Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Primárias Altermundo concluídas

Numa altura em que as eleições primárias nos Estados Unidos se disputam ainda acerrimamente - pelo menos do lado democrata - dou por concluída a mega-sondagem Altermundo.
Com algumas limitações, pois não retirei os candidatos da sondagem à medida que eles foram desistindo da corrida, descobri então as escolhas que fariam os irredutíveis habitantes do Altermundo se tivessem direito a eleger delegados às convenções republicana e democrata (o que é tremendamente injusto não acontecer).
Nos democratas, a escolha recairia, por pequena margem, em Barack Obama - o que como chefe desta aldeia que se fosse americana em vez de gaulesa seria firmemente democrata teria todo o gosto a subscrever.
Já nos republicanos, a escolha foi Rudolph Giuliani; uma vez que este muito cedo desistiu da corrida (a sua estratégia era verdadeiramente suicida), a escolha iria para o segundo posicionado John McCain, com estreita margem sobre Mike Huckabee.
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Também morreu George Habash, o terrorista anti-Arafat

Período carregado de mortes importantes, este...
Mais uma citação do Público, em relação a Habash (autor confesso ou acreditado de inúmeros atentados terroristas, sequestros de aviões, etc.), comunista, laico e inimigo interno de estimação de Arafat:

"Sem Habash nem Arafat, a Palestina, que antes era berço dos nacionalistas, passou a ser um campo de recrutamento dos islamistas do Hamas e da Jihad. Chegou ao fim uma era no Médio Oriente: morreram os que lutavam por um Estado laico, mesmo que não fosse ao lado de Israel."
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Suharto entra no clube Pinochet

O clube Pinochet, dos ditadores sanguinários saídos do poder e mortos sem terem visto a Histõria ajustar contas com eles, tem mais um ilustre membro: Suharto. Digo dele o mesmo que disse de Pinochet: que não descanse em paz.
Disse coisas bem mais eloquentes do que eu conseguiria Helena Matos, no Público de hoje, acerca da relação de Suharto com as potências ocidentais e também acerca do dúbio papel português de que nunca se fala:

"[Foi um ditador conveniente] para vários Estados. Como os EUA, que viam nele um aliado da realpolitik. Para o Vaticano, que não ignorava ser a Indonésia o mais populoso país muçulmano do mundo e que, no meio da crescente radicalização do Islão, se mostrava comparativamente tolerante para com os católicos. Foi-o também para Portugal onde a brutalidade das tropas indonésias nos poupou a maiores explicações sobre o nosso papel naquela tragédia. E para os próprios timorenses cujo calvários às mãos dos indonésios lhes ofuscou as suas próprias responsabilidades nos acontecimentos de 1975, pois quando as tropas indonésias entraram em Timor já a violência e a brutalidade estavam instaladas.
(...)
[Em 1975] Portugal encontrara finalmente o seu ditador conveniente: Suharto. O homem a quem finalmente, numa espécie de frenesi e alívio patrióticos, todos os portugueses podiam odiar e condenar."
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Prémios Personalidade do Ano 2007 - os vencedores

Acabei de fechar a votação para os Prémios Personalidade do Ano 2007.
Os democráticos vencedores deste ano:

Prémio Santana Lopes:
José Sócrates

Prémio Gandhi:
Al Gore


Prémio Bush:
Pervez Musharraf
e Vladimir Putin, ex aequo

Prémio Picasso:
Radiohead


Prémio Pimba:
Isabel Pires de Lima


Prémio Paris-Dakar:
Vanessa Fernandes

Prémio Bimbo da Costa:
Doping
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Mitt Romney ganha alento

Mitt Romney teve finalmente um resultado convincente ao vencer as eleições primárias do Partido Republicano no seu estado-natal, o Michigan. Aumenta assim um pouco a sua probabilidade de vitória final, e aumenta imenso a imprevisibilidade quanto a quem será o vencedor... Mike Huckabee, o cristão fervoroso (e, entre outras pérolas, criacionista), ainda não é uma carta fora do baralho, pelo menos não até se saber se pode vencer algum outro estado do Sul (Carolina do Sul, já este sábado, será talvez o seu teste definitivo). John McCain continua a ter resultados consistentes e, acima de tudo, nacionalmente equilibrados com vista à crucial Super Duper Tuesday, no princípio de Fevereiro, quando votarão mais de 20 estados e quase todos os maiores. E Giuliani, com a sua duvidosa estratégia de só começar a apostar a sério na Florida, no final deste mês, só aí terá o seu grande teste...
Já do lado democrata tudo na mesma: Clinton mantém ligeiro favoritismo face a Obama, mas este gradualmente vai-se aproximando da primeira nas sondagens a nível nacional. Se vencer na Carolina do Sul, como parece provável, e no Nevada (ambas a realizar este sábado para os dois partidos), onde essa tendência de subida já o fez ultrapassar a rival nas intenções de voto, poderá passar definitivamente para a frente da corrida...
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Por que Sócrates não podia ter optado pelo referendo ao Tratado de Lisboa

