Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

O PCP e o Tibete: a minha resposta à resposta de Bernardino Soares

  Caro Bernardino Soares

(espero que não estranhes o tutoiement, é a minha norma blogosférica, bem como penso ser a norma comunista)

Obrigado antes de mais pela resposta, que sinceramente não esperava.

Muito folgo que, pelo menos, o PCP manifeste o seu pesar pelas vítimas e apele ao fim da violência e a uma resolução pacífica da questão.

Não sou no entanto ingénuo ao ponto de pensar que não existe manipulação da informação veiculada. Eu frisei isso na minha carta: sei que ela existe, e que existe dos dois lados (na tua resposta só referes a manipulação "ocidental"); tal como sei - porque isso também passou nos media ocidentais - que os protestos iniciais por parte de tibetanos assumiram também contornos violentos. Não estou como é óbvio de acordo com qualquer tipo de violência, possa ela ser justificada ou não, e julgo que o que escrevi antes deixa claro este meu ponto de vista.

Não compreendo no entanto as aspas relativas à "ocupação chinesa há mais de 50 anos". É um facto que a China ocupou o Tibete há cerca de 50 anos. Ou o facto de haver militares chineses e orgãos de soberania chineses, contra a manifesta vontade dos Tibetanos, não é ocupação? E se é verdade que durante a maior parte da sua história o Tibete não foi independente, é igualmente um facto que o foi (pelo menos de facto) no período imediatamente anterior à ocupação chinesa.

O que está em causa, de resto, nem sequer é a questão da independência, pelo que nem sequer faz grande sentido levantá-la. Como bem dizes, os próprios Tibetanos não se opõem à soberania chinesa; opõem-se isso sim à sistemática aniquilação da sua cultura. O que está em causa é o princípio da auto-determinação, tal como o Dalai Lama repetidamente insiste (embora raramente seja ouvido neste aspecto), princípio que aliás está inscrito na Carta das Nações Unidas. Este não equivale necessariamente a independência, apenas, como é aqui o caso, do direito de cada povo a decidir de si próprio - e o Tibete não se importa de ser chinês, desde que isso permita a livre expressão da sua cultura e religião (que também não é tolerada pela China).

Quanto às tuas alegações em relação a feudalismos e formas de escravatura, não deixas de ter razão: são sistemas contrários aos Direitos Humanos. A sua abolição, porém, pode ser efectuada de múltiplas formas, e não exlusivamente pela força da bota chinesa. De resto, este é uma linha argumentativa perigosa: sob ela alicerçaram os Estados Unidos a sua invasão do Iraque, por exemplo, à qual (e bem) o PCP se opôs.

Alegro-me pelo facto de te teres dado ao trabalho de visitar o meu blog. Espero que talvez o visites novamente (não é preciso concordar com um blog para o ler), e até quem sabe deixar comentários, que seráo sempre bem vindos, concordantes ou não comigo. Quanto à questão do Kosovo, é outro assunto em que discordo com a linha adoptada pelo PCP (mais uma vez as antigas fidelidades a ditarem as suas regras...). O meu ponto de honra é a auto-determinação dos povos, não necessariamente dos países. A inviolabilidade das suas fronteiras deve ser sempre que possível adoptada como ponto de partida para a resolução de questões de auto-determinação (casos na Europa não faltam), mas quando tal não é possível há que avançar para alternativas. No Kosovo é patente que seria impossível a manutenção das fronteiras sérvias, com interferências externas, é certo, mas a partir do momento em que sucederam não se pode retirá-las de cena.

A minha nota final é para o teu argumento de que "é evidente que o apoio a movimentos separatistas por parte de potências ocidentais, é um reflexo do avanço de pretensões de ingerência directa e indirecta no território da China.". Elas existem, como é óbvio - não sou ingénuo como te parece decorrer da minha carta - mas também existem por parte da China, por exemplo no Sudão. Chama-se realpolitik. Não gosto dela, seja por parte de quem for - Estados Unidos, China, Rússia, UE - mas existe. Dos dois lados, como tudo nesta questão (em todas as questões).


                Cumprimentos,


                       António Rufino
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O PCP e o Tibete: resposta de Bernardino Soares ao meu mail

O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, respondeu - e em pessoa, sem recurso a gabinetes ou secretários, o que muito me lisonjeia - ao mail que enviei em relação à posição comunista face à violência no Tibete:

"Caro António Rufino

 

Com todo o respeito pelas opiniões expressas sobre a posição do PCP em relação ao voto sobre os acontecimentos no Tibete, não posso estar de acordo com elas.

