Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Por que Sócrates não podia ter optado pelo referendo ao Tratado de Lisboa

Já escrevi algures numa caixa de comentários de um blog irredutível qualquer que a opção entre referendo e ratificação parlamentar do Tratado de Lisboa era uma falsa opção.
A partir do momento em que Sócrates acordou, explícita ou tacitamente, com os restantes chefes de Estado da União Europeia em como o Tratado seria ratificado sempre que possível nos parlamentos nacionais, a partir desse momento, dizia - ainda para mais porque era Sócrates quem presidia às negociações - a escolha estava feita.
Não compreendo por isso as razões que levaram Sócrates a alimentar durante meses este tabu. Menos compreendo por que motivo, justamente quando já se adivinhava o iminente anúncio da ratificação parlamentar e todos estavam a ela resignados, começaram a aparecer notícias de que a balança pendia para a opção referendária.
Foram precisos telefonemas de Merkel, Sarkozy e outros, sem dúvidas dolorosos "puxões de orelhas" ao nosso primeiro-ministro, para que este se decidisse enfim a anunciar a ratificação pelo Parlamento.
Coloco três hipóteses para o que se tornou numa trapalhada de todo evitável:
- ou Sócrates genuinamente preferia o referendo e hesitou entre seguir o seu instinto e cumprir o acordado aquando da finalização do Tratado;
- ou havia sectores do PS e do Governo que pressionaram Sócrates a tal ponto que este começou a vacilar;
- ou, por último, ciente de que não tinha outra opção que não quebrar mais uma promessa eleitoral, orquestrou com a sua equipa uma "cortina de fumo", em que passaria por preferir o referendo mas, falsamente contrariado, acabar por escolher o inevitável, a ratificação parlamentar.
Não sei se por cinismo ou realismo, aposto nesta última explicação. Assim, o ar contrito de Sócrates ao ler na Assembleia da República o discurso que tinha escrito (e eu nunca o tinha visto a ler, sempre o vi a falar sem recurso a papéis!), como que um Calimero a dizer "eu queria o referendo, mas sabem, não me deixam...non è giusto...", terá sido apenas uma performance político-teatral digna de nomeação para Oscares!...
Mas cada um escolha a explicação que lhe parecer mais plausível...
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um discurso de Abraracourcix às 19:26
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Aeroporto em Alcochete: está escolhido!

Sócrates anunciou hoje, no final da reunião de Conselho de Ministros, que o novo aeroporto de Lisboa será em Alcochete. Fico aliviado: já aqui e aqui tinha deixado expressa a minha opinião de que a Ota era uma hipótese pouco melhor que absurda - sobretudo porque todo o processo que culminou nessa escolha foi tudo menos transparente...
Agora, sob pressão da opinião pública, da oposição, até de sectores do patronato, o processo foi mais claro: uma chuva de estudos que apontavam todos eles para as vantagens da hipótese Alcochete - a própria hipótese foi lançada pela opinião pública, lembram-se? - e finalmente o anúncio de que o Governo, atento ao desgaste da sua imagem, emenda a mão e escolhe Alcochete.
Fica assim provado definitvamente (sinais já havia anteriormente) de que por mais arrogância e absolutismo que demonstrem normalmente, Sócrates e o seu Governo são permeáveis a pressões públicas.
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um discurso de Abraracourcix às 19:11
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Locais onde é permitido fumar

Nas minhas deambulações urbanas pelo Porto, tenho verificado que todos os cafés, restaurantes, etc., desta cidade optaram pela proibição total de fumar. Foi já irritado com isto que descobri duas excepções: o restaurante Shakesbeer e o shopping Parque Nascente, que intoduziram espaços para fumadores.
Decidi então adicionar à barra direita do Altermundo, para condizer com o novo autocolante azul deste liberal espaço, uma lista de locais onde seja permitido fumar. Conto para isso com a vossa ajuda, ilustres e irredutíveis gauleses leitores deste blog, dizendo-me locais - centros comerciais, restaurantes, bares, tascas, qualquer lúgubre tugúrio deste nosso paternal rectângulo - onde saibam que também é permitido fumar.

