Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Bem vindos ao Turquemenistão

No Público de hoje, uma notícia aparentemente provinda do correspondente deste pasquim no Turquemenistão:

"PND pede estátua de 50 metros a Jardim (...) o PND propõe que no "próximo orçamento regional seja reservada uma verba adequada para esta importante obra de reconhecimento e gratidão". Com 50 metros e fundida em cobre, deverá, segundo a proposta, ser colocada na entrada do porto e "concebida de forma a possuir uma escada interior que permita aos visitantes a subida até à altura da cabeça, de onde poderão observar o Funchal, através dos olhos do seu amado líder". Deverá ainda estar dotada de "um mecanismo propulsor interno que permita que a estátua acompanhe o movimento do sol, como fazem os girassóis", e, do cimo, sair "um forte silvo que simbolize para as gerações vindouras os imortais dotes oratórios" de Jardim."

Só faltou a comparação ao já defunto Saparmurat "Turkmenbashi" Nyazov...
Mas falando a sério, estava à espera que no final a notícia dissesse: "E então ele riu-se descontroladamente".
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um discurso de Abraracourcix às 00:45
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!
Segunda-feira, 11 de Setembro de 2006

O bailinho da Madeira - impressões avulsas do Jardim do sr. malcriado

Antes de mais importa dizer que, como muito boa gente (a maior parte das quais, desconfio agora, nunca lá foi), tinha preconceitos contra a Madeira. Para mim, ela só era conhecida praticamente por maus motivos: o offshore, o (antigamente, penso que actualmente já não) turismo sexual, o sr. malcriado e o ultra-catolicismo . Sabia que era uma ilha naturalmente bonita, conhecida por "pérola do Atlântico", mas sempre julguei que os seus atributos não eram suficientes para o muito que se gasta a lá ir e para suplantar os defeitos.
Por isso, fui muito agradavelmente surpreendido. A ilha é linda de morrer, em dois dias consegui ver a maior parte dos pontos imperdíveis, mas muito ficou por ver, sobretudo, dizem-me, os sítios que só os locais conhecem e que são mais lindos ainda que os outros. Vou ver se aqui coloco algumas das fotos que tirei, depois de ver que tal ficaram. Seja como for, aconselho vivamente todos os que nunca foram à Madeira a porem de lado os preconceitos, em caso disso, e a visitarem-na assim que possível. Não é concebível termos um sítio destes no nosso país, por longe que seja, e não o conhecermos.
Aqui compete-me dizer que não sou apologista de posts que versem sobre a minha vida pessoal. Quebrei a regra com o presente post para partilhar algumas impressões avulsas:

1. O Funchal é uma cidade linda, sobretudo vista de cima, das íngremes colinas que a rodeiam por quase todos os lados - por exemplo, vista do quarto do meu hotel, era de perder a respiração... É uma cidade linda, dizia, mas completamente caótica. Andar de carro é uma aventura, em primeiro lugar pelas ruas sinuosas, estreitas e de inclinação impossível do centro, mas sobretudo pelas escassas indicações e regras de sinalização das estrada muito próprias, o que, juntamente com os muitos sentidos obrigatórios, túneis ("furados" na língua autóctone) e ruas justapostas (do tipo, uma por baixo do túnel, outra por cima) em que muitas vezes passamos no mesmo sítio mas a alturas diferentes sem disso nos apercebermos, faz com que nos percamos, dando 30 voltas ao mesmo quarteirão para finalmente chegar ao sítio pretendido... Um pesadelo onde só falta mesmo um minotauro !...

2. Tenho o hábito de, em jeito de coleccionador, comprar sempre um jornal dos países para onde vou. Munido desse espírito, não podia deixar de comprar um jornal madeirense... O único que encontrei (admito que haja mais) foi um semanário chamado "Notícias da Madeira", que para semanário era bastante fino e continha muito poucas notícias. Chamou-me a atenção no entanto o tom muito mais acrítico do que os jornais continentais, embora saiba que os jornais locais, ou das terrinhas, tendam a ser muito mais "folha de alface", menos engagés . A notícia mais importante era de suposto comentário (não apresentava uma única reflexão significativa) a declarações do sr . Jardim de que queria transformar a Madeira na Singapura do Atlântico. Não querendo tirar conclusões precipitadas, até li o artigo, tentando compreender em que consistiria ser a Singapura do Atlântico, mas confesso que não descobri... Para além disto, quase todo o jornal era a falar da obra de vários presidentes de câmara - enfim, aquilo era o que verdadeiramente se chama um pasquim.

3. O padre que celebrou o casamento a que fui no Funchal confirmou as minhas piores suspeitas acerca do espírito beato de quase todos os madeirenses . Para começar, a própria noiva, sendo uma pessoa nova, desempoeirada e de espírito razoavelmente aberto, chamava-o de sr . padre", um fórmula respeitosa que eu pensava que já não se utilizava nos nossos dias (tenho mais amigos católicos que o poderão confirmar). E o dito sr . padre" era tão velho, falava de forma tão arrastada, que eu só queria que ele aguentasse até ao fim do casamento - ao menos que os noivos saíssem casados... Mas a parte pior foi na missa propriamente dita. Sou tudo menos entendido no rito católico, mas há uma parte em que o padre pede aos presentes que sigam uma qualquer passagem que ele vai ler em que é suposto todos se ajoelharem. Nas várias missas a que já fui (em casamentos quase todas) isso nunca aconteceu, e os meus amigos mais uma vez confirmam que, nos dias que correm, as pessoas se limitam a ficar em pé de cabeça baixa, ou nem isso. Pois bem, naquela missa toda a gente se ajoelhou mesmo... Eu e a minha mulher ficámos em pé, olhando um para o outro com ar de quem estava numa cena surreal, quase a antecipar a expulsão da igreja, uma multidão em fúria a perseguir-nos... em pânico, olhámos em volta à procura de mais alguém que não estivesse de joelhos - durante vários minutos, só nós e uma senhora estávamos em pé, mas era para nós que o padre dirigia olhares fulminantes, a tal ponto que, mesmo antes de se sair da igreja, o padre rematou a missa dizendo enquanto nos varava com o olhar "rezou quem quis"... e ficou tudo dito.

4. No copo de água, uma conversa que o pai da noiva teve comigo diz muito da mentalidade ainda dominante. Dizia o senhor que Alberto João Jardim é muitas vezes malcriado, passa o limite, mas que na maior parte das coisas "até tem razão"...  E eu lembrei-me que, há cerca de 40 anos, Jardim lutou para derrubar um outro ditador do qual se diziam coisas não muito diferentes disto... É isto o pensamento de um madeirense. Esquecem-se dos danos que o simples facto de o sr . Jardim lá estar e dizer o que diz causa à imagem que as pessoas no continente  (eu incluído) têm da Madeira... Danos que fazem com que muitas pessoas detestem a Madeira, ignorando, ou escolhendo ignorar, que a Madeira é um sítio lindo de morrer. Do melhor que existe em Portugal.
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por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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