Domingo, 13 de Julho de 2008

Não às detenções secretas

Apelo da Amnistia Internacional a Nicolas Sarkozy, enquanto presidente em exercício da União Europeia, para uma condenação à política de "rendição" americana. Podem assinar e enviar o apelo online. Este é o texto:

 

Dear President Sarkozy,                                                       
 

 

In view of France's Presidency of the European Union, I urge you to lead the EU Council to publicly condemn rendition and secret detention as unlawful. I am deeply concerned that the recommendations of the European Parliament and the Council of Europe made after investigations into Europe's role in rendition and secret detention have not been implemented. I further call on you to:

- Ensure that Members States establish independent parliamentary and/or judicial inquiries into allegations of co-operation in rendition and secret detention;
- Promote clear and binding safeguards against the use of the airspace or airports of EU Member States for the purposes of unlawful detention and rendition.

Respectfully,
 
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Clinton vs Obama: baralhar e voltar a dar

Quem acompanha este blog regularmente já deve saber que as primárias americanas são a minha obsessão do momento. Infelizmente ainda não tinha conseguido postar os meus comentários à "mini-super-terça-feira" de há 2 dias.
Por força da batalha sem fim entre Obama e Clinton pela nomeação para as presidenciais de Novembro, os dois maiores estados que votaram na terça-feira (e dois dos maiores em todos os Estados Unidos), Texas e Ohio, eram considerados decisivos para as aspirações de ambos os democratas - do lado republicano, eram vistos apenas como a confirmação aritmética da nomeação de John McCain, o que aliás veio a suceder.
Na segunda-feira tinha já cogitado com os meus botões o que sucederia caso um ou outro ganhassem esses decisivos estados. Concluí que se Obama ganhasse ambos, aumentaria a sua ligeira vantagem mas criaria uma dinâmica e uma aura de vitória tais que Hillary Clinton deixaria de ter hipóteses de nomeação, por muito que ainda viesse a tentar. Se Obama vencesse no Texas e Clinton no Ohio (cenário plausível tendo em vista as sondagens divulgadas), manter-se-ia o status quo de ligeiro favoritismo de Obama. Se Clinton ganhasse ambos os estados, e como era duvidoso que as margens de vitória fossem amplas, apenas iria encurtar um pouco a desvantagem numérica em delegados à convenção democrata de Agosto, mas quebraria a aura de vitória de Obama e voltaria a gritar "Presente".
Tendo este último caso sido o que acabou por acontecer, Hillary Clinton inverte assim em parte a inclinação da dinâmica de favoritismo. Não que ela tenha tornado a ser a favorita, pois Obama mantém quase intacta a vantagem em número de delegados (Clinton ganhou Ohio e Texas, mas ambos por margens razoavelmente curtas, o que pela regra de proporcionalidade na atribuição dos delegados apenas lhe permitiu subir um par de furos face a Obama), mas é um "baralhar e voltar a dar" as cartas políticas, reforçando ainda mais a indecisão que paira sobre os democratas.
É já matematicamente impossível a qualquer dos dois assegurar a nomeação apenas por via das eleições primárias, pelo que tudo será decidido pela capacidade de atracção dos super-delegados (uma espécie de inerências como sucede - ou sucedia - nos partidos aqui do nosso rectângulo, mas à americana). Isto significa que até à lavagem dos cestos na convenção democrata - embora pela recente contundência verbal da campanha seja mais correcto vaticinar uma lavagem de roupa suja - haverá vindima.
Em última análise, este impasse beneficia...  John McCain, que com a nomeação já assegurada se pode concentrar em angariar fundos para Novembro enquanto os seus rivais continuam a gastá-los para se tentarem vencer um ao outro, e ir distribuindo a sua artilharia por Obama ou Clinton, conforme tacticamente mais lhe aprouver. Aliás, nem o próprio tenta guardar segredo que todos os republicanos preferem enfrentar Hillary Clinton, odiada por metade do país e tão fraccionadora deste como George Bush o foi, ou seja, mais potenciadora de galvanizar e mobilizar os eleitores republicanos.
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