PS - apelo já agora ao voto nas belas sondagens (pelo menos acho que as cores são bonitas!) que coloquei aqui e onde ainda ninguém participou.
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Prémios Personalidade do Ano 2007

À semelhança do que fiz no ano passado, mas desta vez de forma mais democrática, estou a promover uma votação para Personalidades do Ano de 2007, já disponível na barra direita do blog.
Para contextualizar um pouco a escolha, aqui ficam inks para a wikipedia e o meu argumento para a escolha dos "candidatos":

Nacional

Prémio El Rei D. João II:

não atribuído este ano, por falta de candidatos, ou apenas alguém que tenha feito o que quer que seja de positivo na política nacional (mas se alguém se lembrar, agradeço que desbloqueie a minha amnésia selectiva)

Prémio Santana Lopes:
Correia de Campos,  a Besta, cuja foto hiper-realista tem lugar cativo no Altermundo; é preciso dizer mais?
Manuel Pinho, campeão das gaffes e dislates, paladino-mor da incompetência que Sócrates quase parece gostar que o rodeie
José Sócrates: ele é que manda nos outros candidatos (e os dois que escolhi são só os exemplos mais paradigmáticos; até Teixeira dos Santos, a quem atribuí o prémio El-Rei D. João II o ano passado, foi contaminado); ele é que é o "presidente da Junta" (os nomes "lúgubre tugúrio", "escura catacumba", "choldra" ou equivalentes serviriam igualmente para descrever o estado deste nosso rectângulo, sem qualquer sinal de melhoras vindouras)

Internacional

Prémio Gandhi:
Al Gore, mais que merecido Nobel da Paz; é graças em grande parte ao seu hercúleo esforço (e mediatismo) que hoje em dia é impossível passar mais que um dia sem se falar do aquecimento global
Angela Merkel, dos poucos líderes europeus com L grande
Kevin Rudd, pelo simbolismo de ter adoptado, como primeiríssima medida depois de tomar posse como primeiro-ministro da Austrália, a ratificação do protocolo de Kyoto, autêntica bofetada de luva branca aos Estados Unidos e à sua anti-política ambiental

Prémio Bush:
Jaroslaw Kackynski, o incendiário (felizmente) ex-primeiro-ministro polaco
Pervez Musharraf, principal responsável por o Paquistão se ter tornado no lugar mais perigoso do mundo
Vladimir Putin, feiticeiro responsável pelo advir da nova guerra fria e pelo aniquilamento definitivo de toda e qualquer manifestação de democracia no maior país do mundo

Cultura

Prémio Picasso:
The Arcade Fire, a banda que se fala e de que me tornei, confesso, fanático; o seu segundo álbum, "Neon Bible", é tão bom como o já fantástico "Funeral"; o rock está vivo e bem vivo e o seu futuro passa por estes canadianos
Jonathan Littell, escritor americano que escreveu "Les Bienveillantes" ("As Benevolentes" na não completamente acertada tradução portuguesa), um calhamaço de 900 páginas em francês sobre o Holocausto na perspectiva de um SS; livro do ano em França, sensação um pouco por todo o lado; estou ansioso por começar a lê-lo, espero que o meu francês aguente a maratona
Radiohead: editaram um álbum novo, "In Rainbows", mas a nomeação é pelo lançamento do mesmo exclusivamente online, no site da banda e de preço livre (cada um pagava o que achasse justo, a começar por... zero!), acto que lançou o derradeiro prego no caixão da indústria musical; se para mim esta já estava morta, agora está morta e enterrada


Prémio Pimba:
Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP): se querem ver como se faz uma greve, olhem para Hollywood, onde os guionistas pararam em Novembro, como protesto pela política dos produtores, reunidos na AMPTP, de não lhes pagar pela difusão dos conteúdos de sua autoria na Internet ou em DVD, ameaçando já o desenvolvimento da maior parte das séries americanas, alguns filmes e mesmo a realização dos Óscares - não se pode fazer se ninguém escrever as piadas...
Indústria musical: Para além dos Radiohead, também Madonna e Prince já perceberam o que o futuro reserva e lhe viraram costas. Está morta e enterrada, como escrevi acima.
Isabel Pires de Lima: ministra da Cultura? Mas qual cultura?


Desporto

Prémio Paris-Dakar:
Roger Federer, há quatro anos imperador incontestado do ténis mundial; mesmo quando joga mal, joga bem.
Team Alinghi, equipa vencedora da Taça América em vela
Vanessa Fernandes, vencedora de tudo o que era prova de triatlo em 2007, provavelmente a nossa melhor desportista da actualidade

Prémio Bimbo da Costa:
Doping: no ciclismo, no atletismo, no desporto americano... os escândalos não param
Luiz Felipe Scolari: sou adepto do excelente trabalho que tem feito na selecção portuguesa, goste-se ou não do estilo e apesar da excessiva tremideira na qualificação para o Euro 2008; a agressão a Dragutinovic no final do Portugal-Sérvia, no entanto, é completamente indesculpável e é por isso que o nomeei
Selecção portuguesa de hóquei em patins: com um historial ímpar na modalidade, sendo ainda a selecção com mais Mundiais ganhos, Portugal sempre se tinha qualificado pelo menos para as meias-finais desta competição. Até 2007.
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

Dia 1 de Janeiro do ano 1 d.f.