Já escrevi algures numa caixa de comentários de um blog irredutível qualquer que a opção entre referendo e ratificação parlamentar do Tratado de Lisboa era uma falsa opção.
A partir do momento em que Sócrates acordou, explícita ou tacitamente, com os restantes chefes de Estado da União Europeia em como o Tratado seria ratificado sempre que possível nos parlamentos nacionais, a partir desse momento, dizia - ainda para mais porque era Sócrates quem presidia às negociações - a escolha estava feita.
Não compreendo por isso as razões que levaram Sócrates a alimentar durante meses este tabu. Menos compreendo por que motivo, justamente quando já se adivinhava o iminente anúncio da ratificação parlamentar e todos estavam a ela resignados, começaram a aparecer notícias de que a balança pendia para a opção referendária.
Foram precisos telefonemas de Merkel, Sarkozy e outros, sem dúvidas dolorosos "puxões de orelhas" ao nosso primeiro-ministro, para que este se decidisse enfim a anunciar a ratificação pelo Parlamento.
Coloco três hipóteses para o que se tornou numa trapalhada de todo evitável:
- ou Sócrates genuinamente preferia o referendo e hesitou entre seguir o seu instinto e cumprir o acordado aquando da finalização do Tratado;
- ou havia sectores do PS e do Governo que pressionaram Sócrates a tal ponto que este começou a vacilar;
- ou, por último, ciente de que não tinha outra opção que não quebrar mais uma promessa eleitoral, orquestrou com a sua equipa uma "cortina de fumo", em que passaria por preferir o referendo mas, falsamente contrariado, acabar por escolher o inevitável, a ratificação parlamentar.
Não sei se por cinismo ou realismo, aposto nesta última explicação. Assim, o ar contrito de Sócrates ao ler na Assembleia da República o discurso que tinha escrito (e eu nunca o tinha visto a ler, sempre o vi a falar sem recurso a papéis!), como que um Calimero a dizer "eu queria o referendo, mas sabem, não me deixam...non è giusto...", terá sido apenas uma performance político-teatral digna de nomeação para Oscares!...
Mas cada um escolha a explicação que lhe parecer mais plausível...
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008

Lisboa-Dakar anulado: o desporto está mais triste, a Al Qaeda mais feliz

O pior, e de alguma forma inesperado mesmo sob as ameaças que pairavam, aconteceu mesmo: o Lisboa-Dakar deste ano foi anulado, depois do atentado terrorista que vitimou quatro turistas franceses na Mauritânia a semana passada, dos avisos do Governo francês quanto à falta de segurança nesse país e das ameaças directas da Al Qaeda - cujo braço argelino é o presumível autor do atentado - sobre a prova.
É compreensível a decisão da organização de não organizar o mítico rally este ano. Não deixa, no entanto, de ser muito triste, sobretudo pelo trunfo que confere ao terrorismo magrebino e à Al Qaeda em geral, que a partir de agora tem razões reforçadas para cometer atentados deste género, provado que está que têm efeitos produtivos.
Este efeito de tristeza é duplo, pois para além da vitória terrorista soma-se o próprio desaparecimento, espera-se que irrepetível, da prova.
Para mim, que cresci com a certeza de ver a cada início de ano os resumos da prova (já que, até ao ano passado, quando cumpri um sonho de criança, a minha presença pessoal foi impossível), para mim que aprendi a sonhar com o deserto ao ver as imagens televisivas do Paris-Dakar a cada ano, este cancelamento tornará os meus próximos dias mais cinzentos.



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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Começou a grande corrida presidencial americana