E vão 10 seguidas para Obama

Na última mini-terça-feira de primárias americanas, Barack Obama conseguiu mais duas vitórias - uma esperada, no Hawai onde cresceu, outra mais importante e algo surpreendente, no populoso Wisconsin. Em todas as eleições pós-super-terça-feira, Obama foi o vencedor, estendendo a sua senda vitoriosa à dezena de estados, conseguindo o tão propalado momentum, o embalo que o pode levar a deixar definitivamente para trás Hillary Clinton. Cruciais serão agora os estados do Ohio e Texas, ambos com muitos delegados. Os analistas americanos consideram que Hillary deverá ter de ganhar convincentemente em ambos, para anular a vantagem que Obama já leva em número de delegados.
Aqui no Altermundo, este vosso chefe gaulês não esconde a preferência por Obama - em consonância, aliás, com uma certa eleição primária aqui desenrolada. A sua retórica é entusiasmante, a sua sede de mudança, a sua ligação às pessoas parecem genuínas, e o simbolismo da sua eleição seria enorme - não que a de Hillary não o fosse também, mas para mim, mais do que um candidato afro-americano, trata-se do simbolismo de eleger um verdadeiro "cidadão do mundo", com laços em várias partes do mundo e que por isso mais facilmente compreenderá a complexidade, as diferenças culturais dessas partes do mundo.
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Primárias Altermundo concluídas

Numa altura em que as eleições primárias nos Estados Unidos se disputam ainda acerrimamente - pelo menos do lado democrata - dou por concluída a mega-sondagem Altermundo.
Com algumas limitações, pois não retirei os candidatos da sondagem à medida que eles foram desistindo da corrida, descobri então as escolhas que fariam os irredutíveis habitantes do Altermundo se tivessem direito a eleger delegados às convenções republicana e democrata (o que é tremendamente injusto não acontecer).
Nos democratas, a escolha recairia, por pequena margem, em Barack Obama - o que como chefe desta aldeia que se fosse americana em vez de gaulesa seria firmemente democrata teria todo o gosto a subscrever.
Já nos republicanos, a escolha foi Rudolph Giuliani; uma vez que este muito cedo desistiu da corrida (a sua estratégia era verdadeiramente suicida), a escolha iria para o segundo posicionado John McCain, com estreita margem sobre Mike Huckabee.
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

A recessão está aí

Ontem todas as bolsas mundiais tiveram um dia negro. Viveu-se uma atmosfera de autêntico crash, mais ainda que no 11 de Setembro e dias seguintes. Mais do que os investidores, parece que é o próprio capitalismo que está em pânico.
Há alguns motivos de preocupação, mas racionalmente esta queda, e o medo generalizado nos mercados financeiros, não deveria existir. É verdade que a economia americana parece engripada - é provável que tecnicamente já esteja em recessão - mas os indicadores na Europa são muito menos maus, e menos ainda a Oriente - a China, aliás, está a passar intocada por esta crise e respira saúde económica. Por isso, há razões para que as bolsas americanas caiam, embora não para que caiam tanto. Já na Europa e Ásia, tudo aponta para um abrandamento económico, pelo que os mercados financeiros deveriam estar a reflectir esse sentimento, mas em todo o caso não em queda livre como nos últimos dias.
É aliás irónico que esta crise tenha começado porque o capitalismo americano, sob pressão de um constante crescimento para sobreviver - a metáfora da bicicleta, que tem de continuamente rolar para não cair, é aqui válida - engendrou mecanismos para emprestar dinheiro a quem não o podia pagar; depois, com a descida do preço das casas, que funcionavam como garantia, essas pessoas que à partida não tinham condições para pagar um empréstimo (surpresa)...  não pagaram.
O que é para mim mais preocupante em tudo isto é o facto de uma crise económica eminentemente americana poder fazer todo o mundo, se não entrar em recessão pelo menos quase estagnar, apenas releva do carácter intrinsecamente muito pouco racional do capitalismo como sistema económico...
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Mitt Romney ganha alento

