Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006

Pinto Monteiro com sinal positivo, mesmo antes de tomar posse

Vem na primeira página do Público de hoje:

"Órgão máximo dos juízes descontente com novo PGR"

"Vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura diz que "não augura nada de bom" a nomeação de Pinto Monteiro. E teme deterioração da relação entre os dois órgãosSantos Bernardino, vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) e também juiz-conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça, assume uma atitude crítica relativamente à nomeação do novo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, anunciada na passada terça-feira pela Presidência da República. "Não estou particularmente eufórico ou entusiasmado com a nomeação do conselheiro Pinto Monteiro. Receio mesmo que o relacionamento institucional entre os dois órgãos, que sempre foi excelente e pautado pelo respeito mútuo, durante o mandato do dr. Souto Moura, se deteriore. (...)"

Traduzindo: como Pinto Monteiro é crítico - e assumiu-o claramente, o que é raro - em relação ao CSM, um dos seus membros amuou. Para mim, não gostar de um órgão que tem sido perfeitamente inútil e inócuo, só pode ser bom sinal.
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

Luzboa - o "estranho sortilégio" de Lisboa

Pois é, hoje estou muito cultural... Por estes dias, tenho inveja dos lisboetas, por terem a oportunidade de experienciar a Luzboa - II Bienal de Luz de Lisboa.
Para quem não ouviu falar, trata-se de um conjunto de instalações artísticas espalhadas pela cidade, num eixo comum que começa no Bairro Alto, passa pelo Chiado, Baixa, e sobe até Alfama. É um projecto de arte pública com base em elementos de luz e iluminação urbana que, segundo os próprios, foi "pensado para transfigurar Lisboa na sua dimensão nocturna". Parece-me uma iniciativa interessantíssima que muito me apraria ver, por isso peço a todos os lisboetas (e amadorenses e sintrenses e etc.) que não percam, até dia 30 deste mês, ao longo do eixo referido entre as 20 e as 24h.
Penso que estas bienais de luz já existem noutras cidades (Lyon, por exemplo), mas no nosso caso, para além do trocadilho que permite no nome, a ideia é genial: Lisboa e luz - um casamento perfeito!

Em paralelo, e no âmbito da Luzboa , encontrei no Público um artigo de um artista e escritor francês, Malek Abbou , que aí vai escrever diariamente sobre a sua experiência na Luzboa (estará todos os dias no Bairro Alto Hotel, no Largo Camões, para receber todos os que o quiserem ver). Chamou-me a atenção uma passagem que é, para mim, a melhor descrição que já vi de Lisboa e, como ele diz, do seu "estranho sortilégio":

"como se inventa Lisboa no olhar de um estrangeiro? (...) é um enigma que exige abandono e solidão... tal como esta noite em que caminho sem destino, esperando por algo que pode ou não chegar."
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um discurso de Abraracourcix às 14:51
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Uma verdade inconveniente

Uma notícia a que os media portugueses dão hoje destaque parece vir de propósito para confirmar a premência da mensagem transmitida pelo documentário de Al Gore em exibição nos cinemas portugueses.
A imagem abaixo é da European Space Agency (ESA), e mostra enormes fracturas no gelo perene árctico (aquele que permanece sólido durante todo o ano).



"Arctic summer ice anomaly shocks scientists

"Satellite images acquired from 23 to 25 August 2006 have shown for the first time dramatic openings – over a geographic extent larger than the size of the British Isles – in the Arctic’s perennial sea ice pack north of Svalbard, and extending into the Russian Arctic all the way to the North Pole."
(notícia completa da ESA aqui).

É de facto chocante, e apesar de previsíveis não podemos deixar de nos surpreender sempre que, regularmente, aparecem notícias destas que invariavelmente demonstram que o aquecimento global está mais avançado do que supúnhamos.
É de facto uma verdade inconveniente esta, em que apetece não pensar, mas a que é preciso dar toda a importância. O aquecimento global não é um sombrio cenário futuro. O aquecimento global, e todas as suas anomalias e perigosas alterações que trarão à nossa forma de vida, já chegou.
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um discurso de Abraracourcix às 10:35
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O doce sabor da revelação numa manhã de chuva

