Quarta-feira, 19 de Julho de 2006

...e bombas em Beirute

   Não tenho escrito nos últimos dias porque tenho estado demasiado chocado. Queria escrever um post acerca da "quase-guerra" ou "proto-guerra" entre Israel e o Líbano a frio, desassombrado; se o tivesse escrito antes sei que seria a quente, e algo do que tivesse escrito teria sido de alguma forma injusto.
Claro que não pretendo ser imparcial, porque não o sou, e dificilmente o serei em relação a qualquer coisa que os Israelitas façam: a mentalidade hebraica, a rispidez e egotismo que põem em todas as suas acções irrita um qualquer nervo dentro de mim que não me permite nunca aplaudir o que fazem. Posto isto, vamos aos factos.
O Hezbollah, movimento de base libanesa mas orquestrado ou pelo menos manipulado pela Síria e pelo Irão (países ou com interesses no Líbano, caso da Síria, ou que pretendem defender os direitos dos xiitas e ao mesmo tempo agredir o "Pequeno Satã", Israel, caso do Irão), raptou dois soldados israelitas, que pretende trocar por prisioneiros seus que Israel detém. Seria perfeitamente legítimo uma resposta israelita a este acto agressor. É perfeitamente legítimo que o exército israelita tenha decidido uma resposta musculada contra quem perpetrou o rapto, uma resposta que sirva de aviso futuro. Até aqui penso que estou a ser consensual.
O que me choca profundamente não é o ataque ao sul do Líbano, ou mesmo a alvos em bairros de Beirute que se sabe serem bastiões do Hezbollah. Estes ataques são para mim totalmente justificáveis: na mesma medida em que o Hezbollah cometeu um acto terrorista, é legítimo sofrer as consequências.
O que me choca profundamente é assistir (ou nem isso, porque são escassas ou nulas as imagens televisivas que nos chegam) à morte de civis, mesmo sabendo que dentro deste grupo se mascaram activistas islâmico; mas não são terroristas as crianças atingidas por bombardeamentos, nem os que se refugiavam na cave de um prédio também atingido.
O que me choca é ver Israel cometer crimes (crimes de guerra, segundo o que sei do direito internacional) hediondos, bombardear hospitais onde, por definição, todos são inocentes seja do que for, atacar o aeroporto, os portos, as estradas e pontes do Líbano. Estes são alvos inteiramente civis, e não há qualquer justificação possível para tais ataques.
É esta brutalidade que nunca toma em consideração o Outro que me tem incomodado no presente conflito, e o saber que Israel o faz porque sabe que passará totalmente impune, passará elogiado mesmo pela comunidade internacional.
Aparentemente, 60 anos não foram suficientes para esbater o complexo de culpa ocidental, nem são suficientes para fazer alguém gritar que atrocidades pretéritas não justificam atrocidades presentes por parte de quem as sofreu no passado...
:
: This Mess We're In, PJ Harvey & Thom Yorke
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