Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

Abram alas para Sarkozy, o presidente-exterminador implacável

Como seria de esperar, Sarkozy venceu, e por larga margem. A participação voltou a exceder os 85%, dando ao resto da Europa - refiro-me acima de tudo a Portugal, cujos políticos deviam enfiar esta carapuça - uma nova lição de democracia.
Dando continuação ao discurso assertivo do período de campanha, ao fazer a declaração de vitória Sarko mostrou já ao que vinha: sossegou os Estados Unidos, prometeu unir em vez de dividir a França (numa clara demarcação da retórica de Chirac, que prometeu fazer face à "fractura social" quando foi eleito e nada fez a este respeito, antes pelo contrário, agravou-a e muito), declarou que a França seria um "farol de liberdade" para os oprimidos de todo o mundo (uma nota algo americanista e soberanista e por isso muito à la de Gaulle).
Uma nota especial para a primeira proposta surpreendente do futuro presidente francês, que prometeu ainda ir ter em especial atenção os países da bacia mediterrânica e disse pretender criar uma comunidade do Mediterrâneo. Eis algo que fará Sócrates sorrir e aplaudir fortemente - e até eu estou por uma vez de acordo com ambos. O auxílio - económico, político - é a melhor forma de os países da orla meridional do "mar interior" da Europa se desenvolverem e, por essa via, debelarem problemas que são também preocupantemente europeus, como os diversos tráficos (droga, armas, pessoas...) e acima de tudo as gigantescas ondas de imigração ilegal.
Já que desconfio que não proporei isto muitas vezes, aqui fica: um forte aplauso para esta proposta de Sarkozy! (que não para o resto do seu discurso-robocop...)
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

Gato Fedorento combatem PNR com as mesmas armas

Pelo menos enquanto não transpuserem a ténue linha que os separa do apelo à violência (e o PNR tem sido extremamente cauteloso em nunca o fazer, caminhando sempre sobre o fio da navalha dessa mesma ténue linha), é precisamente com as mesmas armas que devemos combater este tipo de ideiais. A ideias de intolerância, contrapõem-se ideias de tolerância, desmontando a demagogia e as contradições das primeiras.. A cartazes apologéticos destas, contrapõem-se cartazes desconstruindo-as.
Foi precisamente o que decidiram fazer os Gato Fedorento, ao colocarem um cartaz (pago do seu próprio bolso) mesmo ao lado do cartaz "parvo" do PNR. Aqui fica ele, e peço desculpa pela imagem, mas a única que consegui encontrar foi do Público, onde de resto tem honras de primeira página.




Cada vez mais apetece cair de joelhos e tecer-lhes prolongadas loas, tamanha é a pedrada no charco que representam no tendencialmente amorfo Portugal...
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Sexta-feira, 18 de Agosto de 2006

Fortaleza Europa de portas rombas

Eis um assunto que é geralmente esquecido, ou que se prefere esquecer: as sucessivas vagas de imigrantes subsarianos que, através do território de Marrocos ou da Líbia, tentam desesperadamente atingir solo europeu.
Vem hoje na primeira página do Público (não deixo link porque o acesso é pago): 16 mil imigrantes ilegais já chegaram este ano às ilhas Canárias, batendo de longe o anterior recorde. Se a este quase fait divers juntarmos as notícias velhas de alguns meses sobre a desesperada carga colectiva sobre as vedações que separam Marrocos de Ceuta e os pequenos apontamentos que por vezes surgem sobre as prisões (também conhecidas como "centros de acolhimento") para ilegais na italiana Lampedusa, temos mais do que factos isolados, como à força tentamos pensar.
Mais do que discutir o problema em si, interessa-me mais - desde que há um ano ou dois li uma lancinante reportagem de Paulo Moura na revista dominical do Público - a dimensão humana do drama. Paulo Moura é um repórter cujos trabalhos leio avidamente, desde que há largos anos deparei com uma série de reportagens sobre o País Basco e a convivência com a ETA, tão boas que, coisa que nunca faço, me dei ao trabalho de fixar o nome do autor. Desde aí procuro sempre nas reportagens do Público ou da sua revista o seu nome, pois sei que a sua leitura me fará embarcar numa vertigem indizível. Paulo Moura foi depois enviado especial na guerra do Iraque - e quem conhece o seu estilo algo sui generis de escrita saberá que essas suas reportagens são simplesmente imperdível. Depois disso, nunca mais vi o seu nome no meu jornal de eleição, até que algum tempo depois surgiu a tal grande reportagem sobre imigrantes ilegais nas florestas marroquinas, e eu percebi o que o tinha mantido ocupado durante todo esse tempo.
Soube agora que Paulo Moura escreveu um livro sobre essa experiência. Mesmo sem ler qualquer excerto, não tenho dúvidas em recomendá-lo, e comprá-lo-ei assim que possível. "Passaporte para o Céu", de Paulo Moura, pela Dom Quixote, € 14,85 segundo o site da fnac. Não percam. Como aperitivo, deixo-vos uma crónica deste senhor repórter que descobri no Memória Inventada (uma agradável descoberta):

