Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

Pinochet morreu: NRIP

(que Não descanse em paz)

Como já escrevi anteriormente, quando da sua já então anunciada morte, preferia que a "justiça da natureza" não tivesse reclamado a sua pena antes da "justiça dos homens"...
É então com o mesmo sorriso amargo que assisto aos ambivalentes sentimentos dos chilenos, risos e choros (não consigo perceber como alguém pode chorar semelhante tirano... a não ser os que foram por ele beneficiados, os "novos ricos" dessa era, sem dúvida).
Alegria e tristeza misturadas, a provar quão contraditória é a memória colectiva dos anos Pinochet. Se algo de bom há na sua morte, mesmo antes de qualquer terreno julgamento ter tido tempo de se produzir, esse algo é o facto de permitir, finalmente, enterrar os fantasmas dos "anos de chumbo" chilenos e, enfim, olhar apenas para o futuro, que não tem porque não ser apenas melhor que o passado.
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006

Parabéns ao governo holandês pela condecoração aos militares de Srebrenica (reprise)












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um discurso de Abraracourcix às 17:16
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"Cartoon" da semana: parabéns ao governo holandês pela condecoração aos militares de Srebrenica

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um discurso de Abraracourcix às 17:15
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Contra o elefante branco da Ota

E mais um do Público, este um artigo de opinião de Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, com quem cada vez mais vou descobrindo partilhar algumas opiniões. É o caso do presente artigo, que citarei na íntegra e que reproduz mais ou menos fielmente a minha posição relativamente ao elefante branco... perdão, aeroporto da Ota (resumidamente, é uma asneira construir a Ota, melhor opção sendo a de alargar a Portela e adaptar o aeródromo do Montijo para acolher parte do tráfego desviado da Portela)
Já agora, alguém me explica porque se decidiu construir um aeroporto em terreno de leito de cheias - e não de um rio, mas sim na confluência de três (!!) rios. Parece-me no mínimo um bizarro critério...

"Ainda vamos a tempo"

"Já se sabe que as obras públicas estão sempre sujeitas ao efeito consecutivo de um multiplicador comum: primeiro, surgem os estudos de consultores competentíssimos, que indicam um orçamento inicial. Na elaboração dos cadernos de encargos, esse orçamento é multiplicado até se chegar à base de licitação. Adjudicada a obra, os "trabalhos adicionais" imprevistos e não orçamentados multiplicam novamente o valor pelo mesmo factor. Quando a factura chega ao conhecimento do público, a culpa não é de políticos nem técnicos, porque há muito que morreu solteira.
As obras faraónicas anunciadas por este Governo já entraram nessa espiral. No caso da Ota, sabe-se que custará muito mais do que as previsões e não vai ficar "de borla" para o Estado, que deixará de receber os importantes lucros que tem hoje com a Portela. Já se adivinha que a futura parceria pública/privada vai incluir o Aeroporto do Porto (não vá este tornar-se num temível concorrente) e será confundida e misturada com a privatização da ANA. Para cúmulo e como as inundações alagaram a zona de leito de cheia que será abrangida pelo aeroporto, cresce a dúvida se o estudo de impacte ambiental caucionará a gigantesca obra de terraplenagem. Entretanto, a ANA resolveu investir no plano de expansão da Portela, que será realizado até 2010 e custará 550 milhões de euros (antes do tal multiplicador comum...), que depois serão deitados fora em 2017 quando o aeroporto, que entretanto estará ligado ao metro, for demolido para ser substituído pela Ota...
Mas as novidades não ficam por aí. Lembram-se da nove ponte ferroviária entre Lisboa e o Barreiro que, segundo o Governo, devia servir para os TGV destinados a Madrid e ao Algarve e também para o do Porto e para as "navetes" do aeroporto da Ota, que entrariam em Lisboa pelo sul? Afinal, os últimos estudos mostram que a elevada duração destes dois trajectos exigirá a construção de um novo e caríssimo canal de entrada em Lisboa pelo lado norte...
Com tantas "surpresas", deviam-se repensar e articular os projectos ferroviários e aeroportuários. Desde logo, é preciso "casar" os estudos de procura (que foram elaborados em separado...) porque é certo que a rede de TGV vai arrefecer a procura do transporte aéreo em 20 por cento. Em segundo lugar, deve ser reavaliada a opção "Portela + 1", que passa por ampliar o aeroporto existente e desenvolver um outro, secundário para as low cost, por exemplo na base aérea do Montijo. Essa solução foi rejeitada para Lisboa (apesar de ter sido adoptada em muitas capitais) com o argumento de que com dois aeroportos não se conseguem economias de escala. Ora, não serão essas economias muito menores do que os exorbitantes custos associados à opção Ota?
Uma coisa parece evidente: a opção "Portela mais Montijo" justificaria que, em vez da ponte do Barreiro e do novo canal a norte, se concentrasse todo o tráfego ferroviário por uma travessia a montante, exactamente na zona do Montijo. Teríamos então um sistema integrado, com uma nova rede ferroviária (sem navetes...) a ligar todos os nossos aeroportos...
Com menor pompa e circunstância e maior realismo, talvez ainda se vá a tempo de evitar grandes asneiras..."
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um discurso de Abraracourcix às 14:11
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Pero que las hay, las hay...