Alguns de vocês, mais musicalmente cultos, vão exclamar "só agora?!", mas mais vale tarde que nunca. Excluindo uma canção, "Bullets", que até há pouco tempo passava regularmente na rádio, ouvi hoje de manhã pela primeira vez Editors. Excepto a tal canção, não sei sequer o nome das músicas, não sei de onde são, e não interessa. Não é importante. É rock. É muito bom.
Ao ouvir as canções deslizar uma a uma pelos meus ouvidos, extasiado, cheguei enfim a uma que afinal também conhecia (a faixa nº 2, é tudo o que sei), e nesse momento foi como se já estivesse a ouvir velhos conhecidos... Sendo fã de rock e de música alternativa - e por aglutinação de rock alternativo - para mim é assim que a música do séc. XXI é suposto soar.
Não há nada como o doce sabor da revelação numa manhã de chuva.
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um discurso de Abraracourcix às 09:31
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

Esquerda e direita em Portugal

Retirado de um artigo de opinião, da autoria de Rui Ramos, do Público de hoje, muito interessante para compreender as idiossincrasias da esquerda e da direita portuguesas, sobretudo desta última:

(...) "Na década de 1950, a propósito da IV República Francesa, Roger Nimier notou que num regime supostamente de esquerda "a direita predomina sempre, mas representada pelos seus elementos mais medíocres". A nossa democracia desde 1976 teve, em geral, o mesmo efeito, e pelas mesmas razões. A falta de debate e confronto político, devido à suposta hegemonia de esquerda e à retracção ideológica da direita, produziu um regime de habilidades, onde preponderam os "medíocres", não necessariamente no sentido dos menos capazes, mas daqueles que se conformam com as meias-tintas, com a indefinição, com os subterfúgios, que depois o usufruto do Estado justifica. As direitas, tal como aconteceu em França, foram até há pouco tempo as mais capazes a jogar esse jogo.
As esquerdas, se tivessem inteligência, já teriam percebido que lhes convinha que houvesse, claramente, uma "direita". Mas precisamente por isso as direitas farão tudo para não "existir". Costuma dizer-se que entre as mentiras que o diabo contou à humanidade, a maior seria esta: que o diabo não existe. Em Portugal, as direitas fizeram como o diabo. E não se têm dado nada mal."
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Crónica de uma morte anunciada

Longe de polémicas entre srs. Coutos paranóicos carreiristas e dois ou três autores de "blogs obscuros" com "interesses [ainda mais] obscuros" (por sinal dos mais fiéis "irredutíveis gauleses" que vão tendo a paciência de me ler e ocasionalmente comentar), no Altermundo prefiro dar relevo ao que é realmente importante neste nosso bananal. Ao escândalo. Ao choque. Ao horror. Vamos ver:
Ontem, o ministro da Saúde (??) anunciou que vai instaurar taxas moderadoras para os internamentos hospitalares e cirurgias. Mas como o ministro é uma pessoa muito boazinha, tratou logo de frisar que uma larga percentagem dos utentes já estão isentos de tais taxas - dadores de sangue, cancerosos, tuberculosos e seropositivos, respirem fundo. Todas as poucas pessoas (caberiam numa qualquer abandonada aldeia transmontana, a acreditar no ministro) que não se incluem numa ou em mais destas categorias vai ter de mudar de passatempo. Em vez de pedir para serem internados e operados - sim porque todos sabemos que um doente só é internado porque quer, o médico é apenas o maître d'hôtel que apresenta o menu de cirurgias, "a operação do dia está deliciosa hoje, senhor" - para resolver a sua hérnia, ou cancro da próstata, ou pneumonia, ou ataque cardíaco, estes desavergonhados que vão mas é para a praia, que o mar tem efeitos curativos importantíssimos nas hérnias, cancros da próstata, pneumonias e, consta (ainda não está provado), até nas hemorróidas.
O problema disto é que o próprio ministro reconhece que os € 7 que vai cobrar a cada internado (por dia?), mais provavelmente outro tanto por cirurgia, é apenas uma quase insignificante contribuição para o buraco do SNS - a intenção é apenas "moralizar" o sistema. Porque, como já disse, os médicos são apenas maîtres d'hôtel que falharam a vocação, e os doentes são todos ricaços que se pelam por uma cama de enfermaria na companhia de outros cinco endinheirados.  "Qual spa?! Caldo de bactérias multi-resistentes é o que está a dar!", dizem uns aos outros entre uma tossidela e uma falha de respiração.
O ministro, que é um guru da moda, é que vê à frente, e já percebeu que na colecção Outono/Inverno 2006/2007 o internamento hospitalar vai estar "out". O que vai estar "in", mas isto ele não o pode dizer, e este é que é o escândalo subjacente a este escândalo, são os hospitais privados, que já estão em bicos de pés a babarem-se pelos restos mortais do SNS.
Já não falta muito para o fim do SNS. Já está aí a chegar. Já chegou.
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China, a superpotência do séc. XXI

