Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Eleições presidenciais nos Estados Unidos e em França: os meus cavalos de corrida

Com maior - caso dos Estados Unidos, onde a corrida presidencial é uma verdadeira maratona - ou menor antecipação - caso de França, vão-se preparando junto aos blocos de partida as figuras presidenciáveis. Esta é uma altura em que começo a ler com alguma atenção os perfis dessas figuras e a formar a minha opinião sobre quem gostaria que ganhasse - os meus "cavalos de corrida", em suma.
Esta leitura é particularmente importante em França, onde um (ou uma!) novo presidente está à curta distância de três meses. Este é também, das duas corridas em causa, a que me faz arrancar mais cabelos. Na corrida ao Eliseu, já há dois e apenas dois candidatos mais que assumidos.
Os dois são a meu ver péssimas figuras, movidos unicamente pela sua ambição de vir a ocupar a actual cadeira do igualmente péssimo Chirac, e se tivesse de escolher um dos dois teria sérios incentivos a juntar-me ao grupo do armadilhador Pedro Silva e a não votar... a fazê-lo, seria provavelmente um voto em branco; mas se tivesse mesmo de escolher um dos dois, com o coração pesado e enegrecido pela decisão, ela seria a favor de Mme. Ségolène "pudim" Royal... por um motivo simples: entre um péssimo candidato de esquerda e um péssimo candidato de direita, preferiria sempre o primeiro.
Neste caso, entre uma péssima candidata-maquiavel de pacotilha que só afirma ser de esquerda porque precisa do voto desta, e um péssimo candidato, Nicolas "Terminator" Sarkozy, que diz que é de direita mas que se comporta - e é de facto - como sendo de ultra-direito, colado ao odioso Le Pen, entre estes dois, seria o exílio... senão, o centro-direita é apesar de tudo um mal menor em relação à quase extrema-direita...
Mudando de caso e de continente, o caso americano é inteiramente diferente, sobretudo pela distância de quase dois anos que nos separa das eleições presidenciais, já com data marcada (ocorrem sempre na primeira terça-feira de Novembro, o que tem a curiosa coincidência de por vezes as fazer coincidir com o meu aniversário, coincidência que já me rendeu, em 2000, o mais odioso dos presentes...) para 4 de Novembro de 2008. Neste caso reservo-me o direito de mudar de "cavalo de corrida", até pela evolução que as posições dos vários candidatos, movidos pela sua ambição, vão sofrendo...
Para já, e como parafraseando um qualquer western, para mim o único republicano bom é o republicano morto (o mesmo se aplicando aos candidatos presidenciais), a minha aposta no campo democrata vai para Barack Obama, pelo "sangue novo" que representaria na políttica da Casa Branca - é senador há apenas dois anos, mas já empolga multidões sempre que discursa - pelas posições razoavelmente genuínas de democrata e pela pedrada no charco de ver um representante de uma minoria étnica governar um dois países desenvolvidos mais desiguais...
Claro que Hillary Clinton também beneficia desse efeito "pedrada no charco", mas contra ela move-me o que me parece excessivo calculismo político, o que para mim é prenúncio de ambição (demasiado) desmesurada...
Ficam então as minhas escolhas: Barack Obama para Mr. President e o exílio... perdão, Mme. "Pudim Royal" (que todos os deuses nos acudam!...) para Mme. Président.
:
Abraracourcix o chefe falou sobre: , ,
um discurso de Abraracourcix às 14:10
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
13 comentários:
De Pedro silva a 22 de Janeiro de 2007 às 16:10
Não me dês graxa que não me convences....
De cão rafeiro a 22 de Janeiro de 2007 às 19:49
António, creio que existiu um mal entendido entre nós.

