Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Também morreu George Habash, o terrorista anti-Arafat

Período carregado de mortes importantes, este...
Mais uma citação do Público, em relação a Habash (autor confesso ou acreditado de inúmeros atentados terroristas, sequestros de aviões, etc.), comunista, laico e inimigo interno de estimação de Arafat:

"Sem Habash nem Arafat, a Palestina, que antes era berço dos nacionalistas, passou a ser um campo de recrutamento dos islamistas do Hamas e da Jihad. Chegou ao fim uma era no Médio Oriente: morreram os que lutavam por um Estado laico, mesmo que não fosse ao lado de Israel."
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

O espectro da guerra civil na Palestina: uma guerra por procuração

De súbito, algo que durante muito tempo não julguei possível parece perigosamente perto. Até há pouco, sempre me convenci que o espírito de unidade existente entre os palestinianos (um sentido de comunidade que é tão próprio dos árabes), uma umma que sempre vi como especialmente forte, seria o suficiente para que as sempre efervescentes relações entre as díspares facções palestinianas deslizassem para a guerra civil.
Agora, receio que esse conflito, sempre tão perto e ao mesmo tempo tão longe - sempre afastado pela umma palestiniana - esteja a ponto de rebentar. Ontem, ao ler o Público, percebi finalmente porquê... a resposta estava de resto já lá há algum tempo.

"Analistas afirmam que os combates podem ser vistos como uma guerra por procuração entre os Estados Unidos, que estão a tentar formar a guarda presidencial de Abbas, e o Irão, que apoia o Hamas. (...)
Altos responsáveis israelitas adiantam que a decisão tomada na semana passada de impedir o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, de fazer entrar 35 milhões de dólares em Gaza se deveu em parte às preocupações de que esse dinheiro fosse destinado à força executiva [força armada do Hamas], o que o Hamas nega.
Washington quer canalizar fundos para a guarda presidencial de Abbas. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, afirmou na semana passada que a Administração irá fornecer dezenas de milhar de dólares às forças de Abbas, esperando apenas uma aprovação do Congresso. Com a ajuda de Washington, a guarda presidencial de Abbas atingiu os quase 4 mil membros. (...)
O Hamas expandiu rapidamente a sua força para os 6 mil membros e promete acrescentar-lhe combatentes no futuro. Isto, não incluindo os milhares que lutam sobre o seu braço armado. (...) Desde que subiu ao poder, o Hamas fez entrar pelo menos 80 milhões de dólares em Gaza através da travessia em Rafah, dizem diplomatas e observadores. Mobilizada primeiro pelo governo Hamas nas ruas de Gaza em Maio, a força executiva é constituída maioritariamente por membros das Brigadas e inclui membros de facções aliadas de activistas. Mas o Hamas não revela onde é que as forças executivas vão buscar dinheiro, armas e equipamento." [mas isso é elementar... ao Irão, claro, onde mais?]

Surpreende-me de qualquer forma a ousadia iraniana: exímio jogador de xadrez - ao que julgo originário daquela região - acredita nos seus dotes xadrezísticos a tal ponto que, face ao impasse no tabuleiro libanês e ao paulatino desenvolvimento do tabuleiro iraquiano, não hesita em levar a cabo um exercício de "simultâneas". Para os não versados em linguagem xadrezística, estas ocorrem quando um jogador, normalmente de capacidade muito superior aos oponentes, joga ao mesmo tempo vários jogos de xadrez com adversários diferentes.
Teerão parece acreditar que as suas capacidades são de facto muito superiores - o que talvez seja verdade, ou pelo menos nisso o fizeram acreditar os disparatados lances que o mais perigoso adversário, os Estados Unidos, fez anteriormente.
Atento observador da geopolítica da região - e impotente para ser mais do que observador atento - o rei Abdullah II da Jordânia já tinha alertado para a iminência destas "simultâneas", tendencialmente conducentes a três guerras civis, e ao enorme perigo que todas elas representam. Elas parecem hoje mais perto que nunca...
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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

A novidade (?!?) do Hezbollah

Alguns analistas políticos parecem, no rescaldo - por ora provisório, mantenho - do conflito Israel-Líbano, terem descoberto a pólvora: é o caso do Público (mais uma vez, não deixo link por se tratar de um site de acesso pago), que na edição de hoje lança a questão da "originalidade" do modelo Hezbollah.
Falsa originalidade quanto a mim. Em primeiro lugar, por o Hezbollah ser um movimento que já existe há pelo menos duas décadas, e com ele o pretenso novo modelo. Em segundo lugar, por não ser caso único. No mundo árabe, não o consideraria sequer como excepção: temos o igualmente famoso Hamas na Palestina, que segue exactamente o mesmo modelo de ajuda social-doutrina extremista-guerrilha - a única diferença sendo os superiores meios ao alcance do Hezbollah por via do seu apadrinhamento, que lhe permitem ter um mais completo armamento (e mais eficaz no tipo de combate a que se propõe) - mas não na eficácia da sua rede de suporte social, tão importante na Faixa de Gaza e Cisjordânia como no sul do Líbano. Aliás, foi precisamente com base nessa rede que o Hamas conseguiu ser eleito (de forma completamente democrática, o que toda a gente, particularmente diplomatas, parecem ou querem ignorar).
De resto, existem outros exemplos no mundo árabe, apenas com menos meios e visibilidade, como por exemplo a Irmandade Muçulmana e até os taliban... Ou seja, a pretensa fórmula da pólvora já existe há muito tempo, e já há muito que os líderes islamistas - pelo menos os que têm alguma inteligência - perceberam o poder desta fórmula.
Estou de acordo, no entanto, com a premissa de que é um modelo que ameaça espalhar-se... e é este um dos principais motivos, não apreendidos por Israel ou pelos Estados Unidos (e interrogo-me se o terá sido pela Europa), que faz com que, após este conflito no Próximo Oriente, os tempos vindouros venham a ser, a níveis que ainda iremos descobrir, tempos perigosos...
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006

Um elefante numa loja de porcelana

Prossegue a ofensiva do exército israelita na Faixa de Gaza... E não consigo deixar de imaginar a imagem do título do post: a de um gordo e bruto paquiderme a entrar por uma minúscula loja atulhada de porcelanas por tudo o que é lado.
Se compreendo a necessidade de uma reacção de força ao rapto do soldado israelita, não é menos verdade que à boa moda israelita essa reacção foi totalmente desproporcionada. Não penso que nada de bom possa advir da ofensiva em curso. Não só dificilmente levará à libertação do soldado (que não penso aliás que seja um dos objectivos dos militares...) como se arrisca a unir os palestinianos, o que no caso significa - reduzindo a margem de manobra do Hamas mas também de Abbas e de qualquer tipo de oposição, aproximando-os portanto -  aumentar a esperança de vida do pária governo do Hamas...
Hélas, nada de novo no mais conturbado cantinho do Médio Oriente...
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   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
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por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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