Quarta-feira, 4 de Outubro de 2006

Abriu a temporada Nobel

Mês de Outubro é, todos os anos, mês de Nobel. É o mês em que tradicionalmente são anunciados os prémios Nobel nas várias áreas, sempre na mesma ordem: Medicina, Física, Química, Economia, Paz e Literatura.
Na segunda-feira foi anunciado o prémio Nobel da Medicina, para Andrew Z. Fire e Craig C. Mello, ambos americanos, por algo que em inglês se descreve como "RNA interference – gene silencing by double-stranded RNA", ou seja, a possibilidade de "silenciar" determinada transmissão de informação genética, o que parece ser promissor com vista ao tratamento de certas doenças (colesterol, por exemplo), mas também nas áreas da biotecnologia e até agricultura.
Ontem, foi a vez do Prémio Nobel da Física, para John C. Mather e George F. Smoot (biografia aqui), "for their discovery of the blackbody form and anisotropy of the cosmic microwave background radiation". Em português para leigos, tem a ver com o primeiro retrato do Universo "bebé" (quando tinha só 380.000 anos), baseado em observações do satélite COBE, lançado em 1989, que permitiram pela primeira vez fazer medições da radiação cósmica de fundo - obtendo, assim, a primeira grande prova da validade da teoria do Big Bang.
Hoje, será anunciado o vencedor (geralmente vencedores, muito raramente vencedoras) do prémio da Química. Segue-se, na agenda Nobel, o prémio da Economia, no dia 9, o da Paz, no dia 13, e o da Literatura, como sempre sem data anunciada.
Ficamos então a aguardar os prémios tidos como mais interessantes, o da Paz e do da Literatura, que como habitualmente ficam para o fim...
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um discurso de Abraracourcix às 09:39
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Terça-feira, 3 de Outubro de 2006

O maior português de todos os tempos

A RTP, que como comemora em 2006 50 anos de existência foi atcada por um vírus revivalista quase a tocar o salazarento, está a desenvolver uma mega-votação com vista a escolher quem foi o maior português de todos os tempos. Apesar do dito vírus, a ideia até é interessante - eu já votei.
Lembrei-me de experimentar lançar um processo paralelo, e escolher aqui no Ãltermundo quem foi o maior "português gaulês" de todos os tempos, aquele que mais se destacou a lutar contra os "romanos" do seu tempo - claro que pode ser alguém incluído na lista de sugestões da RTP (por exemplo, Afonso Henriques, que não é o meu voto). Deixem na caixa de comentários o vosso voto!
De uma forma mais abrangente, vejam a lista e digam-me o que acham de algumas das sugestões, por exemplo do excesso de figuras contemporâneas ( Maria de Medeiros?? Joaquim de Almeida?? Spínola??? Belmiro de Azevedo??!? Mourinho?? Cavaco Silva???!?!) ou do século passado, e digam-me se eu não tenho razão em achar que a ideia cheira a salazarento... só falta o próprio, graçádeus que não ousaram tanto!...
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Haverá esperança para o futebol português?

Com meses de atraso, tomou finalmente posse a nova direcção da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), presidida por Hermínio Loureiro - será coincidência também ele ser "laranja"? Com um discurso muito menos politicamente correcto e muito mais agressivo do que quando se candidatou, prometeu desde logo recredibilizar o futebol português (prometeu não descansar enquanto o futebol "não estiver limpo de uma suspeição generalizada") e anunciou uma longa série de medidas, muitas das quais merecendo a minha concordância - aplauso até - mas que não passam ainda de intenções:

Quer mais gente nos estádios, para o que pretende rever a política de preços e transmissões televisivas.
Pessoalmente, há muito me indigno com o "poker" de dias em que se desenrola cada jornada de competição - é absurdo haver jogos ao domingo à noite, por exemplo, e pior ainda à segunda-feira ou até à terça; sexta-feira não é mau em abstracto mas não há a cultura de ir ao futebol nesse dia; para mim, e como forma de compromisso com a detentora dos direitos televisivos, que naturalmente quer o número máximo de jogos interessantes transmitidos, poderia haver um jogo ao sábado à tarde, outro ao final da tarde (18h30, por exemplo), outro à noite (21h); outro no domingo ao final da tarde (18h30), sendo os restantes, como todos os portugueses estão habituados, simultaneamente no domingo à tarde.

"Se, em algum momento, a Comissão Disciplinar demonstrar falta de disponibilidade para analisar de forma célere os assuntos, (...) serei o primeiro a querer saber quais as razões subjacentes a esses atrasos. Caso não exista justificação plausível, não deixarei de exercer todos os meus deveres".
Bravo. Apesar de ser normal que as coisas funcionem... normalmente... no actual estado de coisas isso não pode deixar de ser aplaudido.

Hermínio Loureiro propõe a criação de uma Taça da Liga e de um troféu de abertura no início da época que se deverá disputar no Algarve.
Aqui, acho que é uma iniciava desnecessária e condenada ao fracasso, mas percebo a intenção.

