Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

Captura de golfinhos no Japão: golfinho também é peixe?

Recebi hoje no meu e-mail este video - sigam o link e depois voltem para ler o resto do post... Advirto previamente as mentes mais impressionáveis de que contém imagens potencialmente chocantes.
O meu objectivo, ao divulgá-lo aqui, não é simplesmente o "choque fácil", como provavelmente era a ideia de quem me enviou o video, mas antes, e despertado por uma resposta que me enviaram em reacção ao video, suscitar alguma reflexão sobre os limites, e os critérios, que nós enquanto seres humanos colocamos na defesa dos animais (aqueles que o fazem...)
Como me disseram então, apesar de muito mais inteligente que os demais, golfinho também é peixe... (sim, eu sei que é um mamífero, mas acho que deu para perceber o que quis dizer) O que acharão os indianos de nós, bárbaros comedores de vacas? O homem é um animal de uma brutalidade tão extrema quanto a sua sensibilidade e consciência, é pena é que estes estejam mal distribuídos.
Há vezes em que me pergunto se não será hipócrita termos mais pena do massacre de animais esteticiazados (fofinhos/belos) como as focas, os golfinhos, as baleias, os ursos polares, as raposas, as martas e os coelhos. Já viram vídeos da matança do porco? E de vitelos e coelhos a serem mortos? Qual é a diferença? Porque nos causam essas imagens menos repulsa? Por que motivo nos indignamos menos, ou nada, com elas?
Esta foi a resposta que recebi. Quanto a mim, sim, já pensei na subjectividade e aleatoriedade da nossa indignação: os golfinhos, as focas, são tão fofinhos coitadinhos, mas o tamboril, o bacalhau (sim, o nosso "fiel amigo"...), o atum, estão em extinção - o atum daqui a um ano ou dois (sim, leram bem) pode já ter desaparecido...
E tantos outros animais, bonitos ou feios, alguns engraçados, outros asquerosos que também vão desaparecendo, mortos voluntária ou involuntariamente... e nós não nos preocupamos... É engraçada a mente humana, não é? Talvez ela seja apenas hipócrita... mas ao mesmo tempo dou comigo a pensar que mais vale lutar para salvar alguns do que nenhuns, e que talvez seja tão aleatório escolher os que são fofinhos do que outro critério qualquer.
Também me choca a matança indiscriminada de bacalhaus, por exemplo, ou de sardinhas (já é proibido pescar sardinhas que não sejam adultas, de tão mal que está o "stock" desta espécie) por exemplo...  e já agora que dizer dos estúpidos insectos, dos milhares e milhares de espécies destes bichos pestilentos que se extinguem mesmo antes de as conhecermos?
Quanto à matança do porco, para dar o exemplo "doméstico": é bárbaro, claro, mas considero que o porco ao menos foi criado de propósito para ser comido. Se não fosse isso, o porco como espécie nem sequer existia (nem a vaca, a ovelha, a galinha...).
Concluindo então, toda a pesca e caça em grande quantidade, toda a matança de animais para consumo humano, devem ser entendidas como 'massacres'? Depende do animal ou do ponto de vista? Pensem nisto...

PS - a propósito, foi iniciada recentemente uma campanha para salvar os 10 animais mais estranhos do planeta (no sentido em que são mais diferentes de todos os outros, logo representam mais bio-diversidade; eis um bom critério), com o objectivo de chegar ao "top 100"; é o projecto Edge (sigla de "Evolutionary, Distinct and Globally Endangered"), que aproveito para divulgar
Abraracourcix o chefe falou sobre:
um discurso de Abraracourcix às 12:06
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
2 comentários:
De Macambuzia Jubilosa a 25 de Janeiro de 2007 às 14:54
António,

Também recebi este video por mail e fiquei de facto impressionada. Talvez o facto de os golfinhos serem animais amistosos que vem espontaneamente ter connosco, tenha influência. E há ali uma brutalidade e uma indiferença por parte de quem faz aquilo que incomoda. De referir ainda que governo japones, depois destas imagens serem publicitadas, ter encetado uma perseguição a quem fez os videos.

Lembro-me de ter recebido tambem umas imagens do que fazem aos patos para se fazer o paté. Enfiam-lhes comida pela goela abaixo até rebentarem...literalmente... enfim...

É verdade qe há uma enorme hipocricia na forma como se encaram os vários tipos de animais. É algo que nem sempre se controla mas que é preciso ter consciência. Acontece com os humanos (os bonitos e os feios) Outro exempo são as touradas. Se fosse um animal fofinho e queridinho que tivesse na arena talvez não houvessem tantos aficcionados.

Quem me conhece sabe que sou uma acerrima defensora dos animais. Mas não sou radical. Acho é que tem de haver limites. Matar animais apenas para nossa subsistência, não para iguarias, não para adornos, não por desporto. E matar com diginidade que os animais merecem. Matar causando a menor dor possivel. E durante a vida, garantir-lhes as melhores condições possiveis. Devemos-lhes tanto que é o minimo que podemos (devemos) fazer.

Acho bem que se defendam os animais, uma vez que estes não tem identidade juridica nem capacidades para se defenderem. Tem de ser as pessoas a tomar essa responsabilidade. Não devemos portanto achar que, por as pessoas serem mais importantes, os animais não devem ser defendidos. Digo isto porque há quem acuse as pessoas que defendem os animais de gostarem mais destes, que de pessoas. Cada coisa no seu lugar. Temos de nos indignar com os atentados contra os direitos humanos das pessoas, mas temos de encontrar dentro de nós espaço para tambem nos indignarmos com os maus tratos gratuitos contra animais.

E acho que não se deve ter uma visão romantizada deles, ou seja são aquilo que são. Animais. lembro-me que a comunidade cientifica e geral ficou muito surpreendida quando descobriram que os golfinhos (esse animal muito fofinho) jogavam polo aquático com pinguins, esquartejavam-nos e os pinguins morriam de forma lenta e dolorosa, e os golfinhos nem sequer os comem.

Animais são animais e respeita-los passa por ve-los assim e não tentar humaniza-los. A todos.
De Abraracourcix a 25 de Janeiro de 2007 às 16:24
Ora até que enfim um comentário a este post! Não o diria melhor que tu, MJ... A minha posição, como se depreende do post, é similar à tua: ou seja, tolero que se mate animais para alimentação - mas idealmente criados de propósito para tal - tolero menos bem que se mate animais para iguarias (paté por exemplo), e não tolero a morte de animais por desporto.
Muito interessante essa perspectiva "social" dos golfinhos... já se sabia que dão nomes uns ao outros, que dialogam, que têm relações sexuais por prazer, que encetam relações homossexuais de longa duração (!!)... agora fico a saber que também praticam "desporto"... No que concluo que a crueldade (no caso a crueldade para com outras espécies) é um "efeito lateral" da inteligência...

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