"A China anunciou ontem o envio de mil soldados para a força de manutenção de paz das Nações Unidas no Sul do Líbano. O contingente é o maior proposto por Pequim desde a sua primeira participação numa missão da organização, em 1989, na Namíbia, e mostra que a China quer ter um papel no Médio Oriente e apresentar-se como uma potência que contribui para a paz mundial. (...)
A China tem vindo a aumentar ofertas para participação em missões de paz. Em 2003 enviou 550 soldados para a Libéria e outros 175 para a República Democrática do Congo, lembra a BBC on-line. Também contribuiu para outras missões, do Haiti à Bósnia, passando por Timor. (...)
O correspondente da estação de televisão britânica em Pequim, Dan Griffiths , nota que a China quer melhorar as suas relações com os países ricos em petróleo, de que necessita para alimentar a sua economia em crescimento acentuado. O Líbano não tem petróleo, mas uma participação chinesa forte no país dá o sinal de que Pequim quer ter um papel na região.
Para além disso, continua Griffiths , a oferta assinala o desejo da China em começar a desempenhar um papel na arena diplomática. É ainda um modo de contrabalançar as suspeições suscitadas pelo seu desenvolvimento económico. "A China quer passar uma mensagem para o resto do mundo de que não é uma ameaça para outros países", diz o jornalista da BBC.
Na conferência de imprensa conjunta, Romano Prodi comentou o anúncio de Wen Jiabao : "Mostra que a China está a assumir cada vez mais responsabilidade internacional". Assim, "a Itália inclina-se para o levantamento do embargo de vendas de armas", mantido pela UE há 17 anos."

Cito esta notícia do Público de ontem para salientar alguns pontos que me parecem importantes. Em primeiro lugar, e como também percebeu o A. Teixeira @ Herdeiro de Aécio, trata-se de uma viragem fundamental na política diplomática chinesa. A China quer com esta participação atingir alguns pontos que vê como vitais para a sua afirmação como superpotência. Em primeiro lugar, como é dito na notícia, ganhar destaque na arena diplomática como problem-solver . Em segundo lugar, reforçar os canais de abastecimento do petróleo (já de si fortes, como se vê na sua posição em relação ao Darfur e ao Sudão e, sobretudo, em relação ao Irão), de que precisa cada vez mais sequiosamente. Em terceiro lugar, e de forma não despicienda , a China quer aquilo que pelo menos Prodi já lhe vai dar - armas.
Preparem-se pois incautos, the Chinese are coming !... Só resta saber se será melhor, pior ou complementar à superpotência americana...
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Novo procurador: já há substituto para o "gato constipado"

Pinto Monteiro será, a partir de 9 de Outubro, o novo Procurador-Geral da República. O Público diz que é "elogiado pela sua independência e frontalidade". Os partidos de direita elogiam, sinal da forma como se desenrolou o processo de escolha e a consulta aos partidos; a esquerda espera para ver.
Eu também espero para ver, porque como é costume na área do Direito não conheço o nome. Espero apenas, como já escrevi algures, que seja competente - é só o que se pede. Seja como for, pior que Souto Moura - o "gato constipado", como num momento de rara pontaria lhe chamou Prado Coelho - pior que esse senhor eternamente com ar de quem não pertence ali e preferia estar na cama a limpar os óculos e a assoar-se ao cachecol, pior que isso é impossível.
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um discurso de Abraracourcix às 10:16
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Terça-feira, 19 de Setembro de 2006

Habemus Papam incendiarius

Regresso ao tema depois de ter a Sofia (@ Defender o Quadrado) me ter enviado o link para o discurso completo de Bento XVi. E como - já o disse anteriormente - acho que é importante opinar sobre os próprios factos, e não sobre a impressão que se tem após ter lido a descrição dos factos por alguém feita, aqui fica o link, para que leiam também o discurso e só depois opinem. Lido o discurso (algumas partes na diagonal confesso), algumas correcções se impõem face ao que escrevi anteriormente.