Mitt Romney teve finalmente um resultado convincente ao vencer as eleições primárias do Partido Republicano no seu estado-natal, o Michigan. Aumenta assim um pouco a sua probabilidade de vitória final, e aumenta imenso a imprevisibilidade quanto a quem será o vencedor... Mike Huckabee, o cristão fervoroso (e, entre outras pérolas, criacionista), ainda não é uma carta fora do baralho, pelo menos não até se saber se pode vencer algum outro estado do Sul (Carolina do Sul, já este sábado, será talvez o seu teste definitivo). John McCain continua a ter resultados consistentes e, acima de tudo, nacionalmente equilibrados com vista à crucial Super Duper Tuesday, no princípio de Fevereiro, quando votarão mais de 20 estados e quase todos os maiores. E Giuliani, com a sua duvidosa estratégia de só começar a apostar a sério na Florida, no final deste mês, só aí terá o seu grande teste...
Já do lado democrata tudo na mesma: Clinton mantém ligeiro favoritismo face a Obama, mas este gradualmente vai-se aproximando da primeira nas sondagens a nível nacional. Se vencer na Carolina do Sul, como parece provável, e no Nevada (ambas a realizar este sábado para os dois partidos), onde essa tendência de subida já o fez ultrapassar a rival nas intenções de voto, poderá passar definitivamente para a frente da corrida...
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Começou a grande corrida presidencial americana

Não sei se repararam que, para além das sondagens para que escolham as Personalidades do Ano de 2007, coloquei também um divertido exercício de "democracia directa blogosférica" à moda gaulesa, para que votem nos vosso candidatos preferidos às presidenciais americanas. Votem portanto! Estou curioso de ver os resultados...
No campo da realidade, soube-se há pouco o resultado dos caucus (esse arcaico resquício de "democracia directa" que permanece desde o tempo dos colonos) das primárias no Iowa. Do lado democrata, sem grandes surpresas dado as últimas previsões, Obama foi o vencedor. Ainda bem, comento eu que não tenho grande simpatia pela excessivamente calculista e fria Hillary Clinton, terceira apenas nestas primeiras primárias. Em segundo lugar ficou John Edwards, com quem simpatizei muito nas campanhas anteriores (candidatou-se em 2000 e em 2004, quando acabou por ser escolhido para candidato a vice-presidente com John Kerry) mas que agora está a apostar no discurso mais populista de todos os candidatos (eu sei que é só estratégia eleitoral, mas mesmo assim não gosto de ouvir).
Do lado republicano, ganhou Mike Huckabee, o cristão ultra-conservador que acredita na verdade literal da Bíblia - e se não fossem os Estados Unidos não se acreditaria que alguém assim conseguisse ter algum tipo de sucesso...  Ganhou por uma unha negra a Mitt Romney, o mórmon que tem umas posições interessantes em assuntos sociais - é contra a influência da religião na política, é a favor do aborto e do casamento entre homossexuais, o que é uma enormidade para um candidato republicano - mas que provavelmente para esconder essas mesmas opiniões de um eleitorado que lhes é hostil tem um discurso que os americanos caracterizam como flip-flopper (algo como "troca-tintas"). Sobram ainda como candidatos com possibilidades de nomeação Rudolph Giuliani, mayor de New York em Setembro de 2001 e cuja mensagem de campanha é: 1. eu era mayor de New York no 11 de Setembro; 2. eu era mayor de New York no 11 de Setembro; 3. eu era mayor de New York no 11 de Setembro..., e por fim John McCain, conservador de linha dura mas muito crítico da estratégia (?) de Bush no Iraque e que tem a grande virtude de ter posições claras, com as quais se pode ou não concordar mas são de respeitar - em suma, no panorama geral republicano, o único candidato "sério".
Não está portanto fácil a corrida a nenhum destes candidatos... Dentro de poucos dias realizam-se as segundas primárias, no New Hampshire e por votação "tradicional". A praxis política americana dita que, se Obama ganhar aí, terá dado um grande passo para vencer a corrida. Do lado oposto o mesmo pode ser dito, e se nenhum dos dois vencer será um "baralhar e voltar a dar", até à "super-terça-feira", 5 de Fevereiro, em que se realizam a maior parte das eleições primárias (incluindo os estados mais populosos e que por isso mais pesam nas contas finais) e que quase de certeza decidiram os candidatos - embora não seja de excluir que num processo tão competitivo como o deste ano as decisões só fiquem claras mesmo no fim...
Como devem ter adivinhado, as minhas preferências pessoais vão para o democrata Obama, pela frescura de ideias e por tudo o que representa, e para o republicano McCain, o único candidato "sério", como escrevi - claro que se eu votasse mesmo NUNCA votaria republicano... Afinal, o único republicano bom é o republicano morto - ou, pelo menos, o que não vote.
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Para lá dos clichés anti-americanos

Já que estou numa onda francesa, aqui fica uma entrevista de Bernard Henry-Lévy ao Ípsilon, suplemento cultural do Público, a propósito do seu último livro, uma destruição de todos os clichés - bons e maus - que os europeus têm em relação aos Estados Unidos.