 

Penso mesmo que são injustas em relação ao que realmente é a posição do PCP. Envio por isso a intervenção proferida por ocasião desse debate.

 

Desde logo em relação à questão dos Direitos Humanos nela se afirma clara e inequivocamente: “Não está em causa a manifestação de pesar do PCP em relação às vítimas, o seu desejo de que os conflitos tenham uma resolução rápida e pacífica, bem como os seus princípios de defesa da democracia e dos direitos humanos.”.

 

Mas independentemente disso é impossível, ou pelo menos de uma grande ingenuidade, não compreender todo o alcance do que se está a passar.

 

Dizer que há deturpação de informações, como no caso das imagens sistematicamente difundidas como sendo no Tibete, de cargas policiais que afinal eram no Nepal, ou no constante esquecimento de que os protestos na origem dos acontecimentos também foram violentos, não significa negar que existem situações para as quais entendemos dever haver uma solução pacífica, como afirma a nossa intervenção.

 

E não pode significar qualquer dúvida de que o PCP não abdica dos seus princípios de defesa da democracia e liberdade, de que são testemunhos eloquentes a nossa história, o nosso programa e a nossa actividade política diária. São esses que nos responsabilizam. É por esses que respondemos e não por quaisquer outros.

 

Chamo também a atenção para as deturpações históricas sistematicamente feitas sobre a história do Tibete, pense-se o que se pense sobre a sua situação actual ou sobre a China. É o caso das referências à “ocupação chinesa de há mais de 50 anos”, tese sistematicamente repetida e que não tem adesão à realidade. Para além de não se conhecerem quaisquer questionamentos formais à integração da região do Tibete na China, nem sequer das potências que visivelmente ao longo dos anos têm apoiado e até armado movimentos separatistas, a verdade é que o Tibete é uma das regiões da China, com maior ou menor autonomia, desde há 700 anos. O próprio Dalai-Lama não defende a independência do Tibete. Mesmo no período após a revolução popular chinesa essa integração não foi questionada, até pelo próprio Dalai-Lama, que aliás integrou a primeira Assembleia Nacional Popular da China e teve funções de governação no Tibete nesse período.

 

Seria interessante aliás analisar as razões para a divisão que entretanto aconteceu por parte da nobreza e de dirigentes religiosos tibetanos, e a sua ligação com as iniciativas de abolição da servidão e da escravatura vigentes até a essa data naquela região, bem como de um acesso mais justo à terra e aos meios de subsistência.

 

Uma nota final para a questão do respeito pela soberania dos países e dos povos e pelo direito internacional. É que esse princípio está crescentemente ameaçado nos tempos que correm, como bem se verifica na questão do Kosovo (em que verifico que assume no seu blogue como natural o reconhecimento por Portugal da independência deste território), e do Iraque, entre outras. No caso concreto essa é também uma realidade relevante, porque é evidente que o apoio a movimentos separatistas por parte de potências ocidentais, é um reflexo do avanço de pretensões de ingerência directa e indirecta no território da China.

 

Espero com isto ter contribuído para uma melhor compreensão da nossa posição em relação ao voto apresentado.

 

Cumprimentos,

 

Bernardino Soares"

 

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Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Mail por mim enviado ao PCP em relação à questão do Tibete

Assunto: Carta de repúdio de um militante à posição do PCP na questão do Tibete


Camaradas,

No final da semana passada, foi votado na Assembleia da República um voto de protesto contra a recente irrupção de violência no Tibete, ao qual o PC foi o único partido a opor-se. Escrevo-vos para vos manifestar a minha veemente discordância e o meu repúdio face à vossa posição.
Independentemente de justificações, espúrias ou não, independentemente de alegados ataques à realização dos Jogos Olímpicos, de teorias da conspiração, de campanhas de desinformação (as quais, camaradas, podem ser alegadas pelos dois campos), o que está em causa é a coragem de assumir a defesa de uma posição mesmo que incómoda, mesmo que contrária a afinidades de outra índole. O que está em causa é não se refugiar em teorias da conspiração para não ter de se assumir algo incómodo: que possíveis afinidades ideológicas ou amizades políticas não podem sobrepor-se, nunca, aos mais básicos e absolutos dos direitos - os Direitos Humanos.
São estes os Direitos que devem valer, e estes, quaisquer que sejam os olhos com que se vejam (desde que se queira ver), foram - e são continuadamente desde a ocupação chinesa há mais de 50 anos - barbaramente violados no Tibete.
Do meu ponto de vista, camaradas, perderam toda a legitimidade moral para protestar e opor-se a tantos casos de ilegais invasões de países terceiros, grosseiras violações do Direito Internacional e violações dos Direitos Humanos por esse mundo fora. A questão do Tibete é-me demasiado clara para poder deixar passar em branco mais esta vossa agressão (não, não é a primeira...) àquilo em que mais profundamente acredito.