Primeiro, o que pensei ser apenas uma nota de alguma forma marginal e enterrada algures no meio de um longo discurso foi afinal proferido logo no início do mesmo e foi mesmo o ponto de partida de toda a argumentação que se seguiu.
Segundo, o Papa foi tudo menos ingénuo, e o "separar de águas" de que falei foi totalmente explícito. Terceiro, se não fala explicitamente em superioridade da fé católica, afirma que esta é a única que tem a Razão (no sentido que a cultura clássica grega lhe dá, o "logos").
Portanto, sou obrigado a concluir que eu é que fui ingénuo, quando concluí que mesmo tendo errado, a intenção do discurso papal era inerentemente benévola. Retiro o que disse. Continuando a achar as reacções islâmicas excessivas (mais uma vez o paralelo com a questão dos cartoons), a indignação é absolutamente compreensível.
É oficial (latim propositadamente macarrónico): "Habemus Papam incendiarius". E mais um prego no caixão da Igreja.
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Vivam os noivos!



Já é assim em Espanha... Dentro de quantos anos em Portugal?
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Acho que já ouvi isto em qualquer lado...

Breve notícia no Público de hoje:

"Primeiro-ministro húngaro reconhece que mentiu"

"O primeiro-ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsany, 45 anos, eleito em Setembro de 2004, confirmou ontem a autenticidade de uma gravação que veio a público onde diz que a sua coligação de socialistas e liberais teve de mentir para ganhar as legislativas de Abril último. Partes do seu discurso numa reunião do Partido Socialista Húngaro (MSZP) foram emitidas na rádio estatal: "Não se pode citar qualquer medida significativa de que nos possamos orgulhar, excepto o facto de ao fim e ao cabo havermos conseguido retirar o Governo do abismo. Se temos de prestar contas ao país do que fizemos, o que é que havemos de dizer? Mentimos de manhã à noite." No domingo, 3 mil pessoas concentradas junto ao Parlamento pediram a sua demissão, depois do escândalo. Mas o chefe do Executivo disse que não o fará. O país tem sofrido défices orçamentais desde 2000 e recentemente submeteu à Comissão Europeia um plano para reduzir o seu défice, que é o maior dos Vinte e Cinco."

Soa-vos a familiar?
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

U2 - DVD da Zoo TV já à venda

Fã enorme, enormíssimo, dos U2 (de tal forma que lhes consigo até perdoar a deriva não-activista , comercialista dos últimos tempos), não resisto a fazer publicidade, e a deixar na íntegra o destaque dado pelo Público de hoje ao lançamento. Apesar de não ter estado presente, não consigo evitar um arrepio na espinha ao ler...

"Quando os U2 deixaram o mundo de boca aberta

"Nunca se havia visto nada assim e depois não foi criado algo comparável. No início dos anos 90 os U2 assombravam o mundo com um espectáculo total, a Zoo TV. Hoje é lançado em todo o mundo, pela primeira vez, o DVD que retrata a digressão que quase levou à falência a maior banda rock da actualidade. Por Vítor Belanciano