Não sei se repararam que, para além das sondagens para que escolham as Personalidades do Ano de 2007, coloquei também um divertido exercício de "democracia directa blogosférica" à moda gaulesa, para que votem nos vosso candidatos preferidos às presidenciais americanas. Votem portanto! Estou curioso de ver os resultados...
No campo da realidade, soube-se há pouco o resultado dos caucus (esse arcaico resquício de "democracia directa" que permanece desde o tempo dos colonos) das primárias no Iowa. Do lado democrata, sem grandes surpresas dado as últimas previsões, Obama foi o vencedor. Ainda bem, comento eu que não tenho grande simpatia pela excessivamente calculista e fria Hillary Clinton, terceira apenas nestas primeiras primárias. Em segundo lugar ficou John Edwards, com quem simpatizei muito nas campanhas anteriores (candidatou-se em 2000 e em 2004, quando acabou por ser escolhido para candidato a vice-presidente com John Kerry) mas que agora está a apostar no discurso mais populista de todos os candidatos (eu sei que é só estratégia eleitoral, mas mesmo assim não gosto de ouvir).
Do lado republicano, ganhou Mike Huckabee, o cristão ultra-conservador que acredita na verdade literal da Bíblia - e se não fossem os Estados Unidos não se acreditaria que alguém assim conseguisse ter algum tipo de sucesso...  Ganhou por uma unha negra a Mitt Romney, o mórmon que tem umas posições interessantes em assuntos sociais - é contra a influência da religião na política, é a favor do aborto e do casamento entre homossexuais, o que é uma enormidade para um candidato republicano - mas que provavelmente para esconder essas mesmas opiniões de um eleitorado que lhes é hostil tem um discurso que os americanos caracterizam como flip-flopper (algo como "troca-tintas"). Sobram ainda como candidatos com possibilidades de nomeação Rudolph Giuliani, mayor de New York em Setembro de 2001 e cuja mensagem de campanha é: 1. eu era mayor de New York no 11 de Setembro; 2. eu era mayor de New York no 11 de Setembro; 3. eu era mayor de New York no 11 de Setembro..., e por fim John McCain, conservador de linha dura mas muito crítico da estratégia (?) de Bush no Iraque e que tem a grande virtude de ter posições claras, com as quais se pode ou não concordar mas são de respeitar - em suma, no panorama geral republicano, o único candidato "sério".
Não está portanto fácil a corrida a nenhum destes candidatos... Dentro de poucos dias realizam-se as segundas primárias, no New Hampshire e por votação "tradicional". A praxis política americana dita que, se Obama ganhar aí, terá dado um grande passo para vencer a corrida. Do lado oposto o mesmo pode ser dito, e se nenhum dos dois vencer será um "baralhar e voltar a dar", até à "super-terça-feira", 5 de Fevereiro, em que se realizam a maior parte das eleições primárias (incluindo os estados mais populosos e que por isso mais pesam nas contas finais) e que quase de certeza decidiram os candidatos - embora não seja de excluir que num processo tão competitivo como o deste ano as decisões só fiquem claras mesmo no fim...
Como devem ter adivinhado, as minhas preferências pessoais vão para o democrata Obama, pela frescura de ideias e por tudo o que representa, e para o republicano McCain, o único candidato "sério", como escrevi - claro que se eu votasse mesmo NUNCA votaria republicano... Afinal, o único republicano bom é o republicano morto - ou, pelo menos, o que não vote.
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Prémios Personalidade do Ano 2007

À semelhança do que fiz no ano passado, mas desta vez de forma mais democrática, estou a promover uma votação para Personalidades do Ano de 2007, já disponível na barra direita do blog.
Para contextualizar um pouco a escolha, aqui ficam inks para a wikipedia e o meu argumento para a escolha dos "candidatos":

Nacional

Prémio El Rei D. João II:

não atribuído este ano, por falta de candidatos, ou apenas alguém que tenha feito o que quer que seja de positivo na política nacional (mas se alguém se lembrar, agradeço que desbloqueie a minha amnésia selectiva)

Prémio Santana Lopes:
Correia de Campos,  a Besta, cuja foto hiper-realista tem lugar cativo no Altermundo; é preciso dizer mais?
Manuel Pinho, campeão das gaffes e dislates, paladino-mor da incompetência que Sócrates quase parece gostar que o rodeie
José Sócrates: ele é que manda nos outros candidatos (e os dois que escolhi são só os exemplos mais paradigmáticos; até Teixeira dos Santos, a quem atribuí o prémio El-Rei D. João II o ano passado, foi contaminado); ele é que é o "presidente da Junta" (os nomes "lúgubre tugúrio", "escura catacumba", "choldra" ou equivalentes serviriam igualmente para descrever o estado deste nosso rectângulo, sem qualquer sinal de melhoras vindouras)

Internacional

Prémio Gandhi:
Al Gore, mais que merecido Nobel da Paz; é graças em grande parte ao seu hercúleo esforço (e mediatismo) que hoje em dia é impossível passar mais que um dia sem se falar do aquecimento global
Angela Merkel, dos poucos líderes europeus com L grande
Kevin Rudd, pelo simbolismo de ter adoptado, como primeiríssima medida depois de tomar posse como primeiro-ministro da Austrália, a ratificação do protocolo de Kyoto, autêntica bofetada de luva branca aos Estados Unidos e à sua anti-política ambiental

Prémio Bush:
Jaroslaw Kackynski, o incendiário (felizmente) ex-primeiro-ministro polaco
Pervez Musharraf, principal responsável por o Paquistão se ter tornado no lugar mais perigoso do mundo
Vladimir Putin, feiticeiro responsável pelo advir da nova guerra fria e pelo aniquilamento definitivo de toda e qualquer manifestação de democracia no maior país do mundo