Primeiro dia da era d.f., ou seja, depois do fascismo.
Sinto-me estranho hoje.
Sinto olhos cravados nas minhas costas.
Sinto-me observado por silenciosos vigilantes, zelando para que me mantenha parte da secção "saudável" da população.
Sinto que vivo num país que se tornou hoje definitivamente paranóico e fascizante.
Sinto que o big brother está nas ruas e que me espia em cada esquina.
Sinto que, com 24 anos de atraso, George Orwell tinha razão.

Deixo para os próximos dias um post de fundo sobre esta questão. Para já, deixo apenas um apelo a quem se sinta tão incomodado como eu com esta lei, fumador ou não, pouco importa:

sempre que entrem num sítio onde passou a ser proibido fumar (centros comerciais, restaurantes, cafés, hotéis), façam de conta que estão a fumar, tenham sempre um cigarro nos lábios ou nos dedos

É um acto de protesto inútil, eu sei, mas já fiz isto hoje e sabe muito bem quando um segurança se dirige a nós ou quando ouvimos comentários maldosos nas nossas costas. Não serve para mais nada, mas trará ao menos um sorriso aos lábios e sossega a nossa alma atormentada pelo definitivo estabelecimento de uma sociedade fascista, paranóica, abjectamente paternalista.

Hoje, o pequeno fascista que vive ainda e sempre dentro de cada português rejubila, sente vibrar dentro de si a pulsão da salazarista delação.


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Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Lá vai Lisboa...

Bem se pode dizer que a actual situação política de Lisboa se assemelha às marchas populares, que também se aproximam: temos vários candidatos a santos, competindo para ser escolhido como o mais popular. A diferença é que em vez de uma noite, estas marchas populares se desenrolarão ao longo de um mês e meio, culminando na grande marcha eleitoral de 1 de Julho, onde se saberá finalmente se o santo mais popular para os lisboetas é S. José, S. Ruben, Sta. Helena, S. Fernando, S. Luís (??), S. Manuel, S. José (este desfila pela direita e é bastante menos santo que o outro), tentando contrariar o presumido favoritismo do santo da casa, Sto. António...

José Sá Fernandes
Só poderia ser ele o candidato do Bloco de Esquerda. Tem aura de "incorruptível" e terá aí granjeado popularidade. Vai por meio disso e do seu extremo mediatismo (marca registada do BE) conseguir um bom resultado.

Ruben de Carvalho
O candidato comunista tem também uma imagem de rectidão. Junto com o BE, o PC desde sempre reclamou também eleições antecipadas para resolver a confusão em que mergulhou a Câmara de Lisboa, o que ajuda a retocar a imagem comunista de impoluto. É de frisar que a situação em que Lisboa está não é da exclusiva responsabilidade das gestões de Carmona Rodrigues e Santana Lopes - ela já se começava a desenhar antes, em executivos PS com uma mãozinha comunista... mas duvido que a memória do eleitorado vá tão longe.

Helena Roseta
Campanha Alegre, parte 2. Os "alegristas", ou melhor, a ala mais à esquerda do PS, parece adorar dar dores de cabeça a Sócrates. É o preço a pagar por ser um líder que só olha para a sua direita, suponho. Ainda não é sequer certo que consiga apresentar a candidatura, fruto de uma decisão vergonhosa do Governo Civil da capital, mas se for às urnas será a grande sombra de dúvida sobre a vitória do PS. A corrida será então a três, entre uma candidata independente (mesmo que "dissidente", como ontem ouvi na televisão) e que só por isso já merecerá crédito suplementar face ao status quo, e cujos votos serão retirados do espaço "natural" do PS - mas também do BE - o candidato oficial do PS e que quererá beneficiar do  "castigo" que os eleitores deverão querer dar ao PSD e o candidato laranja, que poderá beneficiar da dispersão de votos à esquerda. Neste cenário, o resultado das eleições intercalares será completamente imprevisível.

António Costa
É um nome forte, conhecido de todos, com imagem de "posso, quero e mando", o que em altura de crise é um ponto a favor. Já o facto de ser um "homem do aparelho", o que ele sem dúvida é e não tenta sequer camuflar, poderá jogar contra ele. Tal dependerá da eficácia com que a carta for jogada pelos adversários - por exemplo, a instabilidade que a sua escolha para candidato gerou no Governo e no Tribunal Constitucional; já a paternidade da Lei das Finanças Locais, que terá lesado os cofres lisboetas, me parece pura demagogia, mas é sabido como esta por vezes é eficaz...