Camaradas, perderam com este acto o meu afecto e a minha militância. O meu cartão de militante do PCP, nº 36402, que com orgulho ostentava na minha carteira, foi colocado na gaveta. A minha militância também.
Hei-de continuar a chamar-me, a considerar-me, comunista, pois isso tem a ver com aquilo em que se acredita, e não com a pertença a um grupo ou partido. Hei-de ser para sempre comunista. Não posso, neste momento, continuar a ser e a considerar-me membro do PC.

          Cumprimentos,
      
                António Rufino

PS - Esta carta será também colocada no meu blog, altermundo.blogs.sapo.pt, como parte da minha manifestação de repúdio.
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Eleitoralismo precoce

Está confirmado oficialmente (como se necessitasse de confirmação): o Governo está já em campanha eleitoral. A descida do IVA de 21 para 20% foi anunciada por Sócrates como um "sinal" - só que, em meu entender, um sinal no sentido errado.
Do ponto de vista económico (algo de que eu entendo um pouco), esta descida até faria sentido se se pretendesse estimular a economia, numa altura em que paira o espectro de uma nova crise de que ainda não se sabe muito bem a natureza, duração ou dimensão. Deste ponto de vista, os agentes económicos receberiam um pequeno estímulo (mais em termos de expectativas que outra coisa, mas estas em Economia contam muito) a não reduzirem a sua actividade. No entanto, o discurso de Sócrates não foi neste sentido, mas antes de o "sinal" ser de que as maiores dificuldades já passaram.
Ora isto é duplamente mentira. Para além de ser nesta altura impossível prever com alguma certeza como evoluirá nos próximos tempos a economia (a portuguesa, a europeia, a americana, a mundial), qualquer economista minimamente sério (e menos engagé politicamente...) dirá que a redução de impostos só faz sentido quando o défice atingir um patamar bastante mais baixo.
Em termos de dificuldade de aplicação, o que o Governo fez até agora - baixar o défice além dos 3% - é o mais simples. Difícil mesmo é baixar mais ainda, para um nível que seja sustentado no longo prazo (pelo menos entre 1,5 e 2%). Este défice de 2,6% pode muito facilmente resvalar para cima, como já tantas vezes aconteceu em Portugal nos últimos tempos, mais ainda pela tentação eleitoralista. Seria preciso baixar mais ainda para se poder com segurança aplicar este tipo de medidas estimuladoras da economia.
Como nem Sócrates nem Teixeira dos Santos levaram o seu discurso por aqui, e apesar de classificarem a decisão como "prudente" (e é-o apenas porque a descida terá efeitos pouco mais que marginais sobre os preços, embora nem tanto sobre as finanças públicas), sobra apenas a explicação maldosa para esta medida...
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

Rir é o melhor remédio

Não há nada como começar o dia a rir. Hoje a caminho do metro, soltei uma gargalhada tão grande que todo o bairro ouviu!.. é que li na primeira página do Público, acerca da entrevista de Santana Lopes ontem à RTP1, que ele admite voltar a ser primeiro-ministro!...
Os meus agradecimentos à personagem pelo começo bem humorado de dia! É incrível... Achamos que conhecemos a peça, sabemos perfeitamente os dislates que diz, e no entanto ele consegue sempre dizer um disparate que nos surpreende...
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Terça-feira, 10 de Outubro de 2006

Terá o jardim do "sr. malcriado" os dias contados?