Declara-se empenhado na procura de novos patrocínios, em particular para a Liga de Honra.
Mais uma vez, excelente intenção (das quais o inferno, a existir, está cheio...)

Revisão dos estatutos da Liga.

Limitação de mandatos dos dirigentes para impedit mais de dois mandatos sucessivos.
"Caminhar no sentido da profissionalização da arbitragem e repensar os modelos de observação, avaliação e classificação" dos árbitros.
Se acontecer, fantástico.

Hermínio Loureiro enunciou ainda várias outras medidas avulsas - como diria Lauro Dérmio, essa mítica personagem, and so ion, and so ion...
Quero deixar claro, para evitar desde já críticas de ingenuidade, que não acredito que metade destas ideias (algumas delas peregrinas, é verdade) vejam a luz do dia. Mas o simples facto de elas serem enunciadas já é positivo em si, pois significa que pelo menos existe vontade mudar as coisas. Se depois, face aos interesses instalados, cunhas, rodriguinhos e "sistemas" da mais variada espécie essa vontade perecerá ou não, isso já é outra discussão. Para já, nem que seja pouco tempo, deixem-me ser um pouco optimista...
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Abraracourcix o chefe falou sobre:
um discurso de Abraracourcix às 14:53
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Os portugueses, o aborto, a SIDA e o princípio da avestruz

Ontem, escrevi isto em comentário a um post do armadilhas acerca do aborto:

"Os portugueses têm uma particularidade (não sei se isto se verifica noutros povos): não querem que lhes digam coisas desagradáveis; fogem como podem de verdades desagradáveis; mesmo quando no seu íntimo sabem a verdade desagradável, escondem-na de si mesmos; em suma, tornam-se avestruzes. E os portugueses acham que o aborto é uma coisa desagradável. Sabem que é uma questão premente que é preciso resolver, mas não querem que lho digam frontalmente."

Deparei-me hoje com um artigo do Público da passada quinta-feira que, à luz deste, chamemos-lhe assim, "princípio da luso-avestruz", ganha nova relevância.
A relevância da minha reflexão é a aplicação deste princípio não só ao referendo sobre o aborto, como no comentário anterior, mas às elevadas taxas de infecção de HIV em Portugal e ao fracasso das campanhas de sensibilização e alteração de mentalidades.
O artigo fala de um livro lançado a semana passada, onde se chega à conclusão que os portugueses negam para si mesmos a probabilidade de contrair SIDA tem e a importância de se protegerem - porque é algo que "só acontece aos outros", aos "drogados", aos "maricas", às "putas". Acima de tudo, é desagradável que lhes digam que não é assim, que o que é relevante são comportamentos de risco onde se inclui as relações sexuais desprotegidas.
É desagradável que lhes digam "vocês também podem contrair o HIV". E como é desagradável, gera-se um mecanismo mental que remete essa informação para um cantinho ignorado do cérebro - o "cantinho da avestruz", de elevadíssimas proporções nos portugueses.
Excertos do artigo:

"Sida desencadeou mecanismo psicológico de negação"

"Que um homem nascido na década de 1950-60 - quando a iniciação sexual se fazia muitas vezes com uma prostituta - desconheça as formas de contágio da sida e tenha comportamentos de risco entende-se; que "jovens nascidos da era da sida" façam o mesmo é motivo de estranheza, defendem os autores de A sida em Portugal e o contexto sociopolítico, que hoje é lançado em Lisboa.
O livro tenta explicar por que razões falharam as campanhas de prevenção da epidemia. Portugal mantém-se como um dos Estados-membros da União Europeia com piores índices da infecção. Isto mais de 20 anos depois do primeiro caso no país, em 1983.
Os autores pegam num exemplo. Num estudo de 2004 provou-se que o risco de contágio associado aos serviços de saúde é sobrevalorizado pelos portugueses. Na realidade, "o risco é mínimo mas a população não se convence disso", lamenta um dos autores, Fausto Amaro, sociólogo e professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
Desde o início da epidemia houve uma associação entre o HIV/sida e grupos de risco: homossexuais, toxicodependentes e prostitutas. Embora a epidemia esteja hoje a crescer sobretudo entre os heterossexuais, a associação a grupos estigmatizados permaneceu. Os inquéritos foram revelando que, muitas vezes, é ignorado o risco de contágio pessoal por pessoas que se julgam invulneráveis por não pertencerem a estes grupos.
As autoridades de combate à epidemia decidiram, há cerca de uma década, mudar o vocabulário, para tentar criar a ideia de que todos correm risco: passou-se a falar de "comportamentos de risco" em vez de "grupos de risco". Mas a "bem intencionada alteração" não veio contrariar crenças arreigadas. "A sida desencadeou em Portugal um mecanismo de negação da doença que deu origem à deficiente percepção do risco de infecção pelo VIH", defendem.