Fernando Negrão
É sintomático do abismo em que o PSD mergulhou o facto de este ser o nome mais forte que o PSD conseguiu apresentar. Em autêntico clima de pré-guerra civil, um natural mau resultado do candidato - será castigado por o PSD ser o directo responsável pela crise política da Câmara - será indirectamente um castigo a Marques Mendes, e Luís Filipe Menezes sairá beneficiado (já esfregará as mãos de contente, e silenciosamente torcerá sem dúvida para que o PSD seja esmagado nas urnas).
O candidato não é especialmente conhecido pelos lisboetas (é deputado por Setúbal, autarquia assolada por um escândalo de tráfico de influências onde é também vereador), foi ministro mas passou entre as gotas da chuva das trapalhadas de Santana Lopes, e ninguém se lembrará dele desse período. Chefiou a Polícia Judiciária, mas isso já foi há muito tempo e ninguém se lembra, por isso não conseguirá capitalizar o perfil de "durão".

CDS
Ainda não apresentou o seu candidato. O mais falado é Luís Nobre Guedes, que é um bom nome mas que saiu chamuscado da experiência governativa catastrófico-santanista e do caso Portucale.
Mais uma vez, dependerá da memória e cultura política de quem for votar... (uma abstenção elevada como será talvez de esperar fará com que quem vote tenha , na minha óptica, tendencialmente mais cultura política beneficia os candidatos "de boa memória" - neste caso, Sá Fernandes, Ruben de Carvalho, talvez Roseta)


Manuel Monteiro
Pouca mossa poderá fazer, a não ser que siga o ovo de Colombo (como é que nunca ninguém se tinha lembrado disto?) revelado pela campanha para as eleições regionais madeirenses, onde a campanha do PND foi de longe a mais inventiva e original (e premiada por isso com um inesperado deputado regional), apresentando nas inaugurações de Jardim um suposto candidato "pacóvio", uma engraçada caricatura de Jardim que foi mediaticamente muito eficaz.

José Pinto Coelho
Tem-se falado demais do PNR nos últimos tempos. Qualquer coisa que o partido ou Pinto Coelho faça, ou qualquer coisa que não faça, tem um eco desmesurado. A 1 de Julho, terá uma votação insignificante e (assim os media o entendam também...) será reduzido à insignificância que é.
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um discurso de Abraracourcix às 10:22
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Reflexões sobre as eleições em França (revisto e aumentado)

Desta vez sem qualquer surpresa do calibre do "21 avril" de 2002, o povo francês votou e escolheu Nicolas "robocop" Sarkozy (Sarko para os franceses) e Ségolène "pudim" Royal (Ségo) para a segunda volta, a disputar a 6 de Maio.
O meu primeiro destaque é para a participação eleitoral: votaram perto de 85% dos eleitores. 16% de abstenção, as eleições mais participadas desde 1968 (fim da era De Gaulle). Isto, numas eleições em que muito estava em jogo (fim do consulado Chirac - um anão intelectual quando comparado com De Gaulle, e não só com ele... - memórias da segunda volta de Le Pen há 5 anos, crise de identidade...), não deixa de me surpreender quando comparado com a realidade portuguesa.
Nas últimas legislativas, por exemplo, onde muito também estava em jogo (fuga de dois primeiro-ministros, naufrágio de um terceiro, um país completamente À deriva) e onde os analistas concordaram ter havido um bom nível de participação, a abstenção foi de 35% (recuo de 3 míseros pontos face às legislativas anteriores).
Dei-me ao trabalho de pesquisar o site da Comissão Nacional de Eleições e descobri que em Portugal só houve uma abstenção menor que esses 16% nas eleições para a Constituinte, em 1975. De resto, há 20 anos que a abstenção em todas as eleições nacionais é maior, substancialmente maior a partir de certo ponto e sempre crescente até ao princípio da presente década.
Lembro-me por isso de um debate relativamente recente com alguns gauleses irredutíveis que de vez em quando passam por esta aldeia, e eu pelas aldeias deles, acerca da relevância do voto e da abstenção militante. O exemplo que dei na altura foi precisamente a realidade francesa, e estes resultados só reforçam a minha ideia da importância de votar e que isso é tanto mais importante quanto mais está em jogo. Os franceses, de resto, concordaram ontem comigo...