O Público de ontem traz um artigo suspeitamente elogioso em demasia para com a nova Lei das Finanças Regionais que penaliza a Madeira - já com rendimento per capita bem superior à média nacional - em detrimento dos Açores - ainda uma das regiões mais pobres e sem sombra de dúvida ainda mais periféricos que a Madeira.
Toca-se seja como for num ponto fundamental, e que apesar de - como qualquer um que seja genuinamente de esquerda - continuar muito crítico do Governo e do estilo socrático de governação, me obriga a tirar o chapéu a Sócrates: tal como todos os primeiros-ministros antes dele deveriam ter feito, teve finalmente a coragem de afrontar Jardim - provavelmente por pela primeira vez em muitos anos o Parlamento não estar refém em nenhuma circunstância da chantagem vergonhosa que os deputados do PSD-Madeira sempre faziam quando "don Jardim" assim o exigia.
Esta lei é de uma justiça a todos os títulos elementar, aplicando o princípio da subsidariedade que tinha sido subvertido ao longo dos sucessivos governos que foram cedendo a Jardim, ora lhe concedendo mais fundos, ora lhe perdoando dívidas, e sempre fechando os olhos à censura do Tribunal de Contas em relação ao absurdo nível de endividamento da Madeira.
Jardim não tem, não pode ter, nenhum argumento válido, e dá-me bastante gozo vê-lo pela primeira vez estrebuchar de impotência.

Extractos do artigo do Público, para atiçar um pouco mais o gozo e lançar algumas pistas de reflexão:

"Entre ameaças de recurso ao Tribunal Europeu, o Governo madeirense promete suscitar a inconstitucionalidade do diploma, fundamentando-se em pareceres encomendados a Marcelo Rebelo de Sousa, professor de Direito, comentador político e antigo líder do PSD, e a Paz Ferreira, coordenador do grupo de trabalho que elaborou a primeira lei das Finanças das Regiões Autónomas, criada pelo Governo de António Guterres, sendo Sousa Franco ministro das Finanças e Teixeira dos Santos, que também integrou aquela comissão, secretário de Estado do Tesouro. Em última instância, Jardim promete recorrer à Presidência da República, presentemente ocupada pelo "sr. Silva", cuja demissão do PSD exigiu, para pedir agora a não promulgação da lei.
Entretanto, conta com a ajuda dos três deputados eleitos pela Madeira (Guilherme Silva, Hugo Velosa e Correia de Jesus) e do açoriano Mota Amaral, que, em carta enviada ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, igualmente açoriano, mas socialista, pedem a não admissão do diploma enviado pelo Governo, cujo debate está marcado para 15 de Novembro. Alegam que o diploma contém normas "desconformes à Constituição e aos estatutos" regionais e acusam que o Governo, "ao querer centralizar no Estado a disciplina das finanças públicas, esquece que a autonomia financeira das regiões autónomas constitui um dos aspectos mais importantes do regime autonómico dos Açores e da Madeira, como decorre da Constituição".
"Evidentes desconformidades" entre o que está no estatuto e o que pretende o Governo encontrou Paz Ferreira. O coordenador da primeira lei entende que a nova proposta tem como pano de fundo um forte movimento centralizador.
Também Rebelo de Sousa encontrou na lei uma "manifesta inconstitucionalidade". Trata-se do artigo que faz depender a criação de impostos regionais, pelos governos insulares, do parecer prévio do Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras, criado pelo Ministério das Finanças.
Já os deputados defendem que "qualquer ofensa aos estatutos não deixa de constituir uma ofensa, ainda que indirecta, à lei fundamental". Evocando o princípio de solidariedade, concluem que as transferências de Estado "em caso algum corrente podem ser inferiores ao montante transferido pelo Orçamento do ano anterior multiplicado pela taxa de crescimento da despesa pública no Orçamento do ano respectivo".
Para evitar a redução nas transferências, Jardim contrapropôs que o PIB regional, empolado pela Zona Franca cujo peso foi estimado em 21 por cento, seja substituído pelo poder de compra concelhio. Este índice coloca a Madeira em último lugar entre as regiões portuguesas, pondo em questão o discurso autovalorativo da governação jardinista.
Mas o ministro não se dispôs a substituir aquele indicador (comummente aceite na União Europeia que afastou a Madeira de região Objectivo 1, com o consequente corte nos fundos comunitários), pelo poder de compra que o próprio presidente madeirense contestou e considerou insulto à região e ao nível de vida dos madeirenses. A ponto de incitar os presidentes das câmaras de Santana e de Câmara de Lobos, colocados entre os 10 concelhos mais pobres do país, a processar o INE por difamação."
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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006

Pinto Monteiro com sinal positivo, mesmo antes de tomar posse

Vem na primeira página do Público de hoje:

"Órgão máximo dos juízes descontente com novo PGR"

"Vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura diz que "não augura nada de bom" a nomeação de Pinto Monteiro. E teme deterioração da relação entre os dois órgãosSantos Bernardino, vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) e também juiz-conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça, assume uma atitude crítica relativamente à nomeação do novo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, anunciada na passada terça-feira pela Presidência da República. "Não estou particularmente eufórico ou entusiasmado com a nomeação do conselheiro Pinto Monteiro. Receio mesmo que o relacionamento institucional entre os dois órgãos, que sempre foi excelente e pautado pelo respeito mútuo, durante o mandato do dr. Souto Moura, se deteriore. (...)"

