseguindo enfim, após uma acesa mas desigual luta, fazê-lo vesti-la.
Os quatro desviaram a atenção daquela estranha forma de violência: mais do que entender as relações de força no seio daquele grupo, estavam preocupados em avaliar os estragos causados na nave. Vencendo os poucos passos que os separavam da nave, pararam ao chegar à porta escancarada: não era preciso entrar para perceber que quase tudo o que era quebrável jazia em pedaços no chão. Poucos eram os aparelhos que permaneciam firmes no seu lugar, e os manípulos pareciam os ossos partidos de um animal moribundo, pendendo de posições estranhas, apenas presos por débeis fios.
Não sei como é que vamos reparar isto tudo… Ainda abismado pela rápida e inesperada sucessão de acontecimentos a que tinham assistido e pela destruição que via à sua frente, Vince tentava em vão pensar na solução e não no problema.
Nem quanto tempo vamos demorar a fazê-lo… Romeo mantinha, como os amigos, a boca aberta de espanto. Apertava com força a mão de Tamara, como se quisesse, ao senti-la, certificar-se de que o que via era real e não apenas um sonho.
Nem se será sequer possível arranjar tudo… O coração de Tamara baqueou, e quase conseguia sentir o mesmo nos companheiros, ao dar eco ao pensamento que os aterrava a todos mas que prefeririam não verbalizar, como se dessa forma a questão deixasse de se colocar…
Olharam então para trás, para o causador de toda aquela indizível confusão. O louco, estranhamente, tinha ficado de súbito calmo ao perceber-se apanhado naquela estranha camisola que não o deixava mover os braços. Limitara-se a sentar-se no chão, de pernas cruzadas, oscilando o tronco para trás e para a frente como que em transe. Parecia agora pacificado, como se tivesse esquecido a sua obsessão de há poucos minutos atrás. Pura ilusão… ao ver Penélope, Lisa e Ramón, que se aproximavam vindos do lado oposto da rua, e sentindo os seus perseguidores relaxarem, julgando-o resignado, levantou-se rapidamente e reatou a sua frenética corrida, já não em direcção à nave mas ao longo da rua, soltando animalescos guinchos.
Deixem-no. Não vale a pena. Um dos perseguidores colocou rapidamente a mão no ombro de Vince, impedindo-o de correr novamente em perseguição do louco. Eram as primeiras palavras – pelo menos as primeiras inteligíveis – que ouviam aos desconhecidos… a primeira prova de que se tratavam de pessoas como eles os quatro, e não etéreas aparições… Seja como for, metido na camisa-de-forças não vai causar mais estragos nenhuns.
Obedecendo ao pedido, vindo de uma voz da qual emanava uma estranha mas resignada autoridade, ficaram parados em frente à nave, vendo o louco correr alegremente rua abaixo, uma figura cada vez mais diminuta à medida que se afastava na longa rua, cada vez mais difusa contra o rubro entardecer do horizonte, como que desvanecendo-se lentamente na poeira marciana…
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