"Depois da sua longa viagem pela América, mudou as ideias que tinha?
Mudei. Fiz o que muito pouca gente faz: atravessar o país em todos os sentidos por estrada, olhar para tudo, para tentar testar os clichés contra a prova do real. Todos nós temos a cabeça cheia de clichés quando se trata da América. Os anti-americanos têm clichés, os pró-americanos também. Todos os clichés são falsos.
Uma experiência como esta transforma-se numa máquina de quebrar clichés. As minhas ideias mudaram.

Por exemplo?
Pensava que a América era um país imperial. A ideia merece ser revista. Pensava que a América não tinha sistema de saúde e de segurança social. É mais complicado que isso. É diferente do nosso, uma mistura de publico e privado, mas existe. Pensava que a América era um país materialista e é provavelmente o país mais religioso do mundo. Pensava que o Sul eram os Estados da segregação, onde os negros teriam ainda um longo caminho a percorrer para cumprir o programa de Martin Luther King. Descobri que o caminho já tinha sido percorrido no essencial. Cada passo foi uma surpresa.

Esta surpresa confirmou a ideia de que europeus e americanos continuam a pertencer ao mesmo planeta ou viu uma América que diverge cada vez mais de nós?
O que vi e o que discuti com inúmeros intelectuais, de direita e de esquerda, conservadores e democratas, é que há, de facto, uma tentação de largar as amarras da Europa. Mas direi que a questão que acabou de colocar é aquela que se colocam a eles próprios todos os americanos. A questão central é essa...

A relação com a Europa?
O que é que fazemos com a Europa? A Europa é a nossa mãe, mas como é que traduzimos isso nos dias hoje? Como é que resolvemos o nosso complexo de Édipo ou de Electra? Matamos ou não a mãe? É a questão metafísica e, consequentemente, política.

Porque é que se coloca agora? Porque a guerra-fria terminou? Porque o mundo está a mudar?
Porque a guerra-fria acabou. Porque há uma mudança da população americana com a chegada dos hispânicos. E pela proximidade à Ásia através da costa do Pacífico. E também por causa da psicologia dos homens. O complexo de Édipo existe nos humanos como nas colectividades. Nós, na Europa, temos o complexo ao contrário: o ódio da mãe pela filha. Que é o anti-americanismo. Mas, se tivesse de fazer uma aposta, apesar de tudo diria que não haverá ruptura entre a América e a Europa. A presença europeia é demasiado forte, os valores europeus impregnam a sociedade americana de forma profunda e creio que, sem isso, a América seria outra coisa.

Há passagens no seu livro dedicadas a descrever o Presidente americano. Pelo menos inicialmente os europeus não compreendiam essa escolha...
Olhe para o seu país. Uma civilização, um império, uma cultura e ofereceu-se a si próprio durante décadas dois cretinos: Salazar e Caetano. Isso não quer dizer nada. Na França é o mesmo. O que eu creio, realmente, é que George W. Bush é um parêntesis. Temos os olhos fixos em Bush, ficamos completamente obnubilados por ele, como se ele fosse a verdade da América. Ora, não é nada disso.

Mas é essa a América que temos visto, dos "neocons", do fundamentalismo religioso...
Isso quer dizer que não compreendemos nada.

Encontrou Barak Obama em 2004 e diz no seu livro que é preciso prestar-lhe atenção. Hoje todos nós lhe prestamos imensa atenção.
Creio ter sido um dos primeiros europeus a imprimir o nome de Barak Obama e a fazer o seu retrato. Logo que o vi, senti imediatamente que era uma personagem considerável e uma das faces possíveis da América.

Diz que Obama é um negro branco.
O que digo é que a força de Obama reside no facto de não ser um descendente de um escravo do Sul. O seu pai era queniano. E isso muda tudo. Quer dizer que ele não reenvia aos outros americanos uma imagem culpabilizante. Não lhes reenvia a imagem do país da segregação, do Ku-Klux-Klan, do esclavagismo. É um negro que joga na sedução e não na culpabilização. A sua força está aí.