Cultura

Prémio Picasso:
The Arcade Fire, a banda que se fala e de que me tornei, confesso, fanático; o seu segundo álbum, "Neon Bible", é tão bom como o já fantástico "Funeral"; o rock está vivo e bem vivo e o seu futuro passa por estes canadianos
Jonathan Littell, escritor americano que escreveu "Les Bienveillantes" ("As Benevolentes" na não completamente acertada tradução portuguesa), um calhamaço de 900 páginas em francês sobre o Holocausto na perspectiva de um SS; livro do ano em França, sensação um pouco por todo o lado; estou ansioso por começar a lê-lo, espero que o meu francês aguente a maratona
Radiohead: editaram um álbum novo, "In Rainbows", mas a nomeação é pelo lançamento do mesmo exclusivamente online, no site da banda e de preço livre (cada um pagava o que achasse justo, a começar por... zero!), acto que lançou o derradeiro prego no caixão da indústria musical; se para mim esta já estava morta, agora está morta e enterrada


Prémio Pimba:
Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP): se querem ver como se faz uma greve, olhem para Hollywood, onde os guionistas pararam em Novembro, como protesto pela política dos produtores, reunidos na AMPTP, de não lhes pagar pela difusão dos conteúdos de sua autoria na Internet ou em DVD, ameaçando já o desenvolvimento da maior parte das séries americanas, alguns filmes e mesmo a realização dos Óscares - não se pode fazer se ninguém escrever as piadas...
Indústria musical: Para além dos Radiohead, também Madonna e Prince já perceberam o que o futuro reserva e lhe viraram costas. Está morta e enterrada, como escrevi acima.
Isabel Pires de Lima: ministra da Cultura? Mas qual cultura?


Desporto

Prémio Paris-Dakar:
Roger Federer, há quatro anos imperador incontestado do ténis mundial; mesmo quando joga mal, joga bem.
Team Alinghi, equipa vencedora da Taça América em vela
Vanessa Fernandes, vencedora de tudo o que era prova de triatlo em 2007, provavelmente a nossa melhor desportista da actualidade

Prémio Bimbo da Costa:
Doping: no ciclismo, no atletismo, no desporto americano... os escândalos não param
Luiz Felipe Scolari: sou adepto do excelente trabalho que tem feito na selecção portuguesa, goste-se ou não do estilo e apesar da excessiva tremideira na qualificação para o Euro 2008; a agressão a Dragutinovic no final do Portugal-Sérvia, no entanto, é completamente indesculpável e é por isso que o nomeei
Selecção portuguesa de hóquei em patins: com um historial ímpar na modalidade, sendo ainda a selecção com mais Mundiais ganhos, Portugal sempre se tinha qualificado pelo menos para as meias-finais desta competição. Até 2007.
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

Porquê ter medo de Sarkozy

Ao contrário do que possa eventualmente transparecer do meu último post, de comentário ao resultado das eleições presidenciais franceses, não morro de amores por Sarkozy. Muito longe disso, aliás. Limitei-me a constatar os motivos por que Sarko ganhou: porque era melhor candidato. Se fosse francês teria votado em Ségo nesta segunda volta, apesar de não gostar da sua retórica vazia, da demagogia constante e do destaque dado à sua feminilidade. Teria votado mesmo, talvez, contra Sarko mais do que pela socialista, reconhecendo no entanto que ele era o candidato mais preparado e com propostas mais definidas, concorde ou não com elas... e obviamente não concordo com a maior parte.
A este propósito e do que mais assusta em Nicolas Sarkozy, aqui fica um excerto do artigo de opinião de Rui Tavares, na última página do Público de ontem:

"estes insultos [a polémica da "escumalha"] dirigidos ostensivamente às ovelhas negras se destinam em geral a coagir todo o rebanho, a estigmatizá-lo e retirar--lhe liberdade (...)
Os jovens da banlieue não entraram em combustão espontânea. A coisa começou com a morte de dois deles no seguimento de uma perseguição policial. E não acabou enquanto Sarkozy não espremeu o espectáculo da repressão até à última. Toda a imprensa internacional notou então o prolongamento propositado do conflito.
(...) Na altura dos motins foram bem divulgadas as pesquisas oficiais sobre a prevalência do racismo latente. O mesmo currículo tem três vezes mais hipóteses de ser aceite quando o nome é Jean-Claude Dupont em vez de, digamos, Ibrahim Yassin. Muitos patrões franceses preferem deixar uma vaga por preencher do que contratar árabes ou negros. Depois de não os contratar, é só pedir a Sarkozy que venha metê-los na ordem."
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

