Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Regresso lutuoso

Depois de um lutuoso interregno causado por imprevistos - mas infelizmente demasiado previstos - acontecimentos, o Altermundo volta ao mundo dos vivos... 
(e desde já as minhas desculpas pelo atraso na resposta aos comentários)
Ainda a inteirar-me das implicações das notícias desta semana, não vou falar da licenciatura do sr. Sócrates (não seria tudo mais simples se os notáveis portugueses fossem tratados apenas por "sr.", como tão impecavelmente fazem os britânicos?), cujos fraternos laços com a nefasta Universidade Independente permanecem por desvendar por mais esclarecimentos que (não) se façam. Também não falarei das eleições timorenses, a aguardar mais definitivos resultados, nem das novas diatribes iranianas, apenas o culminar da política externa de Teerão ou da  al-qaedização do terrorismo na Argélia.
Por ora, quero apenas frisar que a eleição do Verdadeiro Melhor Português de Sempre, que deveria já ter terminado, se prolongará para mais alguns dias. Isto dará, espero, tempo para que os votantes corrijam os resultados actuais e que põem Eusébio em primeiro lugar, e deste modo para que eu possa respeitar inteiramente a atmosfera democrática desta gaulesa aldeia...
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Cartoon da semana: Bush, o cabeleireiro

O cabeleireiro Bush apara as pontas do cabelo de Kim Jong Il... com Ahmadinejad a espreitar sorrateiramente... Poderia haver melhor resumo para a semana que passou?




Via Cagle cartoons, um desenho de Petar Pismetrovic para o jornal Kleine Zeitung da Áustria.
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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Xeque - Irão virtual vencedor do xadrez nuclear

Há poucas semanas Jacques Chirac cometeu a enorme gaffe de dizer o que pensava (o que sempre resulta suicidário em política) ao afirmar em entrevistas, pensando estar off the record, que não haveria grande mal de o Irão possuir "uma ou duas" bombas atómicas (declarações debalde desmentidas pela diplomacia francesa; o mal já estava feito).
Agora foi a vez do responsável pela política externa da União Europeia, Javier Solana, admitir num relatório confidencial distribuído aos líderes diplomáticos dos países-membros que foi divulgado pelo Guardian que "será muito difícil impedir o Irão de aceder, mais cedo ou mais tarde, à arma atómica".
Histéricas, as diplomacias europeias apressaram-se a disfarçar o incómodo mas, uma vez, mais, o mal está feito. Constitui também um autêntico tiro no pé e uma estratégia suicidária numa altura em que os Estados Unidos tentam pressionar a UE a aumentar as sanções económicas contra o Irão. É claro que, com declarações destas, não há sanções que resultem. Esta parece ser, muito pragmaticamente, a conclusão de Solana - já que a reconheça é, neste complexo xadrez nuclear que se joga entre Teerão e as capitais do Ocidente, um autêntico xeque a si próprio.
Ahmadinejad pode pois dormir sossegado, pois o seu plano de reforço (a nível externo mas com assunções destas de inferioridade também a nível interno a sua imagem sai reforçada), em todas as esferas - política, económica, diplomática,  - do prestígio e poder iranianos está a resultar na perfeição.
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

Cartoon da semana

"The boy who cried Wofowitz", do excelente Cagle Cartoons!

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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

O espectro da guerra civil na Palestina: uma guerra por procuração

De súbito, algo que durante muito tempo não julguei possível parece perigosamente perto. Até há pouco, sempre me convenci que o espírito de unidade existente entre os palestinianos (um sentido de comunidade que é tão próprio dos árabes), uma umma que sempre vi como especialmente forte, seria o suficiente para que as sempre efervescentes relações entre as díspares facções palestinianas deslizassem para a guerra civil.
Agora, receio que esse conflito, sempre tão perto e ao mesmo tempo tão longe - sempre afastado pela umma palestiniana - esteja a ponto de rebentar. Ontem, ao ler o Público, percebi finalmente porquê... a resposta estava de resto já lá há algum tempo.