Do Público de hoje:

"Governo recusa dar listas de passageiros ao PE"

"O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, comunicou ontem à delegação da comissão temporária que investiga os voos secretos da CIA a impossibilidade de o Governo fornecer aos eurodeputados "elementos complementares" sobre os aviões considerados suspeitos de transportarem prisioneiros.
Amado justificou esta posição alegando que tal procedimento violaria a lei nacional. (...) "O ministro recordou que não está em condições de fornecer à comissão alguns elementos complementares, nomeadamente as listas de passageiros, uma vez que isso constituiria uma violação da lei portuguesa"

Mais um facto muito significativo - embora se trate quase de um segredo de Polichinelo, tão óbvia parece ser a evidência do que aconteceu - escondido sobre a "capa" de uma relativamente inócua notícia: o Governo reconhece que tem em sua posse o nome dos passageiros que foram transportados de e para, entre outros destinos, Guantánamo... É como a história das bruxas: pero que las hay, las hay...
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um discurso de Abraracourcix às 14:06
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Post da semana

Esta semana o destaque não podia, obviamente, deixar de ir para a chamada de atenção do Armadilha para ursos conformistas para a condecoração pelo governo holandês dos "heróis" que estiveram na força da ONU em Srebrenica. "Isto não é uma microcausa". Não, não é, e como nada consigo dizer para além das débeis palavras que também eu que também eu me senti obrigado a escrever, fica apenas o link. Destaco também os comentários extremamente interessantes e a discussão que se gerou, que complementam o próprio post. Tomo a liberdade de aqui deixar dois comentários da Macambúzia Jubilosa, que são para mim os mais adequadamente expressivos, daqueles que me fazem sentir que "era assim que eu gostava de ter conseguido escrever":

"Mas os capacetes azuis holandeses passaram frio e fome enquanto assistiam impávidos e serenos ao massacre de 8000 pessoas?
Mas os capacetes azuis holandeses, denominados "força da paz", que haviam decretado Srebrenica como sendo zona de segurança, passaram fome e frio enquanto assistiam à pior atrocidade já cometida na Europa depois da Segunda Guerra Mundial?
Mas os capacetes azuis holandeses passaram fome e frio enquanto assistiam ao genocídio de milhares de pessoas, entre as quais crianças?
Mas o governo Holandes passou fome e frio enquanto condecorava aqueles soldados?
Dizer ainda que há pessoas que passam frio, fome e medo e nem por isso matam e cometem atrocidades.
Dizer ainda que há pessoas que tem todos os motivos, todas as condições, todas as formas e possibilidades de cometerem atrocidades e não o fazem.
Dizer ainda que, em um ou dois cenários hipotéticos e extremos, consigo colocar a possibilidade de ver-me a matar alguém. Ou não. Não sei. Sentir ódio e intolerância, concerteza que sim.
Dizer ainda que tenho plena consciência que, se não tivesse nascido, crescido e vivido num determinado contexto, provavelmente não me seria possível, a reflexão, a critica, a auto-vigilância, a tentativa de evolução pessoal através de princípios e valores que se sustentam na tolerância e na liberdade.
Dizer ainda que acho tremendamente redutor e desculpabilizador dizer que somos intrinsecamente maus e violentos, somos todos capazes de matar, que basta um clic para mostrarmos o nosso pior lado, que somos todos animais.
Dizer ainda que cada caso é um caso. Se em casos de sobrevivência e situações-limite consigo pelo menos tentar compreender (sem que com isso tenha de desculpabilizar) é um facto.
Se um governo dum país dito "civilizado" com responsabilidades actuais diversas, com responsabilidades na altura de fazer exactamente o oposto do que fez e cujo sentimento devia ser de consternação, vergonha e arrependimento, regozije comemorativamente a situação, não consigo sequer conceber."