...é como quem diz, confundiste-me com o Pedro. Já te respondi no Armadilha ao comentário que deixaste no meu post sobre democracia, participação e abstenção.

espero que compreendas então por que razão o teu comentário teve resposta num post e não num comentário no te próprio blog.

enfim, quem discute com emoção está sempre sujeito a que por vezes surjam mal-entendidos, mas estes também se resolvem cordialmente, quandoestamos entre like minded people.

quanto à contundência argumentativa, ela é bem vinda, mais do que bem-vinda.

De Abraracourcix a 23 de Janeiro de 2007 às 10:04
Pois tens toda a razão, confundi-vos de facto... Eu pedia-te desculpa, se confundir-te com um ser mefistofélico como o teu co-blogger fosse desculpável... ;) Mais a sério, se não tenho desculpa tenho atenuantes: normalmente é fácil distinguir-vos pelo estilo, pelo que nem me dei ao trabalho de ler no fundo do post o autor... Aquele post em particular (sim, agora sei por que motivo a resposta veio daquela forma, já agora desculpa também pela "boca", que aliás era no gozo) pareceu-me ter o estilo inconfundível do Pedro... enfim, uma "gaffe" à la Gabriel Alves :(

PS - Agora percebo melhor por que motivo alguns dos vossos leitores já aventaram a teoria de que cãorafeiro e pedro silva são a mesma pessoa...
De Pedro silva a 23 de Janeiro de 2007 às 11:11
é o budismo antónio, é o budismo...
De Abraracourcix a 23 de Janeiro de 2007 às 15:52
Não sabia que havia tantos budistas em Portugal
De cão rafeiro a 23 de Janeiro de 2007 às 18:12
os budistas também não sabem... mas há!

antónio, embora eu por vezes pareça uma criatura ingénua e inocente, é só aparência... na realidade o tom mais forte do meu texto deveu-se à necessidade de alertar para as implicações de algumas afirmações que por vezes fazemos.
De Abraracourcix a 24 de Janeiro de 2007 às 09:49
Eu percebi... a minha intenção era também alertar para esse mesmo tipo de implicações decorrentes do que afirmas, e o Pedro ainda mais claramente.
Reproduzindo de forma adaptada parte do que escrevi num comentário doutro post mais abaixo em resposta à Hopes (aquela ilustre leitora que tu deixaste lavada em lágrimas, coitada ):
Se pretendes ser até ao fim coerente (e eu si que era este o objectivo da pergunta da Hopes, que não foi compreendido por ti),aí também é preciso ser suficientemente coerente para afirmá-lo claramente e dizer que se pretende minar os alicerces do sistema.
Desconfio aliás que é esse o objectivo do Pedro (de ti não digo nada)... para conseguir o quê em seu lugar é que não sei. O vazio? O Pedro é, de facto, um anarco-nihilista...
De cão rafeiro a 24 de Janeiro de 2007 às 17:30
antónio, vivemos num mundo e num país ao contrário, em que os moderados passam por radicais, e os radicais vestem a pele de moderados.

quanto à hopes and dreams, quando eu digo que o armadilha não é um blog fácil, costumo acrescentar... sobretudo para quem o faz. talvez devesse dizer ainda: e também para quem o lê.

o meu objectivo quando escrevo não é passar a mão pelo pêlo dos leitores. quando eu falo de conformismo, por exemplo, seria extremamente desonesta se excluísse da tendência esmagadora para o conformismo as pessoas que passam pelo blog, e mesmo eu e o pedro que o fazêmos.

dái não ser um blog fácil, porque para escrever o que escrevo eu tenho primeiro de pensar, e por vezes em coisas que se calhar não são agradáveis ao pensamento.

se eu quisesse fazer um blog para me promover, teria sido muito fácil. assinaria com o meu nome, daria uma no cravo e outra na ferradura, não partilharia o blog com o pedro, e tê-lo-ia divulgado junto de muita gente que eu conheço e que acha que me conhece a mim. teria ainda aproveitado o momento em que escrevia muito em alguns blogs com uma boa audiência.

talvez tivesse 10 vezes mais leitores.