Quanto aos resultados propriamente ditos, e como já li algures, a surpresa foi mesmo o facto de não ter havido qualquer surpresa: passaram à segunda volta os favoritos das imensamente descredibilizadas empresas de sondagens.
Sarko (31,2%) e Ségo (25,9%), de resto, obtiveram votações algo superiores ao antecipado, a atestar que houve alguma bipolarização. E digo alguma porque o voto de protesto - o maior medo nestas eleições, o qual em 2002 provocou o terramoto político que foi a passagem de Le Pen à segunda volta - se manteve, mas foi eficazmente canalizado pelo centrista Bayrou, que ao apostar num algo demagógico discurso anti-sistema - sobretudo anti-dicotomia direita/esquerda - obteve uma excelente votação de 18%.
Para além disso, muita da votação anterior de Le Pen foi "canibalizada" pelo discurso "robocop" de Sarkozy. À esquerda, fenómeno simétrico deste aconteceu com a votação da extrema-esquerda e o discurso "floreado" de Ségolène.
A minha leitura é então esta: quem há 5 anos utilizou o voto como arma de protesto e fez não só com que Le Pen fosse o segundo mais votado, mas também com que o voto nos extremos políticos (a FN de Le Pen e os diversos candidatos da extrema-esquerda) atingisse perto de 30%, desta vez preferiu maioritariamente Bayrou; quem votou de novo nestas eleições e contribuiu para a enorme taxa de participação causou a bipolarização entre os dois principais candidatos.
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

O Verdadeiro Melhor Português de Sempre é...

Encerrei hoje a votação para o Melhor Gaulês de Sempre. A participação foi excelente, e é tempo de anunciar os vencedores... Uma vez que houve empate entre várias personalidades, espero que os irredutíveis leitores não se oponham a que exerça o meu voto de qualidade, enquanto chefe desta irredutível aldeia, para escolher o vencedor de entre os empatados.

Assim sendo, o Verdadeiro Melhor Português de Sempre, e o Melhor Gaulês, é...

D. Afonso Henriques!!
(com uma menção muito honrosa para Agostinho da Silva, que ficou empatado com o nosso rei fundador, e outra menção um pouco menos honrosa para Eusébio, que também ficou empatado)
Quanto aos prémios para cada área (Política, Sociedade, Cultura, Ciência, Desporto):

O Melhor Gaulês na área da Política é... D. João II

O Melhor Gaulês na área da Sociedade é... Pêro da Covilhã

O Melhor Gaulês na área da Cultura é... Fernando Pessoa

O Melhor Gaulês na área da Ciência é... Egas Moniz

O Melhor Gaulês na área do Desporto é... Eusébio
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Regresso lutuoso

Depois de um lutuoso interregno causado por imprevistos - mas infelizmente demasiado previstos - acontecimentos, o Altermundo volta ao mundo dos vivos... 
(e desde já as minhas desculpas pelo atraso na resposta aos comentários)
Ainda a inteirar-me das implicações das notícias desta semana, não vou falar da licenciatura do sr. Sócrates (não seria tudo mais simples se os notáveis portugueses fossem tratados apenas por "sr.", como tão impecavelmente fazem os britânicos?), cujos fraternos laços com a nefasta Universidade Independente permanecem por desvendar por mais esclarecimentos que (não) se façam. Também não falarei das eleições timorenses, a aguardar mais definitivos resultados, nem das novas diatribes iranianas, apenas o culminar da política externa de Teerão ou da  al-qaedização do terrorismo na Argélia.
Por ora, quero apenas frisar que a eleição do Verdadeiro Melhor Português de Sempre, que deveria já ter terminado, se prolongará para mais alguns dias. Isto dará, espero, tempo para que os votantes corrijam os resultados actuais e que põem Eusébio em primeiro lugar, e deste modo para que eu possa respeitar inteiramente a atmosfera democrática desta gaulesa aldeia...
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

Gato Fedorento combatem PNR com as mesmas armas

Pelo menos enquanto não transpuserem a ténue linha que os separa do apelo à violência (e o PNR tem sido extremamente cauteloso em nunca o fazer, caminhando sempre sobre o fio da navalha dessa mesma ténue linha), é precisamente com as mesmas armas que devemos combater este tipo de ideiais. A ideias de intolerância, contrapõem-se ideias de tolerância, desmontando a demagogia e as contradições das primeiras.. A cartazes apologéticos destas, contrapõem-se cartazes desconstruindo-as.
Foi precisamente o que decidiram fazer os Gato Fedorento, ao colocarem um cartaz (pago do seu próprio bolso) mesmo ao lado do cartaz "parvo" do PNR. Aqui fica ele, e peço desculpa pela imagem, mas a única que consegui encontrar foi do Público, onde de resto tem honras de primeira página.