"Analistas afirmam que os combates podem ser vistos como uma guerra por procuração entre os Estados Unidos, que estão a tentar formar a guarda presidencial de Abbas, e o Irão, que apoia o Hamas. (...)
Altos responsáveis israelitas adiantam que a decisão tomada na semana passada de impedir o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, de fazer entrar 35 milhões de dólares em Gaza se deveu em parte às preocupações de que esse dinheiro fosse destinado à força executiva [força armada do Hamas], o que o Hamas nega.
Washington quer canalizar fundos para a guarda presidencial de Abbas. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, afirmou na semana passada que a Administração irá fornecer dezenas de milhar de dólares às forças de Abbas, esperando apenas uma aprovação do Congresso. Com a ajuda de Washington, a guarda presidencial de Abbas atingiu os quase 4 mil membros. (...)
O Hamas expandiu rapidamente a sua força para os 6 mil membros e promete acrescentar-lhe combatentes no futuro. Isto, não incluindo os milhares que lutam sobre o seu braço armado. (...) Desde que subiu ao poder, o Hamas fez entrar pelo menos 80 milhões de dólares em Gaza através da travessia em Rafah, dizem diplomatas e observadores. Mobilizada primeiro pelo governo Hamas nas ruas de Gaza em Maio, a força executiva é constituída maioritariamente por membros das Brigadas e inclui membros de facções aliadas de activistas. Mas o Hamas não revela onde é que as forças executivas vão buscar dinheiro, armas e equipamento." [mas isso é elementar... ao Irão, claro, onde mais?]

Surpreende-me de qualquer forma a ousadia iraniana: exímio jogador de xadrez - ao que julgo originário daquela região - acredita nos seus dotes xadrezísticos a tal ponto que, face ao impasse no tabuleiro libanês e ao paulatino desenvolvimento do tabuleiro iraquiano, não hesita em levar a cabo um exercício de "simultâneas". Para os não versados em linguagem xadrezística, estas ocorrem quando um jogador, normalmente de capacidade muito superior aos oponentes, joga ao mesmo tempo vários jogos de xadrez com adversários diferentes.
Teerão parece acreditar que as suas capacidades são de facto muito superiores - o que talvez seja verdade, ou pelo menos nisso o fizeram acreditar os disparatados lances que o mais perigoso adversário, os Estados Unidos, fez anteriormente.
Atento observador da geopolítica da região - e impotente para ser mais do que observador atento - o rei Abdullah II da Jordânia já tinha alertado para a iminência destas "simultâneas", tendencialmente conducentes a três guerras civis, e ao enorme perigo que todas elas representam. Elas parecem hoje mais perto que nunca...
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

Resolver o atoleiro do Iraque - dos bons e maus xadrezistas

Após a derrota nas eleições intercalares, o governo Bush e o seu correligionário Blair parecem ter percebido finalmente aquilo que desde sempre esteve à frente dos seus olhos: que o problema do Iraque - que foi por ele criado - não pode ser resolvido olhando apenas para o próprio Iraque, como se ele estivesse isolado do resto da região, como se não houvesse interacções óbvias entre os vários actores geoestratégicos do xadrez do Médio Oriente.
Propõem-se agora, em gestos de suposta magnanimidade, propor à Síria e ao Irão uma participação no futuro do Iraque - como se, agindo como até agora, elas não estivessem já a desempenhar tal papel... Mas isto os Estados Unidos e o Reino Unido sabem-no; trata-se, portanto, de chamar estes dois actores ao palco certo, ou seja, a uma actuação conforme aos planos de Washington para a região.
No Público de ontem faz-se uma tentativa de análise do que poderá estar em cima da mesa, num ainda putativo diálogo diplomático entre Washington e Londres, de um lado, e Damasco e Teerão, do outro:

"O preço que Teerão e Damasco pediriam em troca da ajuda no Iraque seria muito alto, concordam vários analistas. Aparentemente, os dois países querem negociações genuínas e não limitadas a determinados temas. E exigem debater a questão israelo-palestiniana para obter uma "paz justa".
Isto parece-me lógico. Não é expectável obter qualquer concessão se não se negociar seriamente, e isso implica que não haja dossiers não negociáveis.

"A Síria, pelo seu lado, ambiciona recuperar a sua influência no Líbano, negociar a devolução dos Montes Golã, conquistados e anexados por Israel. Estará também interessada num compromisso quanto ao tribunal que julgará os suspeitos da morte do antigo primeiro-ministro libanês Rafiq Hariri. O processo deve incluir responsáveis de Damasco e libaneses aliados do Presidente sírio, Bashar al-Assad, que nega envolvimento."
Penso que uma negociação franca das duas partes deveria obter como resultado uma ajuda síria em troca da devolução dos Montes Golã, já que um compromisso em torno da questão Hariri seria moralmente nefasto para o Ocidente. Tendo dito isto, estou convencido de que os ditames da realpolitik levarão a que se recuse negociar a devolução dos Montes Golã - que a Síria legitimamente reclama a Israel, mas que este país por intermédio do seu grande amigo americano nunca aceitará - e se aceite um compromisso espúrio em torno do futuro julgamento dos supostos envolvidos na morte de Hariri. E os americanos têm experiência em julgamentos politicamente enviesados...

