Quarta-feira, 16 de Agosto de 2006

Líbano: quem disse que as guerras não acabam empatadas?

Como confessei em post anterior, não tenho acompanhado com a devida atenção o conflito no Líbano, em boa parte por me ter cansado de me indignar, de os meus gritos caírem em saco roto... Nesta altura em que se verifica, se não o fim das hostilidades, pelo menos um intervalo, impõe-se a reflexão: quem saiu ganhador e perdedor destes 30 e tal dias de guerra?
Li outro dia no jornal um comentário de alguém (israelista, penso) que dizia que nenhuma guerra jamais pode terminar empatada. Esta parece, pelo menos até ver, ter de facto culminado num empate, embora um empate, a meu ver, mais inclinado para um dos campos (daqueles que os comentadores de futebol costumam dizer "a haver um vencedor, teria de ser...").
Israel, apesar de ter feito vincar o seu bruto ponto de vista, não conseguiu nenhum dos seus grandes objectivos, nem o desarmamento nem aparentemente o enfraquecimento do Hezbollah. Conseguirá, pelo menos a curto prazo (embora tenha dúvidas que isso se mantenha a longo prazo, o afastamento do Hezbollah da sua fronteira - embora o raio de acção dos Katyushas e outros rockets permita o seu lançamento de lá do rio Litani...
O Hezbollah, como já se adivinhava desde o início, tem o direito de se sentir como vencedor e de o proclamar. Embora se veja para já afastado do seu território privilegiado, mantém as suas armas (não vislumbro no cessar fogo nem na força internacional a destacar para o Líbano forma de proceder ao seu desarmamento) e não só não diminuiu como aumentou a sua popularidade e, logo, legitimidade popular e, logo, força política interna face ao débil governo libanês. Portanto, apesar de não ser vencedor no campo de batalha, é-o de certa forma fora dele, como já tinha adivinhado desde o início desta estúpida guerra... por arrasto, também o Irão sai fortalecido, ao afirmar-se como potência regional e nesta fase único baluarte no Médio Oriente contra a hegemonia americana. Também ganhou tempo precioso para prosseguir a seu bel prazer o dossier nuclear... Quanto à Síria, se não ganha propriamente prestígio nem força diplomática, também não perde, ou seja, no contexto de um Estado cada vez mais enfraquecido mantém o "status quo", o que para Damasco não é de desprezar.
No final, o que sobra então? Israel não é um país muito mais seguro (é-o apenas marginalmente e, ressalvo, apenas no curto prazo); o Hezbollah não é um movimento mais fraco: o que perdeu em armas (e que Teerão, obviamente, não terá problemas em colmatar) ganhou em força popular e apoio moral; o Líbano é um país ainda mais instável, e continuará a ser um barril de pólvora prestes a explodir; a Síria mantém a sua espada de Dâmocles sobre Beirute; o Irão ganha força diplomática e tempo e argumentos para prosseguir o seu programa nuclear... Ou seja, tudo ficou praticamente na mesma, e o mundo não só não é um lugar mais seguro como provavelmente é agora mais perigoso...
:
Abraracourcix o chefe falou sobre: ,
um discurso de Abraracourcix às 09:42
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
2 comentários:
De Max @ Devaneios Desintéricos a 16 de Agosto de 2006 às 13:17
Olha que não, amigo Rufino. Cá para mim não houve empate nenhum, os vencedores são claros Teerãoe e Damasco.

Os meus argumentos para tal em
http://devaneiosdesintericos.blogspot.com/2006/08/1701.html
De Abraracourcix a 16 de Agosto de 2006 às 15:38
Quando falei em empate, referia-me apenas aos contendores directos. Quanto aos "actores secundários", concordo, como se depreende do post, que Teerão foi o grande vencedor. Damasco nem tanto.
Mas o teu post exige um comentário diferente, que deixarei no próprio blog.

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