Cada vez mais apetece cair de joelhos e tecer-lhes prolongadas loas, tamanha é a pedrada no charco que representam no tendencialmente amorfo Portugal...
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Terça-feira, 27 de Março de 2007

O verdadeiro Melhor Português de Sempre

Fiel ao espírito alter- que é o meu e o deste blog, a partir de hoje e por período a definir está aberta a votação para o Melhor Gaulês (quer dizer, Português) de Sempre.
Para começar, existe uma votação para o Melhor Gaulês nas áreas de Política (governantes ou líderes políticos), Sociedade (outras personalidades que não se enquadrem numa perspectiva política), Ciências, Cultura e Desporto. Depois, os quatro nomeados de cada uma destas categorias está, por inerência, nomeado para a escolha de Melhor Gaulês de Sempre.
Para ajudar à escolha, aqui ficam os links wikipédicos (em português ou em inglês, sempre que este último artigo for mais desenvolvido, o que é algo vergonhoso mas acontece com alguma frequência) para saberem mais sobre cada um destes ilustres e irredutíveis gauleses. O resto é com vocês, leitores!...
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O Portugal de Salazar

Como já de alguma forma se antecipava há algum tempo, Salazar venceu a votação do Maior Português de Sempre, gongoricamente promovida pela RTP desde há largos meses.
Conheço quem tenha entrado em choque com o resultado. Conheço quem se recuse a acreditar que 82.000 portugueses (41% dos 200.000 que foi dito terem votado) genuinamente pensem que Salazar é o maior português da nossa História de quase 900 anos. Conheço quem faça planos de emigrar para Espanha, ou para outro qualquer sítio onde um ditadorzeco não seja o maior do sítio.
Como conheço quem, não concordando, aplauda a escolha, por ser a manifestação de um descontentamento, um mal-estar, uma malaise indefinida - um spleen, à maneira dos absínticos escritores do séc. XIX -  que perpassa e afecta o mais profundo da sociedade portuguesa.
Aplausos espúrios, penso eu. Se por um lado gosto do facto de a escolha permitir abrir o armário dos esqueletos onde durante tempo se escondeu, como tabu, tudo o que se referia ao Estado Novo, à ditadura, a Salazar (ainda hoje é difícil pronunciar este nome sem tremer, qual Voldemort português, "aquele cujo nome não se pode pronunciar"), e reconheça que se trata, apenas e só, de um programa de entretenimento que teve muitos defeitos mas a virtude de fazer com que se fale do que não é normalmente falado, por outro há algo que brota do mais profundo de mim, do lugar mais recôndito da minha consciência, lá onde se aloja tudo o que faz de mim aquilo que sou, algo que recusa, que não pode aceitar uma escolha destas.
Mesmo admitindo - e até certo ponto concordando - uma necessidade de protesto pelo estado a que isto chegou (o recurso a uma certa citação de há 33 anos é propositado), mesmo partilhando do tal mal-estar geral, mesmo sentindo também eu, e muito, o tal spleen, não posso aceitar que essa necessidade de protesto gere um voto maciço num ditador que representa tanto daquilo que não se quer. É dizer que estamos mal, e que queremos mudar, mas em vez de ansiarmos por algo melhor, ansiarmos a voltar ao estado anterior, que nos esquecemos, ou queremos esquecer, que era pior.
Sim, estamos mal. Sim, é preciso mudar o estado a que isto chegou. Mas antes estávamos pior, e acho fantástica a dimensão do aspecto selectivo da memória. A memória colectiva é curta, sem dúvida, e muito, demasiado selectiva.
Para além disto, há o aspecto, também focado por alguns dos comentadores e defensores das personagens do top 10 abordadas no derradeiro programa, da falta de cultura da população portuguesa, da falta de qualidade do ensino em Portugal. Eu, que me considero bastante mais culto que a média, nunca falei de Salazar, do Estado Novo, do 25 de Abril na escola. Tudo o que sei devo-o aos meus pais e ao meu voraz  apetite por aprender. Ora a maior parte dos portugueses que nasceram depois de 1974, e sobretudo a esmagadora maioria dos que participam em votações como a dos Maiores Portugueses, não beneficia destes aspectos.
Para estes, Salazar é um personagem como outro qualquer, sem nenhum carácter particularmente malévolo ou indesejável. Se lhes dizem que havia alguém que "punha ordem na barraca", olhando para o actual estado das coisas e da nossa democracia essas pessoas sentem-se atraídas por esse personagem e votam nele.
Ao mesmo tempo, também se tornam mais permeáveis à manipulação e à persuasão daqueles que genuinamente acreditam e promovem Salazar, o Estado Novo, o "nacionalismo", e de caminho (esta é a parte que ocultam, ou tentam ocultar, para assim melhor convencer) a xenofobia, a intolerância, o repúdio pelos valores democráticos. São esses, os PNR, FN e afins que promoveram o voto em Salazar, e com estes argumentos o conseguiram alcandorar a "Maior Português de Sempre" - com aspas, muitas aspas...
(prefiro destacar que, facto referido ao de leve no programa, uma sondagem "verdadeira" - isto é, cientificamente preparada - resultou na escolha de D. Afonso Henriques como favorito dos portugueses, uma escolha bem mais consensual, como seria D. João II, ou o Infante D. Henrique, ou Camões).
O que é particularmente grave, em relação a esta promoção do voto em Salazar, é verificarmos que idêntica promoção por parte de um grupo legalmente organizado e com muitos milhares de simpatizantes - o PCP - só resultou em 19% de votos para Cunhal... Ou seja, e sendo a capacidade de organização dos "salazarentos", adjectivemo-los assim para conveniência, bem menor que a do PCP, ou a sua capacidade de persuasão é extraordinarimente boa, ou há muita gente por aí pronta a ser persuadida... Nesta perspectiva o sucesso na escolha de Salazar é o sinal mais alarmante até agora do rumo que as coisas estão a tomar, e do que não está a ser feito, por incapacidade ou, pior, por falta de vontade, para contrariar esse rumo.
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Terça-feira, 13 de Março de 2007

