Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Manifesto pró-voto - a propósito do post da semana

Ontem o inconformista Pedro Silva publicou um post onde, a propósito de opiniões sobre o actual estado da nossa democracia deixadas num anterior post sobre o mesmo assunto, explica as razões da sua descrença na mesma e porque não vota há mais de 10 anos. Um dos comentários tenta explicar ao Pedro a importância de votar, com o qual eu estou totalmente de acordo - tão de acordo que me motivou para escrever este post: o meu pessoal manifesto a favor do voto.
Apesar de nunca ter sabido o que é não poder votar (livremente entenda-se), pois nem "filho de Abril" chego quase a ser (nasci em 1979), desde mesmo antes de ter 18 anos que penso, veementemente, que votar é não só um direito, mas acima de tudo um dever. É uma posição extremamente forte mas inteiramente pessoal que não visa ofender ninguém, mas para mim quem não vota não tem o direito de criticar a política do país - o governo, a oposição, tudo, incluindo a própria democracia.
Se é perfeitamente legítimo o extremo desencanto em relação ao actual estado de coisas neste nosso rectângulo, tão extremo que repudia qualquer partido, tal repúdio pode e deve ser expresso nas eleições. É para isso que serve o voto em branco, obviamente - ou em alternativa o voto nulo, para quem tem - como foi dito em comentário ao referido post - medo que alguém faça uma cruz por eles...
A abstenção não é para mim nestes moldes aceitável. Se o facto de esta atingir 50 ou 60%, como já vem acontecendo recentemente, não faz soar na nossa classe política as campainhas de alarme que devia, mesmo concordando com muito do que o Pedro diz considero que se a parte desses 50 a 60% que não vota pelos mesmos motivos que o ele se desse ao trabalho de se deslocar até à urna e votasse branco ou nulo, tenho a certeza que transmitiriam uma mensagem muito mais forte, que não poderia pois ser ignorada.
Por isso, amigos, camaradas, palhaços, inconformistas... Votem!!
:
Abraracourcix o chefe falou sobre: ,
um discurso de Abraracourcix às 12:01
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
5 comentários:
De lino a 20 de Janeiro de 2007 às 22:07
Bonito.
Já tinha tentado cá vir muitas vezes, a partir do "armadilhas", mas clicando no nome só aparece o perfil.
Vou voltar.
De Hopes a 22 de Janeiro de 2007 às 17:04
António, concordo inteiramente contigo (para variar... :)). Para mim a abstenção é uma forma de renunciar ao direito de participação, abdicar da nossa voz ou da própria democracia. Até vou mais longe, é quase como dizer: eu não quero um regime que ouça a minha opinião, abrindo a porta a regimes ditatoriais.

Também acompanhei a discussão no Armadilha, assim que tiver tempo, vou deixar um comentário lá...
De Abraracourcix a 23 de Janeiro de 2007 às 10:08
Deixa deixa, que eu estou tão isolado naquela discussão que bem preciso de reforço de tropas ;)

"Para mim a abstenção é uma forma de renunciar ao direito de participação, abdicar da nossa voz ou da própria democracia. Até vou mais longe, é quase como dizer: eu não quero um regime que ouça a minha opinião, abrindo a porta a regimes ditatoriais."
É exactamente isto (exprimiste-o mais eloquentemente do que eu seria capaz) que tentei explicar ao Pedro, debalde... mas atendendo aos seus posts mefistofélicos não é de estranhar a abertura a tais regimes - desde que fosse o "seu" regime demoníaco claro ;)
De Hopes a 23 de Janeiro de 2007 às 17:59
Pois, António... Tão eloquentemente que feri susceptibilidades e passo por inquisidora. É pena que as minhas perguntas, tenham ficado por responder, só porque a discordância incomoda...
Não concordas comigo que a abstenção, por reacção à forma como a democracia é encarada, não faz qualquer sentido quando a questão é o referendo da IVG?
E se toda a gente, seguisse essa lógica e se abstivesse, o que acontecia à democracia?
De Abraracourcix a 24 de Janeiro de 2007 às 09:42
Eu reparei nas susceptibilidades... e lá se foi a minha aliada (pelo menos no armadilhas, grato por te dares ao trabalho de comentares aqui) na cruzada anti-abstencionismo - ou, para ser mais positivo, pró-voto.
Respondendo à tua pergunta: se eu compreendo a abstenção como forma de protesto nas eleições que têm como objectivo órgãos de soberania, embora discorde profundamente - como resulta claro da nossa discussão - já compreendo bem menos essa abatenção militante quando o objectivo do voto já não é um órgão de soberania (as bases do sistema democrático, portanto), mas antes uma questão de âmbito social, como é o caso da despenalização do aborto. Mais do que em outras eleições, são argumentos que se derrotam a eles mesmos ("self-defeating arguments", para dar uma de anglófilo ;) Aqui é que, de certeza absoluta, não contribuem em nada para a resolução do problema que visam combater - a não ser que se seja tão solidamente coerente (e eu sei que era este o objectivo da tua pergunta, que não foi compreendido pel@ cãorafeiro), mas aí também é preciso ser suficientemente coerente para afirmá-lo claramente, tão coerente, dizia, que se pretenda minar os alicerces do sistema.
Desconfio aliás que é esse o objectivo do Pedro (d@ cão já não digo nada)... para conseguir o quê em seu lugar é que não sei. O vazio? O Pedro é, de facto, um anarco-nihilista...

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