acontece que não é esse o espírito.

se desagradar, paciência, a mim também muita coisa me desagrada. eu não escrevo para rodas de amigos, embora possa afirmar que sinto por alguns dos meus leitores uma estima que se aproxima muito da amizade (embora sem a intimidade que a convivência proporciona).
De Abraracourcix a 25 de Janeiro de 2007 às 09:21
Nada a acrescentar, penso que essa tua/vossa "carta de intenções" não passa despercebida a ninguém que leia o vosso blog, até porque ela é regularmente reiterada quer por ti quer pelo pedro.
Claro que não escreves para agradar - às vezes, estou certo, até para desagradar, e sempre para abanar os conformismos. É um pouco o que eu também tento fazer, só que vocês usam uma linguagem muito mais bruta (no sentido em que sem suavidade), mais o Pedro, mas tu também no post em questão (daí eu ter-te muito budistamente confundido com ele). E é essa "bruteza" que por vezes é demasiado forte, mesmo para mim (mas como tenho consciência disso aguento). Foi o que se passou com a Hopes. Tenho a certeza de não ser propositado, mas o que quero dizer é que a "frontalidade à bruta" é tanta que por vezes afasta mesmo quem não devia, mesmo alguns dos leitores habituais. Normalmente tu e o pedro funcionam num registo de "good cop-bad cop", em que um suaviza os efeitos do outro (sim, pedro, és um bruto sem remédio possível), o que neste caso não aconteceu.
De Hopes a 24 de Janeiro de 2007 às 17:31
António,
Eu não fiquei lavada em lágrimas, fiquei apenas triste por me terem levado a mal. Mas a verdade é que, nem sempre as pessoas, que usam uma argumentação forte, gostam de ver nos outros o mesmo tipo de posição. A argumentação é forte se é dita por mim, se vem de outra pessoa já é agressiva e inquisidora. Eles que me desculpem se estou enganada, mas eu já deixei lá outros comentários mais fortes e nunca houve este tipo de reacção. A diferença é que nunca foram tão radicalmente discordantes...
De Abraracourcix a 25 de Janeiro de 2007 às 09:29
Eu sei que não ficaste lavada em lágrimas... só estava a brincar, para tentar suavizar um pouco o efeito dramático desta discussão.
Em complemento ao que escrevi acima em resposta à cãorafeiro, devo acrescentar que já reparei nessa dualidade em relação a quem usa argumentação forte - é um efeito que julgo não ser propositado nas pessoas em questão, mas mesmo inconscientemente existe... Já dei por mim a refrear-me de comentários menos "simpáticos" (no sentido em que discordantes) no armadilha devido a ter a distinta sensação de que estaria a ser alvo deste efeito de dualidade, o que aliado à "rudeza" dos posts armadilhadores, como escrevi no comentário anterior, essa dualidade e a rudeza aliados, dizia, causam uma enorme sensação de desconforto - no mau sentido.

Reparo também que nenhum dos comentários está relacionado com o que escrevi no post... Tentando fazer a ponte entre esse conteúdo e o que está a ser aqui discutido, gostaria de acrescentar em prol da abstenção que esta eleição presidencial francesa seria, em face dos candidatos em questão, uma daquelas onde como já disse à cãorafeiro admitiria muito mais facilmente a abstenção - mesmo continuando a não a defender - como forma de reivindicação, porque aí ela teria de facto outro tipo de peso.
De cão rafeiro a 25 de Janeiro de 2007 às 09:40
antónio, ninguém é obrigado a comentar.

não passamos a mãpo pelo pelo dos leitores, sejam eles quem forem.
De Abraracourcix a 25 de Janeiro de 2007 às 11:06
Claro que não, não é isso que se quer e quem vos lê sabe disso perfeitamente. Mas o que te quis fazer ver é que uma coisa é não passar a mão pelo pêlo, outra é escrever de espingarda na mão...

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