Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Sarkozy vs Royal: les jeux sont faits

Ontem à noite decorreu o único debate entre os dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais francesas, Nicolas "robocop" Sarkozy e Ségolène "pudim" Royal.
Um bom sinal do interesse que estas eleições têm despertado é o facto de quer a SIC Notícias quer a RTPN terem transmitido, em diferido (e ambas quase em simultâneo), o debate - só que eu não sabia disto e já tinha visto o debate em directo na TV5 (e portanto sem legendas, o que a mim não me faz diferença - sim, podem chamar-me maluquinho francófilo - pelo contrário, deixa-me prestar mais atenção a outros pormenores, como a postura dos candidatos, o cenário, etc.).
Como se esperava, Ségo surgiu mais agressiva, tentando por um lado reduzir a diferença nas intenções de voto face ao seu oponente e favorito de todas as sondagens (entre 52 e 54%) e, por outro lado, tentar fazer surgir a agressividade latente de Sarko - não é por acaso a alcunha de "robocop"... Vi o debate quase todo (aguentei quase duas horas antes de sucumbir por exaustão, os candidatos continuaram até às duas horas e meia...) e pessoalmente penso que Ségo se saiu ligeiramente melhor.
Não conseguiu causar nenhum ataque de fúria em Sarko - pelo contrário, ela é que pareceu em certos momentos demasiado exaltada, o que o adversário não deixou de aproveitar para marcar pontos - mas pareceu claramente "presidenciável", respirando confiança e conseguiu, na questão da reforma laboral, que Sarkozy acabasse por admitir que não iria mexer nas 35 horas semanais (algo que em campanha ele apresenta como um terrível erro).
Penso, no entanto, e fruto desse excesso de irritabilidade de Royal, que não deverá colher grandes frutos eleitorais da sua prestação retórica. Sarkozy, pelo contrário, apareceu na forma esperada: tentando sempre ser calmo e cordato, explicando as suas propostas de forma mais assertiva e atacando Ségo quando ela não o era, capitalizando o principal handicap da socialista, a falta de sustentabilidade prática do que propõe.
Assim, não será pelo debate - sempre alvo de muita atenção por parte dos franceses, um dos povos mais politizados da Europa  - que Ségolène Royal conseguirá equlibrar a balança presidencial: Sarkozy continuará o favorito e, a não ser que todas as inúmeras sondagens feitas para esta segunda volta se enganem, será o próximo ocupante do Palais de l'Élysée.
:
Abraracourcix o chefe falou sobre: ,
um discurso de Abraracourcix às 12:54
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
3 comentários:
De alfacinha a 4 de Maio de 2007 às 11:03
uma mulher Presidente seria uma coisa maravilhosa afinal igualdade entre homens e mulheres uma coisa boa .
abraço alfacinh-belga
De Hopes a 4 de Maio de 2007 às 19:21
Segolene não será a candidata perfeita, mas como podem os franceses colocar no poder um semi-ditadorzeco agressivo e autoritário, que diz isto do Maio de 68?

«No seu discurso de onze páginas compactas, exclusivamente dedicado à politica interna francesa, desferiu um ataque feroz, frontal e global à herança da revolta de Maio de 1968, que acusou de ter colocado a França numa situação em que "não existe nenhuma hierarquia de valores". "Os herdeiros de Maio de 68 baixaram o nível moral da politica", acusou.

Quase um terço do seu discurso foi ocupado a desmontar as consequências desta revolta estudantil, que marcou profundamente a França e toda a Europa. Contra o "cinismo de Maio de 68",Sarkozy propôs "aos franceses reatar a politica com a moral, a autoridade, o trabalho e a nação".»

In Expresso

Desculpem a citação, mas acho isto incrível.. Se os próprios franceses rejeitam a herança de 68, o que será dos ideiais de esquerda no futuro?
De Abraracourcix a 7 de Maio de 2007 às 12:37
Arvorando-me em advogado do diabo, não penso que tenhas inteira razão, Hopes: não podes pedir ao candidato da direita, e que faz discursos destes precisamente para "piscar o olho à direira" (à sua direita, sobretudo, ao eleitorado Le Pen), que seja o defensor dos ideiais "soixante-huitards". Essa defesa de ideiais de esquerda deve caber precisamente à esquerda. O problema, e por isso é que o "candidato-Terminator" venceu, é que Ségolène teve quanto a esses ideiais um discurso demasiado floreado, muito "flower power" - "amai-vos uns aos outros", etc.
Tive pena de não ter encontrado online nenhum dos cartoons que vi no Le Monde ou no L'Express, que gozavam com este aspecto "floral" da candidata - "Ségo", de resto, teve em tudo um discurso demasiado genérico, sem propostas concretas (e quando o fazia não as justificava devidamente).
Isso percebeu-se mesmo no debate, e por isso "Sarko" teve a vitória que teve. Os franceses não rejeitaram os valores do Maio de 68, simplesmente preferiram um candidato que por brutal que possa parecer diz o que vai fazer e como vai fazer - um discurso assertivo "versus" um discurso oco de Royal, como eu e mais acidamente o armadilhas desmontou já há muito tempo.

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