Também Sou um Ilegal

Sou um ilegal. Por exemplo (e isto é uma confissão que faço publicamente pela primeira vez): numa escaldante noite de Agosto, peguei na moto, a minha saudosa Honda VFR 800 FI, e fui de Lisboa ao Porto a 280 km/h. Nem os radares me detectaram. (...)

Magdalene, uma menina de 16 anos, não tinha dinheiro para pagar, aos mafiosos como Karim, a travessia do Estreito e estava a morrer de febre tifóide numa floresta dos arredores de Ceuta. Como era muito boa aluna na Nigéria, acreditava que, mal chegasse à Espanha, teria uma bolsa do Governo para prosseguir os estudos. Quando lhe perguntei porque teria essa sorte, quando todas as outras nigerianas são obrigadas a prostituir-se, deu-me a resposta mais inteligente que eu ouvi em toda a minha carreira de jornalista: "Porque o meu Deus te vai usar a ti para me ajudar".
Eu decidi escondê-la na mala do carro, trazê-la para Portugal e tratar dela. Fui à fronteira investigar as probabilidades de sermos revistados e apanhados, congeminei planos e estratégias, mas decidi não a trazer. Abandonei a Magdalene.

O chefe da floresta, um nigeriano alto com ar de cowboy a quem chamavam o "Americano", fez-me prometer-lhe outro tipo de ajuda. Regressou à Nigéria e pediu-me por email que entregasse na embaixada uma carta de recomendação com um termo de responsabilidade e um convite para visitar Portugal.
O "Americano" era um homem inteligentíssimo que, se tivesse realmente nascido nos EUA, seria um prestigiado professor ou advogado.
Como nasceu na Nigéria, era o chefe da Mafia.
Num outro email, mandou-me fotografias de duas estatuetas africanas do século XII A.C saqueadas num museu. Explicava que pertenciam à sua família e pedia-me que lhe encontrasse comprador. Seria o início da sua vida de homem de negócios em Portugal.
Pensei numa das tiradas Michel Houellebec: nós não odiamos os imigrantes por os considerarmos inferiores. Tememo-los porque achamos que são melhores do que nós.
E menti: escrevi ao embaixador português dizendo que o sr. M. Era um homem de bem e que vinha passar férias a minha casa. Se o plano do "Americano" para obter um visto resultou, cuidado: ele está aí a chegar!

Ao contrário de Magdalene, Aimee conseguiu atravessar. Mal desembarcou em Algeciras, a mafia enviou-a para Lisboa, onde se prostitui na praça do Intendente. Fui lá muitas vezes entrevistá-la, no âmbito dos meus trabalhos sobre imigração. Tornei-me amigo dela e das outras jovens nigerianas. Um dia, soube que ia haver uma grande rusga da Polícia e telefonei a avisá-las. "Aimee, fujam daí rapidamente, a Polícia vai prender todos os ilegais". Salvei-as.
Foi um dos dias mais felizes de que me lembro, confesso-o publicamente pela primeira vez.
Sou famoso no Intendente. Chego lá e um enchame de prostitutas negras corre a abraçar-se a mim: Paulô, Paulô! A Polícia pensa que sou um traficante disfarçado de chulo e deixa-me em paz.

Paulo Moura, Público, 2.4.06

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O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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