Escreve também bastante sobre a sua experiência com as comunidades árabes, sobre o facto de se sentirem americanos, ao contrário do que acontece na Europa.
Os americanos inventaram um sistema de cidadania, um modo de regulação dialéctica entre o particular e o universal, entre a origem e o destino, que funciona bastante bem. Na Europa e na França teríamos todo o interesse em inspirarmo-nos nisto.

Podemos voltar aos valores? Há hoje na Europa a ideia de que, depois de Guantánamo e de Abu Ghraib, a democracia americana não funciona. Visitou Guantánamo. Contesta essa ideia no seu livro.
Fui ver Guantánamo. É verdade que é inadmissível, que é um escândalo, que é uma zona de não-direito e que é indigna de uma democracia. Mas não é o Gulag. E os que nos vêm dizer que Guantánamo é o Gulag americano são cretinos, não têm a mínima ideia do que é o Gulag. O Gulag significa dezenas de milhões de mortos. Guantánamo significa centenas de prisioneiros sem direitos que não são bem tratados, sem dúvida, em alguns casos torturados. Eis um caso em que está diante de um verdadeiro cliché.

Compara a denúncia de Abu Ghraib com a denúncia do que se passou com a França na guerra da Argélia. Diz que eles foram mais rápidos a denunciar e a condenar.
A grande diferença entre a França e a América é que a França levou 40 anos para aceitar o seu Abu Grahib e a América levou três dias.

Porquê?
Porque a América é uma democracia mais viva que a França. Bastaram 48 horas para a América ser informada sobre Abu Ghraib, ficar horrorizada com Abu Ghraib e condenar Abu Ghraib. Há pouco falávamos de Obama e de Hillary Clinton. A América pode eleger no próximo ano uma mulher ou um negro. Portugal estaria preparado para isso?

Mas a França está, pelo menos no que diz respeito a uma mulher.
Mas está pronta a eleger um negro? E mesmo uma mulher? Vamos ver. Espero que sim. Mas olhe para a maneira como ela é tratada, a nossa mulher, Ségolène. Os insultos as insinuações.

Conversou longamente com algumas das figuras mais conhecidas entre os neoconservadores. As suas origens são as mesmas que as deles: vieram da esquerda, são anti-totalitários, vêm a democracia como valor universal. Também costuma apelar às democracias para agirem contra os tiranos. Qual é a diferença?
A diferença é que continuo a ser de esquerda e eles não. No plano moral, não há diferença. O problema deles não é serem imorais. Moralmente tinham razão. Claro que é preciso derrubar um ditador. Claro que a democracia é boa para todos os povos. Claro que os Direitos do Homem não são reservados aos ocidentais. Apenas há diferença no plano político. A responsabilidade de um Estado não é apenas ter razão nos princípios mas também ganhar no plano político. A guerra no Iraque, a maneira como foi conduzida, fez com que estivesse antecipadamente perdida. Para ganhar é preciso um consenso internacional, aliados no terreno e um plano de reconstrução. Foram as três coisas que faltaram à América.
Eles fizeram no Iraque os mesmos erros que fazem na América. Pensam que o Estado serve de pouco para combater a miséria, para os cuidados de saúde, que é preciso deixar o mercado livre funcionar. Fizeram o mesmo erro no Iraque: bastava derrubar Saddam e, depois, a Providência democrática faria o resto.

Diz no seu livro, já disse aqui, que a América não é uma nação imperial. Mas, depois da guerra-fria, começou a pensar-se como império.
Não tenho a certeza disso. A questão imperial é uma questão nossa, dos europeus. Fomos nós as nações imperais. O imperialismo é o nosso fardo. A América não tem um imaginário imperial, isso é falso. A verdadeira tentação da América, a sua tendência pesada e, talvez, o maior perigo é deixar cair o mundo... O isolacionismo.
Espero que a queda dos neoconservadores não tenha como efeito deitar fora o bebé com a água do banho. Abandonar toda a espécie de preocupação com o mundo.

Como é que explica que a ideia de uma Europa como anti-América seja sobretudo uma ideia francesa?
Não, não é apenas francesa. É verdadeira na Alemanha, na Espanha, na Itália, talvez em Portugal... Mas é verdade que nasceu em França. O anti-americanismo era uma ideia de extrema-direita...