O mundo já havia visto os fãs em delírio com os Beatles, as correrias pelo palco de Mick Jagger , as gigantescas encenações pirotécnicas dos Pink Floyd ou as engenhosas coreografias de Madonna mas aquilo era outra coisa. Aquilo foi o maior espectáculo alguma vez realizado por uma banda rock. Na alvorada dos anos 90, na era dos grandiosos concertos de estádio, os irlandeses U2 criavam uma mega-acontecimento, a que deram o nome de Zoo TV, que deixou o mundo de boca aberta.
Nunca se havia visto nada assim. Ninguém se atreveu a tentar algo parecido depois. Pela primeira vez disponível em DVD, é hoje lançado em todo o mundo Zoo TV - Live From Sydney, o retrato de uma das maiores extravagâncias do rock.
O DVD (capa reproduzida em baixo) é lançado em dois formatos. A edição normal retrata o concerto de estádio, em Sydney (Austrália), filmado em Novembro de 1993 por David Mallet . A edição especial, para além do espectáculo, contém excertos de outras actuações, documentários que dão conta dos contornos estéticos de toda operação, imagens de bastidores e curiosidades, como um olhar sobre a extinção dos carros Trabant - símbolo da então recentemente finda RDA - que viriam a ser recuperados para o cenário do espectáculo.
Com 700 televisores, 5 câmaras broadcast , 36 monitores, 4 mega-telas , 4 vídeo-halls , 18 projectores, 12 discos lasers, uma antena satélite, 176 colunas, 200 pessoas, vários carros Trabant pendurados no tecto, um avião privado para as deslocações e quatro músicos em palco, a Zoo TV foi muito mais do que um concerto. Foi um espectáculo multimédia onde os U2 se encenavam a si próprios e ao mundo, glosando e desmontando os mecanismos da era da tele-comunicação . Como Bono haveria de afirmar, tratava-se de uma extravagância que promovia "um encontro entre Berlim Leste e Las Vegas no planeta do lixo".
Foi um espectáculo de tal forma megalómano que Bono confessou, recentemente, que estiveram à beira da falência. Mesmo com todos os concertos da digressão de dois anos esgotados a rentabilidade foi mínima. "A Zoo TV foi muito dispendiosa. Deslocar aquela coisa, por dia, custava-nos 191.340 euros", afirmou. "Se tivéssemos tido menos dez por cento das pessoas a ver-nos, teríamos falido. E com aquelas contas astronómicas não dá para ter uma pequena falência. A falência seria gigantesca. Nem posso pensar nisso hoje. É muito dinheiro. Desde então descobrimos gente preparada para assumir esse risco por nós, mas na altura foi assustador."
Os U2 e o mundo satirizados
"O maior", "o mais explosivo", "o mais caro" ou a "mais ambiciosa digressão da história", foi assim que a imprensa caracterizou o espectáculo que os U2 criaram com o produtor e ideólogo Brian Eno . A digressão prenunciou a segunda fase da vida criativa do grupo, depois de terem gravado em 1991, na cidade de Berlim, o álbum Achtung Baby , a que se seguiria, dois anos depois, Zooropa .
Contrariando os princípios que até aí caracterizavam o quarteto, assentes nas ideias mais óbvias de autenticidade, os U2 chegavam ao topo da fama e resolviam encenar-se e satirizar-se a si próprios, mas não só: era todo o universo do rock, a comunicação para massas, o poder da imagem ou a queda do muro de Berlim que estavam em cena.
No palco, Bono vestia a pele de personagens, brincando com clichés, expondo-os, pondo-os a nu. Nem todos perceberam a desmontagem e foi dito que estavam a desperdiçar o capital de prestígio, mas passados mais de dez anos é evidente que nunca um grupo de massas havia sido tão ousado. Entre os muitos aspectos curiosos do espectáculo, conta-se o vídeo-confessionário , onde qualquer pessoa podia gravar uma mensagem íntima, ou os telefonemas de Bono , encarnando a personagem de MacPhisto , interpelando em directo alguém desconhecido ou figuras ilustres como George Bush , Luciano Pavarotti ou Bill Clinton .
Pela primeira vez na história, os U2 não recusavam os excessos do rock e do universo da comunicação. Abraçavam-nos, de forma assumidamente excessiva. Há três anos os ingleses Massive Attack , na digressão do álbum 100th Window , inspiraram-se em alguns dos elementos multimédia expostos em Zoo TV, mas com aquele impacto nunca mais houve nada igual. "

"A Zoo TV em Portugal

"Foi a 15 de Maio de 1993, no Estádio de Alvalade, em Lisboa, que a Zoo TV passou por Portugal. Semanas antes o concerto havia esgotado e a expectativa era enorme. Um dos episódios mais singulares aconteceu quando uma jovem, de nome Maria, foi chamada ao palco para filmar o grupo, durante a interpretação de Trying to throw your arms around the world . Ao que parece fazia anos e Bono cantou-lhe os "parabéns a você". O costumado momento em que o cantor telefonava para alguém foi um pouco decepcionante. Nos bastidores falava-se que poderia ser Mário Soares, então Presidente da República, mas o telefonema acabou por ir parar a uma companhia de táxis, onde uma senhora de nome Ana Oliveira - que não percebia inglês - colocou Bono na lista de espera. Tal como nos restantes espectáculos, o cantor vestiu a pele de várias personagens. Numa das mais marcantes, quando fazia de pregador, gritava: "I have a vision ! I have a vision ! I have a vision ! Zoo television !" V.B . "
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um discurso de Abraracourcix às 17:28
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Bento XVI, "o rotweiller de Deus"... e agora o seu incendiário de serviço