"E dizer ainda que a história devia ensinar-nos alguma coisa. Mas para isso é preciso haver assunção dos erros e vontade de mudar e de evitar que volte a acontecer.
E por tudo isso, por tudo o que esta acção do governo holandês representa, acho isto muito grave."

E como não vai haver cartoon da semana, vou colocar o postal que aqui encontrei - e que já está e vai permanecer na barra do blog - para que todos demos os parabéns ao governo holandês por esta condecoração, para que fique bem no topo do Altermundo durante todo o prolongado fim-de-semana, para que seja a primeira coisa vista pelo punhado de leitores que aqui virão até segunda-feira.

Porque temos o dever de não esquecer. Porque temos o dever de nos indignar. Porque enquanto houver quem como nós se sinta enojado e indignado, há pelo menos esperança.
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Iraque: "and now, for something completely different"

A citação é dos Monty Python, e a situação no Iraque é por estes dias quase tão absurda como os sketches destes - só não é igualmente hilariante, e muito menos igualmente genial...
Vem esta citação a propósito da apresentação do Iraq Study Group (versão integral aqui) do encomendado plano para a reformulação da estratégia americana no Iraque.
Essencialmente, resume-se áquilo que, pelo menos para europeus informados, não é mais que verdades de La Palisse: a actual política de Washington está a ter resultados desastrosos, pelo que é necessário alterá-la substancialmente; todos os actores regionais, incluindo a Síria e o Irão, devem ser envolvidos na estabilização do Iraque e do Médio Oriente, o que passa também pela resolução de situações como a do Líbano ou a da Palestina; aumentar o número de tropas no Iraque não resolve a situação, reduzi-lo também não, pelo que é necessário progressivamente dar mais responsabilidade às tropas iraquianas; o grande desafio é a "reconciliação nacional" entre árabes xiitas e sunitas e curdos.
Tudo isto, todas estas "brilhantes" conclusões, não é novo, mas tristemente tudo isto é fado...
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um discurso de Abraracourcix às 09:58
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

Sic transit gloria mundi

O Max já tinha alertado para isto a semana passada, hoje @ irredutível armadilhador@ cãorafeiro chama também a atenção para  o que é já um facto consumado. A semana passada, ao ler o post do Max, fiquei demasiado aterrado para escrever sobre isto. Hoje, também não sei que escrever sobre o inominável, mas entendo que um acto tão abjecto não pode passar sem destaque.
Acontece que as tropas holandesas que estiveram em Srebrenica, e que tão bem se portaram - segundo os padrões sérvios obviamente - foram condecoradas pelo governo holandês. É quase demasiado mau, demasiado acéfalo, para se acreditar. Tal como @ cãorafeiro, também não sei que escrever. Que dizer dos governantes holandeses quando olho e não reconheço homens?... que dizer dos governados holandeses, que tendo pressionado a demissão do governo de Wim Kok quando da divulgação das responsabilidades dos militares holandeses, em 2002, hoje se manifestaram mas não o suficiente, não estavam suficientemente indignados?...
Não acredito em Deus, mas se acreditasse, ou mesmo sem acreditar, apetece-me citar o título do único livro que até hoje me fez chorar, sobre o Holocausto, E Deus Teve Vergonha de Ser Homem (não me recordo do autor, sei que é português e nada conhecido).
Hoje, se Deus existisse, teria vergonha de ser Homem.
A semana passada, em comentário à notícia, só consegui escrever, de forma titubeante: "Como é possível ter o desplante de condecorar quem, se não for responsável directo, é no mínimo culpado (de forma já provada!) de olhar para o lado... vergonhoso... Hoje, ainda bem que não sou holandes..."

Hoje, acrescento, também eu tenho vergonha de ser Homem...

PS - Os links referentes à notícia são os mesmos do post d@ cãorafeiro, que me perdoe desde já pelo preguiçoso "plágio". El@ destaca também um site onde podemos dar os parabéns ao governo holandês pela ideia de condecorar os militares que estiveram em Srebrenica. Nesse mesmo site também podemos, penso eu (aquilo está em servo-croata), importar banners, o que farei desde já.

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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

A merecida agonia de Pinochet

Regresso de um fim-de-semana prolongado muito proveitoso em termos de descanso, e por isso algo alheado das notícias... Regresso no entanto a tempo de assistir à agonia final de Pinochet, com um sorriso amargo nos lábios. Preferia que ele sobrevivesse para sentir na pele a "justiça dos homens", mas não posso deixar de me sentir interiormente reconfortado com esta sempre inexorável espécie de "justiça da natureza".
Que não descanse em paz.
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um discurso de Abraracourcix às 10:34
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Os melhores javalis


O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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