Agora é de esquerda.
Se o anti-americanismo se transformar no programa da esquerda, isso será muito grave porque, na sua substância, é uma ideia fascista. É o reflexo dos fascistas franceses dos anos 20 e 30 face a uma nação democrática. É a reacção dos nostálgicos da nação orgânica, a nação baseada numa raça, num sangue, etc..., face à nação rousseauniana, que é a América. A América é uma incarnação do sonho de Rousseau, gente que vem de toda a parte e que, por um acto de vontade, decide fazer uma nação. Isto, os contra-revolucionários franceses do século XIX e, depois, os fascistas dos anos 20, viam como o seu o pior pesadelo. É daqui que nasce o anti-americanismo em França. Que, depois, passa para a Alemanha, como os românticos alemães, com os ideólogos nazis, com Heidegger. Ver uma parte da esquerda europeia ligada a este anti-americanismo de origem fascizante é algo que me aterroriza.

E isso é um problema para a integração europeia?
Sim. Creio que não se pode detestar a América e querer, ao mesmo tempo, a Europa. Porque, no fundo, a ideia de que a Europa é possível é a América que no-la dá. É já, de alguma maneira, uma Europa - povos diferentes, de tradições e memórias que não têm nada umas com as outras, que formam uma nação. É isto a América e é isto que tentamos fazer na Europa.

O que leva 70 por cento dos franceses a dizer que a França está em declínio? Ou, como se diz, como se explica este "malaise" de um país que é rico e, a muitos títulos, magnífico?
Isso vai mudar... O "malaise" é uma questão de memória. Há três acontecimentos recentes na nossa memória com os quais temos dificuldade em lidar. Vichy, a colonização e o Maio de 68...

Acha que podemos comparar o Maio de 68 com Vichy...
Não. Mas há uma relação difícil com o Maio de 68. Há uma parte da França que continua a pensar que foi uma coisa muito má, que os nossos males vêm daí.

Diz no seu livro, contrariando a percepção comum na Europa, que o terrorismo islâmico é uma forma de fascismo - o islamofascismo. É a mesma definição de Bush.
As pessoas na Europa crêem que a origem do terrorismo islâmico é a pobreza ou o Corão. Não é uma coisa nem outra. A sua tradição ideológica chama-se fascismo. É a sua verdadeira natureza. É uma questão política, não é uma questão religiosa.

Os americanos percebem isso melhor que nós?
Não, não creio. Eles estão mais na linha da guerra de civilizações, ou seja, uma guerra de religiões. Ora, não é nada disso, é uma batalha política contra gente que é fascista...

Porque defendem uma ideologia totalitária?
Li os fundadores dos Irmãos Muçulmanos, li os inspiradores de Komeini, li os fundadores do Partido Baas e verifiquei que as ideias que os alimentam são ideias europeias e, em grande parte, fascistas. Há também o Corão naturalmente. Mas o Corão é como todos os textos religiosos, permite várias interpretações. Se fosse só isso não estaria tão inquieto."

Quando era mais novo, ouvia com frequência um programa da Antena 3, aos domingos de manhã, chamado "De costa a costa", que passava música que, num sentido lato, era country - mas não aquele country "pimba" que associamos, fruto dos filmes e séries, à América profunda.
Esse foi o primeiro cliché que se destruiu para mim, o de que o country era "pimba". Porque eu aprendi a gostar daquele country, e através dele do que é a moderna América profunda, tornei-me nessa medida "americanófilo" e percebi que nem tudo o que é tido como mau o é nos Estados Unidos. No fundo, percebi que por muita coisa má que uma cultura - no caso a americana - tenha, é sempre necessário passar para lá dessas supostas coisas nefastas, porque muito de bom sempre haverá. E, assim, tive de aprender a conviver com um sentimento de atracção-repulsa em relação aos Estados Unidos e a all things American..
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

The gun in America - porque existem os massacres em escolas americanas

"I loves my gun... loves my gun"
Medo - a melhor explicação que já vi para o carácter violento tão embrenhado no "American way" e nos próprios americanos. Violência essa que causa, entre muitas outras coisas, massacres como o desta semana na Virginia Tech University, apenas o último acto incompreensível de uma longa série - e infindável, enquanto os americanos não compreenderem que tais actos são causados pela gritante falta de controlo da posse e compra de armas - e pelo medo. Cortesia de Michael Moore:


 

 

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Sexta-feira, 9 de Março de 2007

A semana em cartoon: Bush na América Latina

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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

A semana em cartoons: é o terrorismo, estúpido!