Nestes dias em que muito se tem escrito sobre a última polémica papal (porque é que "polémica papal" já é uma força de expressão? porque é que os sucessivos papas, e este parece querer fazer jus à fama, não evitam cair na ratoeira implícita na dita expressão?), andei à procura do texto original lido por Bento XVI, porque não gosto de opinar sobre opiniões, antes sobre os próprios factos. Procurei, mas não encontrei (se alguma das cinco almas caridosas que ler este post souber, mande-me o link please ) e, assim, apenas escrevo sobre o que sei do que se passou.
E o que sei, ou julgo saber, é que o Papa não procurou criar qualquer polémica. A citação tão discutida ("Mostra-me que de novo nos trouxe Maomé. Não encontrarás outras coisas que não maldade e desumanidade, como a sua ordem de defesa da Fé através da Espada", palavras de Manuel II Palaialogos , imperador bizantino, a um sábio persa em 1391), quanto a mim, não pretendia ser polémica. Querendo ser benévolo, concederei que o Papa foi ingénuo nesta parte do discurso - o que não abona em seu favor, porque o detentor de um cargo de tão alta responsabilidade não se pode dar ao luxo de ser, ou pretender ser, ingénuo. Mas, ao mesmo tempo, não deixa de ser significativo que como bem afirmou o Max no seu post "alguém pediu mais uma acendalha?", «pela primeira vez na contemporaneidade católica, se assiste a uma lógica "nós" versus "vocês" sem pudor». 
Não penso que Bento XVI tenha querido afirmar qualquer superioridade da fé católica em relação às restantes e em especial em relação à islâmica.  Mas concordo com o Max na medida em que o Papa quis, isso sim, de forma mais implícita que explícita, afirmar diferenças entre fés - "separar águas", se assim se quiser - e ao mesmo tempo em relação ao seu antecessor no cargo, João Paulo II, "o grande ecumenizador ".  E essa separação, nos tempos que correm, não sendo perigosa  per se (embora possa como tal ser qualificada qualquer declaração papal que, como parece já ser o caso desta, leve à morte de pessoas...), não deixa de prenunciar perigos futuros...
Mantenho, por isso, a minha "nostradâmica profecia" quanto ao fim anunciado do Igreja Católica e quanto ao autor do seu epitáfio - Bento XVI. Só espero que tal fim não surja por meio de uma incontrolável espiral de violência, como as exacerbadas reacções ao discurso papal (paralelos com a recente questão dos cartoons não são seguramente coincidência...) pela primeira vez me fazem recear...
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Proeza no basquetebol português

Insistindo nos meus mini-posts sobre desporto (compromisso entre o meu interesse no assunto e a aparente falta de interesse de que quem lê o Altermundo), aqui vão os parabéns à selecção portuguesa de basquetebol, pelo histórico apuramento para o Europeu da modalidade.
Sempre me habituei a ver a nossa selecção como fraca e destinada a "saco de boxe" das melhores, mas parece que a Federação da modalidade aprendeu com outras modalidades onde já demos o salto da mediocridade para, pelo menos, uma "segunda divisão" (vólei, andebol), contratando treinadores estrangeiros de mérito e que trazem consigo métodos também eles meritórios. Os primeiros resultados aqui estão, com vitórias sobre boas selecções como a de Israel e a da Bósnia (mesmo a da Macedónia era-nos teoricamente superior) e o merecido apuramento. Parabéns!!
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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

Algo vai mal no reino da blogosfera portuguesa

No momento em que escrevo, termino abruptamente o meu giro diário pelos blogs "companheiros, amigos, palhaços", depois de 80% deles, os que pertencem ao blogpost (a sua quota de mercado é avassaladora), estarem em baixo. Devo confessar que percebi hoje a falta que já me fazem alguns dos "irredutíveis gauleses" com quem vou trocando postas: o Max, o Pedro e o Cão Rafeiro, a Hopes & Dreams, para nomear os mais "fiéis"...
Já não é a primeira vez que detecto problemas em determinado servidor de blogs, e já li aqui e ali críticas a servidores que, pura e simplesmente, deixaram de funcionar e obrigar os seus donos a mudar-se de malas e bagagens para "casas de campo" diversas. O Sapo, até ver, qual ilha impoluta, mantém-se intacto...
É caso para uma tira hamletiana (braço estendido, olhos a interrogar o horizonte): algo vai mal no reino blogosférico português!..
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Os melhores javalis


O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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