Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Lá vai Lisboa...

Bem se pode dizer que a actual situação política de Lisboa se assemelha às marchas populares, que também se aproximam: temos vários candidatos a santos, competindo para ser escolhido como o mais popular. A diferença é que em vez de uma noite, estas marchas populares se desenrolarão ao longo de um mês e meio, culminando na grande marcha eleitoral de 1 de Julho, onde se saberá finalmente se o santo mais popular para os lisboetas é S. José, S. Ruben, Sta. Helena, S. Fernando, S. Luís (??), S. Manuel, S. José (este desfila pela direita e é bastante menos santo que o outro), tentando contrariar o presumido favoritismo do santo da casa, Sto. António...

José Sá Fernandes
Só poderia ser ele o candidato do Bloco de Esquerda. Tem aura de "incorruptível" e terá aí granjeado popularidade. Vai por meio disso e do seu extremo mediatismo (marca registada do BE) conseguir um bom resultado.

Ruben de Carvalho
O candidato comunista tem também uma imagem de rectidão. Junto com o BE, o PC desde sempre reclamou também eleições antecipadas para resolver a confusão em que mergulhou a Câmara de Lisboa, o que ajuda a retocar a imagem comunista de impoluto. É de frisar que a situação em que Lisboa está não é da exclusiva responsabilidade das gestões de Carmona Rodrigues e Santana Lopes - ela já se começava a desenhar antes, em executivos PS com uma mãozinha comunista... mas duvido que a memória do eleitorado vá tão longe.

Helena Roseta
Campanha Alegre, parte 2. Os "alegristas", ou melhor, a ala mais à esquerda do PS, parece adorar dar dores de cabeça a Sócrates. É o preço a pagar por ser um líder que só olha para a sua direita, suponho. Ainda não é sequer certo que consiga apresentar a candidatura, fruto de uma decisão vergonhosa do Governo Civil da capital, mas se for às urnas será a grande sombra de dúvida sobre a vitória do PS. A corrida será então a três, entre uma candidata independente (mesmo que "dissidente", como ontem ouvi na televisão) e que só por isso já merecerá crédito suplementar face ao status quo, e cujos votos serão retirados do espaço "natural" do PS - mas também do BE - o candidato oficial do PS e que quererá beneficiar do  "castigo" que os eleitores deverão querer dar ao PSD e o candidato laranja, que poderá beneficiar da dispersão de votos à esquerda. Neste cenário, o resultado das eleições intercalares será completamente imprevisível.

António Costa
É um nome forte, conhecido de todos, com imagem de "posso, quero e mando", o que em altura de crise é um ponto a favor. Já o facto de ser um "homem do aparelho", o que ele sem dúvida é e não tenta sequer camuflar, poderá jogar contra ele. Tal dependerá da eficácia com que a carta for jogada pelos adversários - por exemplo, a instabilidade que a sua escolha para candidato gerou no Governo e no Tribunal Constitucional; já a paternidade da Lei das Finanças Locais, que terá lesado os cofres lisboetas, me parece pura demagogia, mas é sabido como esta por vezes é eficaz...

Fernando Negrão
É sintomático do abismo em que o PSD mergulhou o facto de este ser o nome mais forte que o PSD conseguiu apresentar. Em autêntico clima de pré-guerra civil, um natural mau resultado do candidato - será castigado por o PSD ser o directo responsável pela crise política da Câmara - será indirectamente um castigo a Marques Mendes, e Luís Filipe Menezes sairá beneficiado (já esfregará as mãos de contente, e silenciosamente torcerá sem dúvida para que o PSD seja esmagado nas urnas).
O candidato não é especialmente conhecido pelos lisboetas (é deputado por Setúbal, autarquia assolada por um escândalo de tráfico de influências onde é também vereador), foi ministro mas passou entre as gotas da chuva das trapalhadas de Santana Lopes, e ninguém se lembrará dele desse período. Chefiou a Polícia Judiciária, mas isso já foi há muito tempo e ninguém se lembra, por isso não conseguirá capitalizar o perfil de "durão".

CDS
Ainda não apresentou o seu candidato. O mais falado é Luís Nobre Guedes, que é um bom nome mas que saiu chamuscado da experiência governativa catastrófico-santanista e do caso Portucale.
Mais uma vez, dependerá da memória e cultura política de quem for votar... (uma abstenção elevada como será talvez de esperar fará com que quem vote tenha , na minha óptica, tendencialmente mais cultura política beneficia os candidatos "de boa memória" - neste caso, Sá Fernandes, Ruben de Carvalho, talvez Roseta)


Manuel Monteiro
Pouca mossa poderá fazer, a não ser que siga o ovo de Colombo (como é que nunca ninguém se tinha lembrado disto?) revelado pela campanha para as eleições regionais madeirenses, onde a campanha do PND foi de longe a mais inventiva e original (e premiada por isso com um inesperado deputado regional), apresentando nas inaugurações de Jardim um suposto candidato "pacóvio", uma engraçada caricatura de Jardim que foi mediaticamente muito eficaz.

José Pinto Coelho
Tem-se falado demais do PNR nos últimos tempos. Qualquer coisa que o partido ou Pinto Coelho faça, ou qualquer coisa que não faça, tem um eco desmesurado. A 1 de Julho, terá uma votação insignificante e (assim os media o entendam também...) será reduzido à insignificância que é.
:
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um discurso de Abraracourcix às 10:22
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