Traduzindo: como Pinto Monteiro é crítico - e assumiu-o claramente, o que é raro - em relação ao CSM, um dos seus membros amuou. Para mim, não gostar de um órgão que tem sido perfeitamente inútil e inócuo, só pode ser bom sinal.
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

Esquerda e direita em Portugal

Retirado de um artigo de opinião, da autoria de Rui Ramos, do Público de hoje, muito interessante para compreender as idiossincrasias da esquerda e da direita portuguesas, sobretudo desta última:

(...) "Na década de 1950, a propósito da IV República Francesa, Roger Nimier notou que num regime supostamente de esquerda "a direita predomina sempre, mas representada pelos seus elementos mais medíocres". A nossa democracia desde 1976 teve, em geral, o mesmo efeito, e pelas mesmas razões. A falta de debate e confronto político, devido à suposta hegemonia de esquerda e à retracção ideológica da direita, produziu um regime de habilidades, onde preponderam os "medíocres", não necessariamente no sentido dos menos capazes, mas daqueles que se conformam com as meias-tintas, com a indefinição, com os subterfúgios, que depois o usufruto do Estado justifica. As direitas, tal como aconteceu em França, foram até há pouco tempo as mais capazes a jogar esse jogo.
As esquerdas, se tivessem inteligência, já teriam percebido que lhes convinha que houvesse, claramente, uma "direita". Mas precisamente por isso as direitas farão tudo para não "existir". Costuma dizer-se que entre as mentiras que o diabo contou à humanidade, a maior seria esta: que o diabo não existe. Em Portugal, as direitas fizeram como o diabo. E não se têm dado nada mal."
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Novo procurador: já há substituto para o "gato constipado"

Pinto Monteiro será, a partir de 9 de Outubro, o novo Procurador-Geral da República. O Público diz que é "elogiado pela sua independência e frontalidade". Os partidos de direita elogiam, sinal da forma como se desenrolou o processo de escolha e a consulta aos partidos; a esquerda espera para ver.
Eu também espero para ver, porque como é costume na área do Direito não conheço o nome. Espero apenas, como já escrevi algures, que seja competente - é só o que se pede. Seja como for, pior que Souto Moura - o "gato constipado", como num momento de rara pontaria lhe chamou Prado Coelho - pior que esse senhor eternamente com ar de quem não pertence ali e preferia estar na cama a limpar os óculos e a assoar-se ao cachecol, pior que isso é impossível.
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Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

Marques Mendes no bolso de Sócrates

Não compreendo a insistência de Marques Mendes no estabelecimento de "pactos de regime" (só a expressão diz tudo sobre o nosso sistema democrático...), primeiro para a Justiça e, não contente com o que foi um claro trunfo dado de graça a Sócrates, agora também para a Segurança Social. Até agora, sempre pensei que Mendes era um bom político, apenas sem as condições para fazer uma oposição decente - o seu partido está ele próprio minado pela oposição interna. Agora começo a duvidar.
Se o acordo entre Sócrates e Mendes para a reforma da Justiça fosse um jogo de cartas, o vencedor seria claramente Sócrates, e Mendes um claro perdedor. O primeiro ministro vence simplesmente porque o adversário faz knock out a si próprio, pois não atinge nada que não tivesse já antes. Minimização de críticas ao seu projecto para a Justiça? O PSD não faz oposição, nem boa nem má. Não existem por isso críticas a anular por via deste pacto. Consensos necessários? O PS não precisa disso. Tem uma maioria mais que absoluta e, pelo ritmo da coisa, daqui a 3 anos terá outra.
Onde Sócrates ganha é precisamente na perda de Mendes, que em vez de se concentrar em áreas onde possa apresentar alternativas concretas prefere um pacto que anula uma possível área de oposição séria. Seguir-se-á porventura a Segurança Social, outra área ainda mais importante. E Marques Mendes fica assim sem qualquer área onde possa marcar diferenças face ao Governo. Daqui a 3 anos, ninguém conseguirá encontrar diferenças entre ambos. E, entre duas alternativas iguais, todos sabemos que os portugueses escolhem a que já está instalada.
Sócrates continua com este pacto a construção da sua auto-estrada sem qualquer trânsito nem obstáculo que o possa refrear (e sem limite de velocidade) rumo à segunda maioria absoluta. Espanta-me Marques Mendes não perceber isto, e ver apenas o curto prazo em que apresentará à oposição interna este fugaz trunfo, não vendo que apenas conquistou uma vitória de Pirro. A conclusão é só uma: Sócrates, goste-se ou não, é bom político (o que eu já sabia); Mendes não.
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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006

Ainda Setúbal, Carlos de Sousa e o PCP...