A barbárie passa na televisão - e a resposta não passa de boas intenções

A propósito da minha indignação face às imagens divulgadas pela TVI da execução de Saddam Hussein e da queixa que encaminhei para a própria TVI (sem resposta até agora) e para a Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC), esta última teve a gentileza de me enviar a deliberação que, mais de dois meses volvidos (a data é de 8 de Março), aprovou, e que no que me interessa versa assim:

"A TVI emitiu as imagens do enforcamento, apesar de elas não acrescentarem valor
informativo às peças anteriormente emitidas. Explorou, pois, a sua componente macabra
e alimentou sentimentos de voyeurismo.
(...) o Conselho Regulador não tem dúvidas em afirmar que a exibição da morte de Saddam Hussein pela TVI não era jornalisticamente necessária, nem enquadrável em qualquer critério jornalístico, ética, deontológica ou legalmente oponível. Por outro lado, não detecta o que podia o visionamento da morte de um ser humano acrescentar à notícia – e não pode deixar de concluir que, manifestamente, o resultado objectivo foi o de acicatar o estímulo ao voyeurismo através de um sensacionalismo reprovável, tido por eficiente na captação do “interesse” do espectador.
A decisão da TVI de exibir estas imagens representa, por conseguinte, uma violação
grave de deveres jornalísticos e legais...
(...) do que se tratou com a sua difusão foi da exibição gratuita de um acto de enorme violência, tanto na sua componente física como psicológica (...) uma evidente e cabal exemplificação do que poderá entender-se, no sentido normativo, por “violência gratuita”.

(...) O Conselho Regulador

Considerando as queixas apresentadas por Marco Sousa, António Rufino e Jorge Pegado Liz contra a TVI, relativas à difusão de imagens nos seus serviços noticiosos sobre a execução de Saddam Hussein, nos dias 30 e 31 de Dezembro de 2006...

(...) Decide, com base nos factos apurados (...) instaurar procedimento contra-ordenacional contra o operador televisivo TVI.

1. Insta a TVI ao cumprimento do disposto no art. 24.º, n.ºs 2 e 6, LT, em especial, ao cumprimento da obrigação de advertência sobre a difusão de imagens especialmente violentas, como as que se referem ao processo de execução de Saddam Hussein e foram transmitidas nos serviços noticiosos dos dias 30 e 31 de Dezembro de 2006.
2. Considera que a decisão editorial da TVI de difundir, a 31 de Dezembro, as imagens do enforcamento de Saddam Hussein, constitui uma violação do art. 24.º, n.º 1, LT, por estas desrespeitarem a dignidade da pessoa humana e, nos termos deste preceito, constituírem exemplo de “violência gratuita”.
3. Recomenda à TVI o cumprimento dos seus deveres legais e éticos."

Para além do afago ao ego que faz ver o nosso nome numa deliberação de um órgão público e de ter contribuído para a discussão a nível "oficial" desta questão, várias reflexões me assaltam ao ler a deliberação.
Por um lado, o largo período de tempo de que a ERC necessitou para discutir algo que penso ser bastante simples, e que passa apenas por decidir se as imagens transmitidas pelos vários canais (sobretudo pela TVI) eram ou não demasiado chocantes e se eram ou não jornalisticamente relevantes. Eu até já me tinha esquecido da queixa!...
Por outro lado, a ERC limita-se a apresentar recomendações que, por veementes que sejam ("insta-se" ao cumprimento, em vez de apenas se recomendar), não passam disso mesmo e não são obrigatoriamente aplicáveis. A ERC também informa que irá "instaurar um processo contra-ordenacional" contra a TVI (que jargão, meu deus!), mas sobre estes todos sabemos como, se não ficarem por águas de bacalhau serão de um valor ridículo para a dimensão das receitas de uma estação de televisão como a TVI, tão ridículo que José Eduardo Moniz, em lugar de se exaltar, rirá de bom gosto...
Este é, no entanto, o limitado âmbito da actividade da ERC, que por determinação estatutária e governamental (leia-se o Governo que a instituiu) não pode ir mais longe. É manifesto quão pífio é o seu poder para fazer face a patentes violações como a relativa às bárbaras imagens da execução de Saddam, e quão necessária seria uma outra entidade, com poderes bastante mais alargados - e, obviamente, independentes.
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um discurso de Abraracourcix às 09:57
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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Morreu a OPA, vive o corporativismo

