Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Morreu a OPA, vive o corporativismo

Vive, e de boa saúde.
Enganei-me redondamente na contagem de espingardas da assembleia-geral da PT... aliás, mesmo com essa contagem que admito demasiado optimista, já se antevia quão difícil seria a tarefa de Belmiro & filho...
Morreu então a OPA, ou antes, foi interrompida voluntariamente. A minha surpresa não foi o resultado final, que já era expectável, mas mais a posição assumida directa (golden share) e indirectamente pelo Estado (Caixa Geral de Depósitos), pois se embora não concordando é admissível o argumento de que ao abster-se o Estado, directamente, estava a deixar o mercado funcionar (mas esta era a fase "pré-mercado" - só passado este crivo o mercado propriamente dito falaria...), dado essa ser uma posição objectivamente neutra, já o mesmo não aconteceu com a CGD. Ninguém duvida de que o seu voto contra a desblindagem foi instruído ou influenciado por um Governo - provavelmente mais que qualquer um que o antecedeu - whistle-blower.
Importa então compreender as razões pelas quais Sócrates se desinteressou do sucesso da OPA, exactamente ao contrário do que se deduzia das suas palavras quando do anúncio pela Sonae, no início do ano passado (onde era possível distinguir a visão de que uma operação destas envergadura daria sinais de dinamismo ao mercado e seria, portanto, positiva para a economia), e apostou mesmo no seu fracasso.
Ora para mim essas razões têm que ver com o triunfo da forma tradicional de fazer negócios em Portugal, à qual Sócrates - ou a sua clique, pelo menos - parece ter-se rendido. Como li em mais de um sítio, Belmiro de Azevedo é, desde há muito, o político mais incómodo para o Governo, não só para os socialistas (dadas as conhecidas convicções políticas do "homem-Sonae") mas também para os governos de cor laranja.
Isso acontece porque Belmiro despreza a tal forma "tradicional" de fazer grandes negócios em Portugal, em que o Governo, qualquer governo, é sempre parte interessada e é-o sob variados prismas, uma forma corporativista em que é necessário dar uma "palavra amiga" aos governantes, uma forma feita de cunhas e rodriguinhos, de amiguismos, de palmadinhas nas costas.
Não representando essa forma de negociar, antes fazendo sua a força do mercado - sempre foi assim que Belmiro actuou, é daí que vem a força do único império empresarial construído depois do 25 de Abril em Portugal a partir do nada, e também como se vê as suas fraquezas - acaba precisamente por isso por se colocar na posição de maior conveniência para ser derrotado por políticos - digamos - empresarialmente interessados ou empresários tout court, todos interessados apenas em defender a sua coutada.
A concorrência, nomeadamente no mercado das telecomunicações móveis, pode estar de parabéns, tal como o mercado das comunicações de forma mais lata - dada a inevitabilidade de mesmo sem OPA as redes de cobre e cabo da PT virem a ser separadas -  mas a idade adulta (é um elogio, só aqui falo do lado positivo) do mercado português ficou mais longe...
:
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um discurso de Abraracourcix às 14:06
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