Abram alas para Sarkozy, o presidente-exterminador implacável

Como seria de esperar, Sarkozy venceu, e por larga margem. A participação voltou a exceder os 85%, dando ao resto da Europa - refiro-me acima de tudo a Portugal, cujos políticos deviam enfiar esta carapuça - uma nova lição de democracia.
Dando continuação ao discurso assertivo do período de campanha, ao fazer a declaração de vitória Sarko mostrou já ao que vinha: sossegou os Estados Unidos, prometeu unir em vez de dividir a França (numa clara demarcação da retórica de Chirac, que prometeu fazer face à "fractura social" quando foi eleito e nada fez a este respeito, antes pelo contrário, agravou-a e muito), declarou que a França seria um "farol de liberdade" para os oprimidos de todo o mundo (uma nota algo americanista e soberanista e por isso muito à la de Gaulle).
Uma nota especial para a primeira proposta surpreendente do futuro presidente francês, que prometeu ainda ir ter em especial atenção os países da bacia mediterrânica e disse pretender criar uma comunidade do Mediterrâneo. Eis algo que fará Sócrates sorrir e aplaudir fortemente - e até eu estou por uma vez de acordo com ambos. O auxílio - económico, político - é a melhor forma de os países da orla meridional do "mar interior" da Europa se desenvolverem e, por essa via, debelarem problemas que são também preocupantemente europeus, como os diversos tráficos (droga, armas, pessoas...) e acima de tudo as gigantescas ondas de imigração ilegal.
Já que desconfio que não proporei isto muitas vezes, aqui fica: um forte aplauso para esta proposta de Sarkozy! (que não para o resto do seu discurso-robocop...)
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Para lá dos clichés anti-americanos

Já que estou numa onda francesa, aqui fica uma entrevista de Bernard Henry-Lévy ao Ípsilon, suplemento cultural do Público, a propósito do seu último livro, uma destruição de todos os clichés - bons e maus - que os europeus têm em relação aos Estados Unidos.

"Depois da sua longa viagem pela América, mudou as ideias que tinha?
Mudei. Fiz o que muito pouca gente faz: atravessar o país em todos os sentidos por estrada, olhar para tudo, para tentar testar os clichés contra a prova do real. Todos nós temos a cabeça cheia de clichés quando se trata da América. Os anti-americanos têm clichés, os pró-americanos também. Todos os clichés são falsos.
Uma experiência como esta transforma-se numa máquina de quebrar clichés. As minhas ideias mudaram.

Por exemplo?
Pensava que a América era um país imperial. A ideia merece ser revista. Pensava que a América não tinha sistema de saúde e de segurança social. É mais complicado que isso. É diferente do nosso, uma mistura de publico e privado, mas existe. Pensava que a América era um país materialista e é provavelmente o país mais religioso do mundo. Pensava que o Sul eram os Estados da segregação, onde os negros teriam ainda um longo caminho a percorrer para cumprir o programa de Martin Luther King. Descobri que o caminho já tinha sido percorrido no essencial. Cada passo foi uma surpresa.

Esta surpresa confirmou a ideia de que europeus e americanos continuam a pertencer ao mesmo planeta ou viu uma América que diverge cada vez mais de nós?
O que vi e o que discuti com inúmeros intelectuais, de direita e de esquerda, conservadores e democratas, é que há, de facto, uma tentação de largar as amarras da Europa. Mas direi que a questão que acabou de colocar é aquela que se colocam a eles próprios todos os americanos. A questão central é essa...

A relação com a Europa?
O que é que fazemos com a Europa? A Europa é a nossa mãe, mas como é que traduzimos isso nos dias hoje? Como é que resolvemos o nosso complexo de Édipo ou de Electra? Matamos ou não a mãe? É a questão metafísica e, consequentemente, política.

Porque é que se coloca agora? Porque a guerra-fria terminou? Porque o mundo está a mudar?
Porque a guerra-fria acabou. Porque há uma mudança da população americana com a chegada dos hispânicos. E pela proximidade à Ásia através da costa do Pacífico. E também por causa da psicologia dos homens. O complexo de Édipo existe nos humanos como nas colectividades. Nós, na Europa, temos o complexo ao contrário: o ódio da mãe pela filha. Que é o anti-americanismo. Mas, se tivesse de fazer uma aposta, apesar de tudo diria que não haverá ruptura entre a América e a Europa. A presença europeia é demasiado forte, os valores europeus impregnam a sociedade americana de forma profunda e creio que, sem isso, a América seria outra coisa.

Há passagens no seu livro dedicadas a descrever o Presidente americano. Pelo menos inicialmente os europeus não compreendiam essa escolha...
Olhe para o seu país. Uma civilização, um império, uma cultura e ofereceu-se a si próprio durante décadas dois cretinos: Salazar e Caetano. Isso não quer dizer nada. Na França é o mesmo. O que eu creio, realmente, é que George W. Bush é um parêntesis. Temos os olhos fixos em Bush, ficamos completamente obnubilados por ele, como se ele fosse a verdade da América. Ora, não é nada disso.

Mas é essa a América que temos visto, dos "neocons", do fundamentalismo religioso...
Isso quer dizer que não compreendemos nada.