Vive, e de boa saúde.
Enganei-me redondamente na contagem de espingardas da assembleia-geral da PT... aliás, mesmo com essa contagem que admito demasiado optimista, já se antevia quão difícil seria a tarefa de Belmiro & filho...
Morreu então a OPA, ou antes, foi interrompida voluntariamente. A minha surpresa não foi o resultado final, que já era expectável, mas mais a posição assumida directa (golden share) e indirectamente pelo Estado (Caixa Geral de Depósitos), pois se embora não concordando é admissível o argumento de que ao abster-se o Estado, directamente, estava a deixar o mercado funcionar (mas esta era a fase "pré-mercado" - só passado este crivo o mercado propriamente dito falaria...), dado essa ser uma posição objectivamente neutra, já o mesmo não aconteceu com a CGD. Ninguém duvida de que o seu voto contra a desblindagem foi instruído ou influenciado por um Governo - provavelmente mais que qualquer um que o antecedeu - whistle-blower.
Importa então compreender as razões pelas quais Sócrates se desinteressou do sucesso da OPA, exactamente ao contrário do que se deduzia das suas palavras quando do anúncio pela Sonae, no início do ano passado (onde era possível distinguir a visão de que uma operação destas envergadura daria sinais de dinamismo ao mercado e seria, portanto, positiva para a economia), e apostou mesmo no seu fracasso.
Ora para mim essas razões têm que ver com o triunfo da forma tradicional de fazer negócios em Portugal, à qual Sócrates - ou a sua clique, pelo menos - parece ter-se rendido. Como li em mais de um sítio, Belmiro de Azevedo é, desde há muito, o político mais incómodo para o Governo, não só para os socialistas (dadas as conhecidas convicções políticas do "homem-Sonae") mas também para os governos de cor laranja.
Isso acontece porque Belmiro despreza a tal forma "tradicional" de fazer grandes negócios em Portugal, em que o Governo, qualquer governo, é sempre parte interessada e é-o sob variados prismas, uma forma corporativista em que é necessário dar uma "palavra amiga" aos governantes, uma forma feita de cunhas e rodriguinhos, de amiguismos, de palmadinhas nas costas.
Não representando essa forma de negociar, antes fazendo sua a força do mercado - sempre foi assim que Belmiro actuou, é daí que vem a força do único império empresarial construído depois do 25 de Abril em Portugal a partir do nada, e também como se vê as suas fraquezas - acaba precisamente por isso por se colocar na posição de maior conveniência para ser derrotado por políticos - digamos - empresarialmente interessados ou empresários tout court, todos interessados apenas em defender a sua coutada.
A concorrência, nomeadamente no mercado das telecomunicações móveis, pode estar de parabéns, tal como o mercado das comunicações de forma mais lata - dada a inevitabilidade de mesmo sem OPA as redes de cobre e cabo da PT virem a ser separadas -  mas a idade adulta (é um elogio, só aqui falo do lado positivo) do mercado português ficou mais longe...
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um discurso de Abraracourcix às 14:06
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Uma verdade conveniente

A propósito do aquecimento global como divina e desresponsabilzadora providência para a erosão da costa portuguesa, retirado do artigo de Helena Matos na última página do Público de hoje:

"É certamente tentador acreditar, tal como se ouviu este Inverno em Portugal, que "os gelos derretem naqueles sítios e fazem o mar subir" na Costa da Caparica. Porém é mais útil descer do domínio do pecado para o da responsabilidade.
Na costa portuguesa construiu-se e constrói-se nas falésias e dunas. Fizeram-se barragens e extraíram-se areias como se tal actividade não tivesse qualquer impacto nos rios e na costa. A isto junta-se uma enlouquecida máquina administrativa que, apenas para o litoral, como o Expresso recordou este fim-de-semana, conta com 105 entidades. Logo 105 presidentes para dar autorizar, fiscalizar, multar... 105 entidades responsáveis não por uma catástrofe que pode ou não vir a acontecer mas por um desastre que já aconteceu, está a acontecer e vai continuar a acontecer. Não por castigo de Deus ou da Terra. Mas sim por parvoíce nossa."
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um discurso de Abraracourcix às 09:53
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Os melhores javalis


O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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