Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Diamantes de sangue - o filme, a consciência da impotência e a amargura

Ontem fui ver o filme Diamantes de Sangue. Saí do filme não exactamente chocado - porque nada do que ali é descrito é novo para mim, porque em relação a esses assuntos já há muito passei a fase do choque e indignação - mas mais precisamente deprimido, com um enorme amargo dentro de mim. Nesse sentido o filme, e os assuntos que aborda - diamantes de sangue, mercenários, guerras civis movidas unicamente pela cupidez, crianças-soldado - são um violento murro no estômago, não como já disse pela revelação de algo novo, mas pela consciencialização de que somos completamente impotentes em tudo isto - como desabafa uma das personagens, uma repórter, a dado momento, ao reconhecer que todas as histórias que possa escrever acerca dos horrores da guerra, dos financiamentos da guerra, de nada servirão a não ser para fazer correr uma ou outra lágrima furtiva e inócua nos leitores - e a nossa indignação em nada ajuda a resolver o que quer que seja.
Para contrariar este meu desencanto, e fingir - apenas fingir - que posso fazer algo de útil, nem que seja para aplacar a minha consciência activista, aqui deixo a declaração da Amnistia Internacional a propósito da questão dos diamantes de sangue e do filme, o qual de resto patrocina. Serve pelo menos para que quem ainda não o esteja fique mais a par do que está em causa no que toca os diamantes de sangue.

Para quem queira saber mais:
- artigo da Wikipedia sobre diamantes de sangue
- artigo sobre o Processo de Kimberley, espécie de certificação para assegurar que os diamantes não foram utilizados em conflitos
- o referido artigo da Amnistia, onde também está uma carta que se pode assinar e enviar ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, apelando a que o nosso Governo ajude na procura de soluções para aumentar a eficácia do Processo de Kimberley
- informação adicional da Amnistia americana

"Os “Diamantes de Sangue” alimentam conflitos, guerras civis e violações dos Direitos Humanos. E têm sido responsáveis pelo financiamento de conflitos recentes em África que resultaram na morte e no deslocamento de milhões de pessoas. Durante estes conflitos, as receitas do tráfico de diamantes ascendem a biliões de dólares e têm sido usadas pelos senhores da guerra e pelos rebeldes para comprar armas. Estima-se que 3.7 milhões de pessoas morreram devido ao conflito causado pelos diamantes em Angola, na República Democrática do Congo (RDC), na Libéria e na Serra Leoa.
Enquanto que a guerra em Angola e na Serra Leoa terminaram e as lutas na RDC diminuíram, o problema do conflito dos diamantes ainda não acabou. Apesar de existir um esquema de certificação de diamantes internacional, chamado Processo de Kimberley, que foi lançado em 2003, o conflito dos diamantes da Costa do Marfim encontrou um novo caminho, através do Gana, para o mercado internacional dos diamantes.
Como mostra o conflito na Serra Leoa, mesmo um pequeno número de diamantes pode originar uma enorme devastação num país. Entre 1991 e 2002 mais de 50.000 pessoas foram mortas, mais de 2 milhões deslocadas do país ou feitas refugiadas e milhares foram mutiladas, violadas e torturadas. Hoje, o país está a recuperar das consequências do conflito.
O lançamento do filme “Diamante de Sangue” é a oportunidade de relembrar aos governos e à indústria dos diamantes, que têm de assegurar que os diamantes provenientes de zonas de conflito não devem encontrar forma de entrar no mercado de consumo."
:
Abraracourcix o chefe falou sobre: , ,
um discurso de Abraracourcix às 11:36
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
1 comentário:
De cinderela-dos-pes-grandes a 4 de Fevereiro de 2007 às 23:59
Esta questão é terrível, realmente. Ainda não vi o filme, mas tenho lido algumas coisas (poucas) sobre a questão, e é assustador. Pior ainda: é o mundo dito CIVILIZADO que está por detrás destas coisas. O ocidente, pai e mãe das liberdades, garantias e direitos civis.
Começo a sentir que merecemos tudo o que nos vai acontecendo! :((

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