Encontrou Barak Obama em 2004 e diz no seu livro que é preciso prestar-lhe atenção. Hoje todos nós lhe prestamos imensa atenção.
Creio ter sido um dos primeiros europeus a imprimir o nome de Barak Obama e a fazer o seu retrato. Logo que o vi, senti imediatamente que era uma personagem considerável e uma das faces possíveis da América.

Diz que Obama é um negro branco.
O que digo é que a força de Obama reside no facto de não ser um descendente de um escravo do Sul. O seu pai era queniano. E isso muda tudo. Quer dizer que ele não reenvia aos outros americanos uma imagem culpabilizante. Não lhes reenvia a imagem do país da segregação, do Ku-Klux-Klan, do esclavagismo. É um negro que joga na sedução e não na culpabilização. A sua força está aí.

Escreve também bastante sobre a sua experiência com as comunidades árabes, sobre o facto de se sentirem americanos, ao contrário do que acontece na Europa.
Os americanos inventaram um sistema de cidadania, um modo de regulação dialéctica entre o particular e o universal, entre a origem e o destino, que funciona bastante bem. Na Europa e na França teríamos todo o interesse em inspirarmo-nos nisto.

Podemos voltar aos valores? Há hoje na Europa a ideia de que, depois de Guantánamo e de Abu Ghraib, a democracia americana não funciona. Visitou Guantánamo. Contesta essa ideia no seu livro.
Fui ver Guantánamo. É verdade que é inadmissível, que é um escândalo, que é uma zona de não-direito e que é indigna de uma democracia. Mas não é o Gulag. E os que nos vêm dizer que Guantánamo é o Gulag americano são cretinos, não têm a mínima ideia do que é o Gulag. O Gulag significa dezenas de milhões de mortos. Guantánamo significa centenas de prisioneiros sem direitos que não são bem tratados, sem dúvida, em alguns casos torturados. Eis um caso em que está diante de um verdadeiro cliché.

Compara a denúncia de Abu Ghraib com a denúncia do que se passou com a França na guerra da Argélia. Diz que eles foram mais rápidos a denunciar e a condenar.
A grande diferença entre a França e a América é que a França levou 40 anos para aceitar o seu Abu Grahib e a América levou três dias.

Porquê?
Porque a América é uma democracia mais viva que a França. Bastaram 48 horas para a América ser informada sobre Abu Ghraib, ficar horrorizada com Abu Ghraib e condenar Abu Ghraib. Há pouco falávamos de Obama e de Hillary Clinton. A América pode eleger no próximo ano uma mulher ou um negro. Portugal estaria preparado para isso?

Mas a França está, pelo menos no que diz respeito a uma mulher.
Mas está pronta a eleger um negro? E mesmo uma mulher? Vamos ver. Espero que sim. Mas olhe para a maneira como ela é tratada, a nossa mulher, Ségolène. Os insultos as insinuações.

Conversou longamente com algumas das figuras mais conhecidas entre os neoconservadores. As suas origens são as mesmas que as deles: vieram da esquerda, são anti-totalitários, vêm a democracia como valor universal. Também costuma apelar às democracias para agirem contra os tiranos. Qual é a diferença?
A diferença é que continuo a ser de esquerda e eles não. No plano moral, não há diferença. O problema deles não é serem imorais. Moralmente tinham razão. Claro que é preciso derrubar um ditador. Claro que a democracia é boa para todos os povos. Claro que os Direitos do Homem não são reservados aos ocidentais. Apenas há diferença no plano político. A responsabilidade de um Estado não é apenas ter razão nos princípios mas também ganhar no plano político. A guerra no Iraque, a maneira como foi conduzida, fez com que estivesse antecipadamente perdida. Para ganhar é preciso um consenso internacional, aliados no terreno e um plano de reconstrução. Foram as três coisas que faltaram à América.
Eles fizeram no Iraque os mesmos erros que fazem na América. Pensam que o Estado serve de pouco para combater a miséria, para os cuidados de saúde, que é preciso deixar o mercado livre funcionar. Fizeram o mesmo erro no Iraque: bastava derrubar Saddam e, depois, a Providência democrática faria o resto.

Diz no seu livro, já disse aqui, que a América não é uma nação imperial. Mas, depois da guerra-fria, começou a pensar-se como império.
Não tenho a certeza disso. A questão imperial é uma questão nossa, dos europeus. Fomos nós as nações imperais. O imperialismo é o nosso fardo. A América não tem um imaginário imperial, isso é falso. A verdadeira tentação da América, a sua tendência pesada e, talvez, o maior perigo é deixar cair o mundo... O isolacionismo.
Espero que a queda dos neoconservadores não tenha como efeito deitar fora o bebé com a água do banho. Abandonar toda a espécie de preocupação com o mundo.