Excelente post no Bloguítica, que complementa o que tentei transmitir (de forma algo emocional confesso) anteriormente. Excerto (o post completo aqui):

"(...) O PCP sabe muito bem como é que ganhou a CMS em 2001. Basicamente, por duas razões. Em primeiro lugar, devido à ressaca de não sei quantos anos de gestão desastrosa do socialista Mata Cáceres. Em segundo, indo buscar um comunista com aura de pertencer à ala renovadora do partido e, sobretudo, indo buscar um elemento que tinha «obra feita» na Câmara Municipal de Palmela.
Ou seja, os habitantes de Setúbal -- um arco que englobava os comunistas, muitos desencantados do PS e muitos votos úteis do PSD, sim, do PSD... -- votaram em massa em Carlos Sousa. Em Carlos Sousa e não no PCP, faço questão de notar.
É por isso que substituir Carlos Sousa pela número três do PCP é uma falta de respeito pela vontade expressa pelos eleitores nas eleições de 2005 (em que Sousa perdeu a maioria absoluta, mas que, mesmo assim, obteve um resultado que apenas a ele se deve).
Que o PCP queira dar a volta à situação, percebe-se e compreende-se. O poder autárquico é demasiado importante para o PCP. (...)"
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Demissões na Câmara Municipal de Setúbal

Já aqui confessei a minha costela - malgré moi - setubalense. É por isso com particular atenção que tenho seguido as notícias que abalam aquela autarquia. A demissão de Carlos de Sousa, presidente, e do seu vereador do Urbanismo não deixa de ser de alguma forma surpreendente e, se se confirmar que está relacionada com o caso do suposto conluio para a demissão compulsiva de funcionários, deixa-me muito triste. Triste porque, há cinco anos e tal, mesmo já não morando em Setúbal mantive-me lá propositadamente registado, e desloquei-me expressamente à cidade para votar no sr. Carlos de Sousa - ou, para ser mais correcto, para expulsar o ex-presidente e ex-cacique local, Mata Cáceres. É por isso para mim, que levo as minhas escolhas eleitorais muito a sério, quase uma traição. Sobretudo porque, como votante assíduo do partido que vocês devem estar a adivinhar, não estou nada habituado (já sei que me vão chamar ingénuo...) a estes escândalos de tráficos de influência e quejandos... Faço por isso figas para que não seja o caso, para que as revelações do DN se revelem pífias, e quero acreditar que a demissão não esteja relacionada com isso, mas antes com isto (e as razões apontadas, nomeadamente o excessivo endividamento, são de facto verídicas):

"(...) A nota de imprensa do PCP de Setúbal nada adianta sobre as razões que terão estado na origem do afastamento dos dois autarcas. No entanto, segundo uma fonte partidária, que pediu à Lusa o anonimato, o PCP tem uma «análise pouco favorável do trabalho autárquico da equipa de Carlos de Sousa».

O coordenador da Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP negou que o relatório do IGAT tenha sido considerado na avaliação do trabalho autárquico. Fontes comunistas, que pediram anonimato, reafirmaram à Lusa que as «saídas de Carlos de Sousa e Aranha Figueiredo resultam da falta de coordenação e do endividamento cada vez maior da autarquia» e não das conclusões dos inspectores."

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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

Onde está o Wally?... perdão, Marques Mendes?

Perdoem-me os meus 2 ou 3 leitores o lapsus linguae, originado pelas semelhanças físicas e da situação em si... No entanto, a pergunta permanece como legítima: é que ainda não percebi o motivo pelo qual Marques Mendes não se deslocou à tradicional festa do Pontal, que marca (este ano, parece-me, um pouco cedo demais...) a rentrée do PSD. Não percebi se foi um acto deliberado, para marcar a diferença e distância face aos caciquismos e politiquices rasteiras instaladas na laranja (e obviamente não só na laranja...), ou se por pura indiferença ou desprezo, ou ainda por algum outro grande desígnio manter ocupado o líder do PSD. É caso para nos interrogarmos: "ganda nóia?!"
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O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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