"Os autores passam em revista as várias campanhas anti-sida levadas a cabo pelo Estado e associações como a Abraço. O tom variou entre o informativo, dramático e até humorístico. Ora, são já vários os estudos - no campo do tabaco, obesidade, álcool ou drogas - que demonstram que a informação não basta para mudar comportamentos. E o medo também não, explicam os autores. A pessoa evita captar mensagens que lhe são incómodas. E campanhas para assustar "podem levar a mecanismos de negação da doença ou de estigmatização dos indivíduos atingidos", lê-se na obra.
(...) Fausto Amaro afirma que existe "falta de um plano sistemático e de campanhas de sensibilização contínua". (...) Os autores passam em revista o processo de desenvolvimento do indivíduo desde a infância, quando se começa a desenvolver a identidade pessoal e social, que vai influenciar comportamentos futuros. "A educação da criança é um todo. A educação para a saúde deve começar nas escolas primárias", incutindo-se desde o início, por exemplo, "o sentido de responsabilidade individual, a promoção do respeito entre rapazes e raparigas", sublinha Louise Cunha Teles. É nesta fase que se começa a mudar comportamentos."

(Catarina Gomes)
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006

Afinal não eram favas contadas para Lula

Já se sabe com certeza, Lula da Silva vai mesmo ter de disputar uma segunda volta nas eleições presidenciais no Brasil, contra "o candidato do PSDB", como lhe chamaram na RTP (Lula tem nome, o adversário não...), Geraldo Alckmin.  Se a segunda volta não é em si uma surpresa, pois atendendo às sondagens sempre pairou a incerteza sobre a vitória à primeira de Lula da Silva, já me surpreendem mais os números alcançados por Alckmin: 41,43%, contra 48,79% de Lula, pouco mais de 7 pontos de diferença portanto.
Isto parece-me uma surpreendente vitória para Alckmin, veremos se de Pirro ou não, e uma clara bofetada a Lula, que durante boa parte do mandato apareceu, se não manchado, pelo menos rodeado de suspeitas de corrupção e casos ligados a corrupção. A espada de Dâmocles, que parecia ultrapassada, com todas as sondagens a indicarem uma vitória à primeira volta, começou novamente a pender sobre o Presidente, com a alegada tentativa de compra por correligionários seus de um dossier que incriminaria os principais candidatos do PSDB, a semana passada.
Este caso teve o condão de fazer os brasileiros dizer que "não dá para acreditar mais" que Lula nada sabia, como ele insistiu quando dos escândalos anteriores e repetiu agora. Veremos agora se três semanas serão o suficiente para os brasileiros esquecerem ou pelo menos fecharem os olhos, ou se este caso fez suficientes estragos, qual derradeira gota de água num copo de casos polémicos já prestes a transbordar, para permitir, mais que a vitória de Alckmin, a derrota de Lula - a sua chegada à sua mesa de voto, no modesto bairro de João Firmino, numa espampanante comitiva de várias limusinas blindadas, não deve ter em nada ajudado...
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um discurso de Abraracourcix às 11:27
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A gaulesa aldeia, quase um ícone turístico!

Cinquenta! Sexta-feira tive 50 visitas ao meu blog! Nem acredtiava quando vi as estatísticas do Sitemeter... Nem percebi muito bem a razão de tantas visitas, mas aparentemente a minha remodelação resultou, pois não só tive mais visitas como muito mais comentários, no post alusivo à transformação em "gaulesa aldeia" como noutros, e é isso que me deixa contente, o facto de finalmente estar a criar "massa crítica" que permita suscitar discussões e trocas de opiniões -à boa moda, afinal, da própria "aldeia que tão bem conhecemos" ;) e das suas lendárias zaragatas em torno de peixe pouco fresco ou outros problemas similares... Foi esse o meu objectivo, o de criar "zaragatas" entre os leitores, eu incluído. Continuem por favor! O banquete de javalis será o prémio, no final...
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um discurso de Abraracourcix às 11:20
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Público online deixa de ser pago! A subversão resulta!

Se eu fosse menos modesto, presunçoso até, diria que foi a minha manobra de subversão que fez com que o Público tornasse a sua edição online novamente gratuita - tudo excepto os artigos de opinião. Fiz sucessivamente e sempre que possível cópia de notícias do Público no Altermundo, abusando assim do facto de ser assinante e assim ter acesso livre às notícias, à boa moda de um irredutível gaulês!...
Mas claro que sei que o que motivou este "retrocesso" foi o facto de terem perdido demasiados leitores, pouco interessados em pagar € 50 por ano para ler um jornal na Intenet - ambas as práticas, ler um jornal (não apenas consultar brevemente as notícias) na Internet e pagar por ele estão pouco enraizadas em Portugal, pelo que sempre esperei este insucesso.
Pelo menos parece que a partir de agora posso novamente colocar links nas notícias que retiro do Público. O copy+paste descarado, obviamente, é para continuar.
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um discurso de Abraracourcix às 11:13
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Os melhores javalis


O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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