Como é que explica que a ideia de uma Europa como anti-América seja sobretudo uma ideia francesa?
Não, não é apenas francesa. É verdadeira na Alemanha, na Espanha, na Itália, talvez em Portugal... Mas é verdade que nasceu em França. O anti-americanismo era uma ideia de extrema-direita...

Agora é de esquerda.
Se o anti-americanismo se transformar no programa da esquerda, isso será muito grave porque, na sua substância, é uma ideia fascista. É o reflexo dos fascistas franceses dos anos 20 e 30 face a uma nação democrática. É a reacção dos nostálgicos da nação orgânica, a nação baseada numa raça, num sangue, etc..., face à nação rousseauniana, que é a América. A América é uma incarnação do sonho de Rousseau, gente que vem de toda a parte e que, por um acto de vontade, decide fazer uma nação. Isto, os contra-revolucionários franceses do século XIX e, depois, os fascistas dos anos 20, viam como o seu o pior pesadelo. É daqui que nasce o anti-americanismo em França. Que, depois, passa para a Alemanha, como os românticos alemães, com os ideólogos nazis, com Heidegger. Ver uma parte da esquerda europeia ligada a este anti-americanismo de origem fascizante é algo que me aterroriza.

E isso é um problema para a integração europeia?
Sim. Creio que não se pode detestar a América e querer, ao mesmo tempo, a Europa. Porque, no fundo, a ideia de que a Europa é possível é a América que no-la dá. É já, de alguma maneira, uma Europa - povos diferentes, de tradições e memórias que não têm nada umas com as outras, que formam uma nação. É isto a América e é isto que tentamos fazer na Europa.

O que leva 70 por cento dos franceses a dizer que a França está em declínio? Ou, como se diz, como se explica este "malaise" de um país que é rico e, a muitos títulos, magnífico?
Isso vai mudar... O "malaise" é uma questão de memória. Há três acontecimentos recentes na nossa memória com os quais temos dificuldade em lidar. Vichy, a colonização e o Maio de 68...

Acha que podemos comparar o Maio de 68 com Vichy...
Não. Mas há uma relação difícil com o Maio de 68. Há uma parte da França que continua a pensar que foi uma coisa muito má, que os nossos males vêm daí.

Diz no seu livro, contrariando a percepção comum na Europa, que o terrorismo islâmico é uma forma de fascismo - o islamofascismo. É a mesma definição de Bush.
As pessoas na Europa crêem que a origem do terrorismo islâmico é a pobreza ou o Corão. Não é uma coisa nem outra. A sua tradição ideológica chama-se fascismo. É a sua verdadeira natureza. É uma questão política, não é uma questão religiosa.

Os americanos percebem isso melhor que nós?
Não, não creio. Eles estão mais na linha da guerra de civilizações, ou seja, uma guerra de religiões. Ora, não é nada disso, é uma batalha política contra gente que é fascista...

Porque defendem uma ideologia totalitária?
Li os fundadores dos Irmãos Muçulmanos, li os inspiradores de Komeini, li os fundadores do Partido Baas e verifiquei que as ideias que os alimentam são ideias europeias e, em grande parte, fascistas. Há também o Corão naturalmente. Mas o Corão é como todos os textos religiosos, permite várias interpretações. Se fosse só isso não estaria tão inquieto."

Quando era mais novo, ouvia com frequência um programa da Antena 3, aos domingos de manhã, chamado "De costa a costa", que passava música que, num sentido lato, era country - mas não aquele country "pimba" que associamos, fruto dos filmes e séries, à América profunda.
Esse foi o primeiro cliché que se destruiu para mim, o de que o country era "pimba". Porque eu aprendi a gostar daquele country, e através dele do que é a moderna América profunda, tornei-me nessa medida "americanófilo" e percebi que nem tudo o que é tido como mau o é nos Estados Unidos. No fundo, percebi que por muita coisa má que uma cultura - no caso a americana - tenha, é sempre necessário passar para lá dessas supostas coisas nefastas, porque muito de bom sempre haverá. E, assim, tive de aprender a conviver com um sentimento de atracção-repulsa em relação aos Estados Unidos e a all things American..
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um discurso de Abraracourcix às 18:59
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A semana em cartoon: Ségolène ao ataque da fortaleza-Sarkozy


(Petar Pismestrovic, Kleine Zeitung, Áustria)
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um discurso de Abraracourcix às 18:57
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Sarkozy vs Royal: les jeux sont faits

