Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

A nova guerra fria

Extractos seleccionados de um artigo do Público de ontem, que sumariamente inventaria os passos da recente escalada de tensão entre os colossos geopolíticos americano e russo, e que prenuncia que, depois do mundo bipolar da guerra fria e do período unipolar que lhe sucedeu, vivemos hoje os primeiros passos rumo a um mundo como nunca multipolar : Estados Unidos, uma Rússia "putinizada" e que renasce das cinzas, mas também China, talvez Índia, Irão...
E se o adjectivo "multipolar" era habitualmente utilizado como positivo (pensava-se há 15 anos que seria desejável que à divisão do mundo entre Estados Unidos e União Soviética sucedesse um mundo dominado por múltiplos pólos, nenhum deles com supremacia sobre os restantes) hoje ele é cada vez mais visto como uma sombria incógnita...


"O ministro checo dos Negócios Estrangeiros, Karel Schwartzenberg, declarou ontem que o seu país não se deixaria "intimidar" e que falharão as tentativas de "chantagem" russa para impedir a instalação de um sistema de radar no seu país e de uma bateria de mísseis antimísseis americanos na Polónia. "Os checos sabem agora que o "escudo" é cada vez mais necessário".
(...) É o mais recente episódio duma "guerra fria" de palavras, iniciada em Janeiro pelo pedido americano de instalar dispositivos do escudo nos dois países. Seguiram-se as declarações do secretário da Defesa americano, Robert Gates, que, a 8 de Fevereiro, no Congresso, tratou a Rússia como inimigo potencial, logo seguidas do virulento discurso de Vladimir Putin na conferência de segurança de Munique.
"Um país, os Estados Unidos, sai das fronteiras nacionais em todos os domínios. É muito perigoso: já ninguém se sente em segurança, porque ninguém encontra refúgio no direito internacional."
(...) o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, general Iuri Baluevski, afirmou que "a Rússia e a China são os verdadeiros alvos do escudo antimísseis americano" e não ameaças vindas do Irão ou da Coreia do Norte.
O mesmo ministro Serguei Ivanov declarava ao Kommersant: "O aparecimento do escudo antimísseis americano na Europa de Leste não nos agrada, mas não terá impacto na segurança da Rússia, pois temos novos mísseis móveis Topol-M que suplantam qualquer sistema antimísseis." Exactamente o que dizem os americanos: a ameaça não é militar.
O Nezavissimaia Gazeta põe o dedo na ferida: "A Rússia e os Estados Unidos reconheceram que deixaram de ser parceiros estratégicos." (...) o que provoca a exasperação de Putin é o novo teor das relações entre a Rússia e o Ocidente.
A Rússia teme fundamentalmente duas coisas. Primeiro o regresso da pressão americana no seu "estrangeiro próximo", da Ucrânia à Ásia Central. E, em segundo lugar, a ruptura do actual equilíbrio de forças na Europa em seu desfavor.
(...) O jogo não está definitivamente consumado. Abre fissuras na União Europeia. A questão suscita... divergências na Polónia e na República Checa, onde a opinião pública desaprova a decisão dos governos (...)
Cerca de 30 países dispõem já de mísseis balísticos, o que levou a uma procura geral de sistemas de defesa antimíssil, não só entre as grandes potências, mas também em países que se sentem vulneráveis, como o Japão, Israel, os do Golfo, Coreia do Sul ou Taiwan (clientes dos EUA) ou o Irão, China, Síria e Argélia (clientes da Rússia)."
:
Abraracourcix o chefe falou sobre: , ,
um discurso de Abraracourcix às 14:27
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
2 comentários:
De A.Teixeira a 24 de Fevereiro de 2007 às 00:28
Creio que se torna óbvio que Putin está a aproveitar este próximo período de dois anos até à eleição do próximo presidente americano, em que os Estados Unidos estão numa fase recessiva em termos da sua capacidade de influência mundial para que a Rússia recupere a maior influência possível comparada com a que perdeu depois de 1991 e dos tempos de Yeltsin.

O paradoxo é que a culpa desta enorme fraqueza de credibilidade e influência da equipa dirigente norte-americana (Bush, Cheney et. al.), que agora permite a Putin ganhar pontos, pertence inteiramente aos norte-americanos que democraticamente a elegeram (ninguém é perfeito! …) e a reelegeram (mas ninguém pode ser assim tão ingenuamente estúpido! …)
De Abraracourcix a 26 de Fevereiro de 2007 às 09:41
Bom ponto, A. Teixeira, em relação ao "timimg" de Putin, é isso mesmo!
Limita-se, como bom estratega, a aproveitar as oportunidades concedidas...

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