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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

A nova guerra fria

Extractos seleccionados de um artigo do Público de ontem, que sumariamente inventaria os passos da recente escalada de tensão entre os colossos geopolíticos americano e russo, e que prenuncia que, depois do mundo bipolar da guerra fria e do período unipolar que lhe sucedeu, vivemos hoje os primeiros passos rumo a um mundo como nunca multipolar : Estados Unidos, uma Rússia "putinizada" e que renasce das cinzas, mas também China, talvez Índia, Irão...
E se o adjectivo "multipolar" era habitualmente utilizado como positivo (pensava-se há 15 anos que seria desejável que à divisão do mundo entre Estados Unidos e União Soviética sucedesse um mundo dominado por múltiplos pólos, nenhum deles com supremacia sobre os restantes) hoje ele é cada vez mais visto como uma sombria incógnita...


"O ministro checo dos Negócios Estrangeiros, Karel Schwartzenberg, declarou ontem que o seu país não se deixaria "intimidar" e que falharão as tentativas de "chantagem" russa para impedir a instalação de um sistema de radar no seu país e de uma bateria de mísseis antimísseis americanos na Polónia. "Os checos sabem agora que o "escudo" é cada vez mais necessário".
(...) É o mais recente episódio duma "guerra fria" de palavras, iniciada em Janeiro pelo pedido americano de instalar dispositivos do escudo nos dois países. Seguiram-se as declarações do secretário da Defesa americano, Robert Gates, que, a 8 de Fevereiro, no Congresso, tratou a Rússia como inimigo potencial, logo seguidas do virulento discurso de Vladimir Putin na conferência de segurança de Munique.
"Um país, os Estados Unidos, sai das fronteiras nacionais em todos os domínios. É muito perigoso: já ninguém se sente em segurança, porque ninguém encontra refúgio no direito internacional."
(...) o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, general Iuri Baluevski, afirmou que "a Rússia e a China são os verdadeiros alvos do escudo antimísseis americano" e não ameaças vindas do Irão ou da Coreia do Norte.
O mesmo ministro Serguei Ivanov declarava ao Kommersant: "O aparecimento do escudo antimísseis americano na Europa de Leste não nos agrada, mas não terá impacto na segurança da Rússia, pois temos novos mísseis móveis Topol-M que suplantam qualquer sistema antimísseis." Exactamente o que dizem os americanos: a ameaça não é militar.
O Nezavissimaia Gazeta põe o dedo na ferida: "A Rússia e os Estados Unidos reconheceram que deixaram de ser parceiros estratégicos." (...) o que provoca a exasperação de Putin é o novo teor das relações entre a Rússia e o Ocidente.
A Rússia teme fundamentalmente duas coisas. Primeiro o regresso da pressão americana no seu "estrangeiro próximo", da Ucrânia à Ásia Central. E, em segundo lugar, a ruptura do actual equilíbrio de forças na Europa em seu desfavor.
(...) O jogo não está definitivamente consumado. Abre fissuras na União Europeia. A questão suscita... divergências na Polónia e na República Checa, onde a opinião pública desaprova a decisão dos governos (...)
Cerca de 30 países dispõem já de mísseis balísticos, o que levou a uma procura geral de sistemas de defesa antimíssil, não só entre as grandes potências, mas também em países que se sentem vulneráveis, como o Japão, Israel, os do Golfo, Coreia do Sul ou Taiwan (clientes dos EUA) ou o Irão, China, Síria e Argélia (clientes da Rússia)."
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Cartoon da semana: Bush, o cabeleireiro

O cabeleireiro Bush apara as pontas do cabelo de Kim Jong Il... com Ahmadinejad a espreitar sorrateiramente... Poderia haver melhor resumo para a semana que passou?