Ontem à noite decorreu o único debate entre os dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais francesas, Nicolas "robocop" Sarkozy e Ségolène "pudim" Royal.
Um bom sinal do interesse que estas eleições têm despertado é o facto de quer a SIC Notícias quer a RTPN terem transmitido, em diferido (e ambas quase em simultâneo), o debate - só que eu não sabia disto e já tinha visto o debate em directo na TV5 (e portanto sem legendas, o que a mim não me faz diferença - sim, podem chamar-me maluquinho francófilo - pelo contrário, deixa-me prestar mais atenção a outros pormenores, como a postura dos candidatos, o cenário, etc.).
Como se esperava, Ségo surgiu mais agressiva, tentando por um lado reduzir a diferença nas intenções de voto face ao seu oponente e favorito de todas as sondagens (entre 52 e 54%) e, por outro lado, tentar fazer surgir a agressividade latente de Sarko - não é por acaso a alcunha de "robocop"... Vi o debate quase todo (aguentei quase duas horas antes de sucumbir por exaustão, os candidatos continuaram até às duas horas e meia...) e pessoalmente penso que Ségo se saiu ligeiramente melhor.
Não conseguiu causar nenhum ataque de fúria em Sarko - pelo contrário, ela é que pareceu em certos momentos demasiado exaltada, o que o adversário não deixou de aproveitar para marcar pontos - mas pareceu claramente "presidenciável", respirando confiança e conseguiu, na questão da reforma laboral, que Sarkozy acabasse por admitir que não iria mexer nas 35 horas semanais (algo que em campanha ele apresenta como um terrível erro).
Penso, no entanto, e fruto desse excesso de irritabilidade de Royal, que não deverá colher grandes frutos eleitorais da sua prestação retórica. Sarkozy, pelo contrário, apareceu na forma esperada: tentando sempre ser calmo e cordato, explicando as suas propostas de forma mais assertiva e atacando Ségo quando ela não o era, capitalizando o principal handicap da socialista, a falta de sustentabilidade prática do que propõe.
Assim, não será pelo debate - sempre alvo de muita atenção por parte dos franceses, um dos povos mais politizados da Europa  - que Ségolène Royal conseguirá equlibrar a balança presidencial: Sarkozy continuará o favorito e, a não ser que todas as inúmeras sondagens feitas para esta segunda volta se enganem, será o próximo ocupante do Palais de l'Élysée.
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Guernica: o dia mais negro do século XX foi há 70 anos



Gernika, 26 de Abril de 1937:  "às quatro e meia da tarde (...) a silhueta solitária de um avião de combate alemão surge sobre os céus".
A citação é do artigo do DN de hoje, aludindo à negra efeméride. Novamente o DN, explicando a especial importância deste dia: "o principal legado do tipo de bombardeamento maciço que o ataque a Guernica prefigura será, mais tarde, a sua generalização durante a II Guerra Mundial, com devastadora eficiência, sobre alvos europeus e alemães, de que a acção anglo-americana sobre Dresden, em Fevereiro de 1945, é o exemplo máximo."

Para mim, e simbolicamente, foi o mais negro dia do séc. XX, símbolo de tudo o que o motivou, de tudo o que causou, na Guerra Civil Espanhola como na II Guerra Mundial, símbolo de todos os indizíveis horrores que se seguiram. O mural de Picasso é, por isso, desde sempre, o meu quadro preferido.

Para quem queira ler um pouco mais, aqui estão os links para os artigos da wikipedia sobre o bombardeamento em inglês e espanhol, ambos com links para outras leituras.

Aconselho sobretudo o artigo de George Steer para o The Times, o primeiro jornalista a relatar o bombardemento. Excertos mais marcantes:


"BILBAO, April 27 1937


"Guernica, the most ancient town of the Basques and the centre of their cultural tradition, was completely destroyed yesterday afternoon by insurgent air raiders. The bombardment of this open town far behind the lines occupied precisely three hours and a quarter, during which a powerful fleet of aeroplanes consisting of three German types, Junkers and Heinkel bombers and Heinkel fighters, did not cease unloading on the town bombs weighing from 1,000lb. downwards and, it is calculated, more than 3,000 two-pounder aluminium incendiary projectiles. The fighters, meanwhile, plunged low from above the centre of the town to machine- gun those of the civilian population who had taken refuge in. the fields.

The whole of Guernica was soon in flames except the historic Casa de Jontas with its rich archives of the Basque race, where the ancient Basque Parliament used to sit. The famous oak of Guernica, the dried old stump of 600 years and the young new shoots of this century, was also untouched. (...)
At 2 am today when I visited the town the whole of it was a horrible sight, flaming from end to end. The reflection of the flames could be seen in the clouds of smoke above the mountains from 10 miles away. Throughout the night houses were falling until the streets became long heaps of red impenetrable debris."
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Os melhores javalis


O chefe viu:
   "Nightwatchers", Peter Greenaway

  

 

   "The Happening", M. Night Shyamalan

  

 

   "Blade Runner" (final cut), Ridley Scott

  


O chefe está a ler:
   "Entre os Dois Palácios", Naguib Mahfouz

O chefe tem ouvido:
   Clap Your Hands Say Yeah, Some Loud Thunder

   Radiohead, In Rainbows
 

por toutatis! que o céu não nos caia em cima da cabeça...

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