"O Irão, por seu turno, não deverá contentar-se com menos do que uma normalização das relações com os Estados Unidos - uma reversão completa do antagonismo actual - e o direito de prosseguir o seu programa nuclear."
Aqui, penso que a normalização das relações diplomáticas com Washington - e por arrasto com os restantes países ocidentais - é algo de perfeitamente razoável e a utilizar sem dúvida como moeda de troca. Duvido no entanto que tal seja suficiente para que Teerão (cujo poder de influência é grande, por oposição ao limitado papel que a Síria, mesmo que o queira, poderá desempenhar)  venha a ter um papel preponderante na estabilização do Iraque tal como a desejam os Estados Unidos.
Como não me parece que seja viável um acordo quanto à pedra de toque, o dossier nuclear - de que Teerão só muito dificilmente, sob pressões que o Ocidente não está em condições de colocar, abdicará - veremos apenas um papel limitado do Irão no refreamento dos amigos xiitas iraquianos. Porque é óbvio que, com os xiitas no poder e de rédeas razoavalmente livres (tendo Teerão as mãos nessas rédeas para casos de emergência), o Irão ganha um inestimável aliado na região e estende mais o seu poder e o seu peso político-diplomático.
É isto que neste momento me parece inevitável e constitui certamente um quebra-cabeças a fazer lembrar aqueles problemas de xadrez que aparecem em certos jornais, o qual os diplomatas americanos quase certamente não saberão ou não conseguiram resolver... Também nisto, neste "pensar muito  à frente", Bush, enquanto presidente da mais poderosa nação do mundo - e qualquer um nessa posição tem de ser um excelente jogador de xadrez político, e qual Kasparov saber antecipar o movimento do adversário várias jogadas à frente - também nisto, repito, Bush devia ter pensado quando, 5 jogadas atrás no tabuleiro do Médio Oriente, avançou os seus peões sobre o adversário...
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

Irão, ainda (e cada vez mais) o país de que se fala

Extractos do editorial do Público de hoje (como sempre que não é da autoria de JMF, merece ser lido):

"Quando deflagrou a guerra no Iraque, em Março de 2003, a opinião pública mundial estava já farta de ouvir argumentos "definitivos": o mundo corria perigo, o Iraque podia ter armas de destruição maciça (químicas, atómicas, o que fosse), era preciso marchar para o Iraque. Marchou-se. Depois da palavra, muitas vezes falsa, provocar mais ruído que as próprias armas. Um professor jordano, Adnan Hayajneh, entrevistado então (...) profetizava: «OS EUA podem ganhar a guerra. Mas não vão ganhar a paz. O Iraque não será o fim de um processo. É o princípio.» Restava saber de quê. E a que preço. Agora, passados três anos, parte do preço está à vista. E é elevado. Também está à vista o princípio de que falava Hayajneh: era o princípio de uma ofensiva global do radicalismo islâmico (...)
Na altura, com as baterias viradas para o Iraque, o Irão foi minimizado. Melhor para ele: (...) desta vez, o Irão (...) tem mais trunfos do que tinha há três anos. Conta com o belicismo israelita, mesclado ao seu eterno pavor de nação sitiada (...) Anteontem, inaugurou o projecto de um reactor de água pesada (...) em Israel, embora o reactor só deva estar concluído em 2009, já uma voz se levantou (...) afirmando que Israel se deve "preparar militarmente" para enfrentar Teerão. Para Ahmadinejad, tais palavras soam como uma suave melodia. Enquanto ele vai dizendo ao mundo "têm de aceitar a realidade de um Irão poderoso, amante da paz e desenvolvido", prepara-se já para o enfrentamento militar que o futuro eventualmente lhe reserva.
Dia 31 termina o prazo dado pelas Nações Unidas ao Irão para refrear a sua estratégia nuclear. Teerão, com o anúncio de ontem, ensaiou uma resposta. Agora, tremerão as diplomacias. Depois, se a insanidade se instalar de novo, ouvir-se-ão as armas. Até onde iremos, desta vez?"
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