Via Cagle cartoons, um desenho de Petar Pismetrovic para o jornal Kleine Zeitung da Áustria.
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Eleições presidenciais nos Estados Unidos e em França: os meus cavalos de corrida

Com maior - caso dos Estados Unidos, onde a corrida presidencial é uma verdadeira maratona - ou menor antecipação - caso de França, vão-se preparando junto aos blocos de partida as figuras presidenciáveis. Esta é uma altura em que começo a ler com alguma atenção os perfis dessas figuras e a formar a minha opinião sobre quem gostaria que ganhasse - os meus "cavalos de corrida", em suma.
Esta leitura é particularmente importante em França, onde um (ou uma!) novo presidente está à curta distância de três meses. Este é também, das duas corridas em causa, a que me faz arrancar mais cabelos. Na corrida ao Eliseu, já há dois e apenas dois candidatos mais que assumidos.
Os dois são a meu ver péssimas figuras, movidos unicamente pela sua ambição de vir a ocupar a actual cadeira do igualmente péssimo Chirac, e se tivesse de escolher um dos dois teria sérios incentivos a juntar-me ao grupo do armadilhador Pedro Silva e a não votar... a fazê-lo, seria provavelmente um voto em branco; mas se tivesse mesmo de escolher um dos dois, com o coração pesado e enegrecido pela decisão, ela seria a favor de Mme. Ségolène "pudim" Royal... por um motivo simples: entre um péssimo candidato de esquerda e um péssimo candidato de direita, preferiria sempre o primeiro.
Neste caso, entre uma péssima candidata-maquiavel de pacotilha que só afirma ser de esquerda porque precisa do voto desta, e um péssimo candidato, Nicolas "Terminator" Sarkozy, que diz que é de direita mas que se comporta - e é de facto - como sendo de ultra-direito, colado ao odioso Le Pen, entre estes dois, seria o exílio... senão, o centro-direita é apesar de tudo um mal menor em relação à quase extrema-direita...
Mudando de caso e de continente, o caso americano é inteiramente diferente, sobretudo pela distância de quase dois anos que nos separa das eleições presidenciais, já com data marcada (ocorrem sempre na primeira terça-feira de Novembro, o que tem a curiosa coincidência de por vezes as fazer coincidir com o meu aniversário, coincidência que já me rendeu, em 2000, o mais odioso dos presentes...) para 4 de Novembro de 2008. Neste caso reservo-me o direito de mudar de "cavalo de corrida", até pela evolução que as posições dos vários candidatos, movidos pela sua ambição, vão sofrendo...
Para já, e como parafraseando um qualquer western, para mim o único republicano bom é o republicano morto (o mesmo se aplicando aos candidatos presidenciais), a minha aposta no campo democrata vai para Barack Obama, pelo "sangue novo" que representaria na políttica da Casa Branca - é senador há apenas dois anos, mas já empolga multidões sempre que discursa - pelas posições razoavelmente genuínas de democrata e pela pedrada no charco de ver um representante de uma minoria étnica governar um dois países desenvolvidos mais desiguais...
Claro que Hillary Clinton também beneficia desse efeito "pedrada no charco", mas contra ela move-me o que me parece excessivo calculismo político, o que para mim é prenúncio de ambição (demasiado) desmesurada...
Ficam então as minhas escolhas: Barack Obama para Mr. President e o exílio... perdão, Mme. "Pudim Royal" (que todos os deuses nos acudam!...) para Mme. Président.
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Estados Unidos bombardeiam a Somália: onde é que eu já ouvi isto?

"Os EUA terão ontem lançado a terceira vaga de bombardeamentos aéreos contra localidades do extremo Sul da Somália, junto à fronteira com o Quénia, onde dizem estarem escondidos responsáveis da Al-Qaeda, procurados pelos serviços secretos.
(...) o vice-primeiro-ministro, Hussein Aidid, falou numa intervenção dos EUA no terreno como sendo "apenas uma questão de tempo" depois ou durante os ataques aéreos dos últimos dias. "A única forma de os EUA eliminarem e capturarem os terroristas da Al-Qaeda é destacarem forças especiais no terreno", considerou, pondo a hipótese de já estarem em curso operações secretas terrestres."
(Público de hoje)

Ataques aéreos dos Estados Unidos a supostas bases da Al Qaeda na Somália - onde é que já ouvi isto?...
Operações terrestres de militares americanos neste cenário - onde é que já ouvi isto?..
Ambas as afirmações soam estranhamente a déjà vu - e, segundo me lembro, nenhuma delas terminou bem para os Estados Unidos; segundo me lembro, alguns anos depois, numa bela manhã de Setembro, o país acordou para um pesadelo do qual ainda hoje não vislumbra saída...
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um discurso de Abraracourcix às 15:47
link do discurso | comentar - que alegre boa ideia!


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O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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